Creio que Portugal não está preparado para enfrentar o novo paradigma social que emerge. 1 – Aqueles que pensavam ser a elite política e a (pseudo) consciência da nação não querem aceitar que o que está a acontecer assemelha-se à Revolução Francesa sem sangue. Quero com isto dizer que esta bendita crise teve o condão de demonstrar a incompetência que lhe é transversal e que só era camuflada por um discurso retórico. Paralelamente desunham-se para fingir que são tão elegantemente democráticos que até apresentam fórmulas que de todo são incompatíveis com as retóricas que propagam. Essa conversa de que à política o que é da política e à justiça o que é da justiça não passa de conversa fiada, porque a justiça é matéria política. A questão judicial somente deve aplicar o que a política determina, é esta sua competência. Sim, eu disse política e não políticos, porque a política ao serviço da polis passa por dotar os instrumentos jurídicos de legislação que se coadune com os princípios da ética, e da moral que abastecem a consciência individual e colectiva, que se torna comum. E quando há desvios deve prevalecer o sentido do interesse comum e não mais o de grupos. Para finalizar este ponto gostaria de transcrever a célebre afirmação bíblica cuja interpretação inquinou o sentido primário da mesma: “Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Esta afirmação foi feita num contexto malicioso que visava levar o autor, Jesus, a contrariar a norma do ocupante para que eles, os maliciosos, o pudessem acusar de subversão e assim poderem entregá-l´O à justiça vigente, para condenação à morte. Acontece que a referida afirmação é precedida de uma interrogação: “Que caras vedes nessa moeda?” – “César”, respondem os maliciosos. Todavia, não se compreendeu que se a moedita de merda levava cunhada a imagem de César era pelo facto de este a ter mandado fazer, e se foi ele, César, que determinou nesse sentido, então, a moeda pertencia-lhe. Mas o que não lhe pertencia era a liberdade inerente aos filhos de Deus, o Homem. Neste sentido a compreensão da afirmação passa pela seguinte leitura: RENUNCIAI A CÈSAR O QUE NÃO PERTENCE A CÉSAR;
2 – A classe média portuguesa, em geral, sempre foi uma classe dependente dos regimes vigentes, consequentemente acomodada e ambicionando sempre uma mão daqueles que mais próximos estavam desses regimes. E os mais próximos facilmente se identificam: os donos disto tudo, os capitalistas que sempre viveram de benesses do regime, e, sem dúvida, a Igreja dominante que em certa medida era constituída por afilhados recomendados por alguém que detinha alguma influência, uma madrinha ou um padrinho que lá arranjava maneira de os tirar da miséria para os colocar num seminário e seguirem a via sacerdotal, aquela que era mais fácil porque bastava fundamentar a actividade numa retórica moralista, mas uma prática pouco condizente com o Espírito que se esperava. Esta reflexão não visa deitar ninguém abaixo, visa tão somente reforçar os porquês na dificuldade de se aperceberem do novo paradigma social que acima expus. Esta resistência está a fazer que todos eles vejam a história por detrás de uma janela ao invés de se situarem nessa mesma história.
Por último, as gerações mais novas julgam-se uma espécie de cientistas e convencem-se que eles são os descobridores do mundo e tornam-se, assim, incapazes de absorver a importância da parábola bíblica que nos alerta para o facto do Homem sábio ser aquele que é capaz de tirar de seu tesouro coisas novas e velhas, isto é, de buscar a essência, REPITO ESSÊNCIA, que é capaz de aglutinar a Sabedoria passada com o conhecimento que ainda está por descobrir, que é futuro. A ciência sem esta componente torna-se uma mera funcionalidade e esquece que seu objectivo é o próprio Homem.
Creio que Portugal não está preparado para enfrentar o novo paradigma social que emerge.
1 – Aqueles que pensavam ser a elite política e a (pseudo) consciência da nação não querem aceitar que o que está a acontecer assemelha-se à Revolução Francesa sem sangue. Quero com isto dizer que esta bendita crise teve o condão de demonstrar a incompetência que lhe é transversal e que só era camuflada por um discurso retórico. Paralelamente desunham-se para fingir que são tão elegantemente democráticos que até apresentam fórmulas que de todo são incompatíveis com as retóricas que propagam. Essa conversa de que à política o que é da política e à justiça o que é da justiça não passa de conversa fiada, porque a justiça é matéria política. A questão judicial somente deve aplicar o que a política determina, é esta sua competência. Sim, eu disse política e não políticos, porque a política ao serviço da polis passa por dotar os instrumentos jurídicos de legislação que se coadune com os princípios da ética, e da moral que abastecem a consciência individual e colectiva, que se torna comum. E quando há desvios deve prevalecer o sentido do interesse comum e não mais o de grupos. Para finalizar este ponto gostaria de transcrever a célebre afirmação bíblica cuja interpretação inquinou o sentido primário da mesma: “Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Esta afirmação foi feita num contexto malicioso que visava levar o autor, Jesus, a contrariar a norma do ocupante para que eles, os maliciosos, o pudessem acusar de subversão e assim poderem entregá-l´O à justiça vigente, para condenação à morte. Acontece que a referida afirmação é precedida de uma interrogação: “Que caras vedes nessa moeda?” – “César”, respondem os maliciosos. Todavia, não se compreendeu que se a moedita de merda levava cunhada a imagem de César era pelo facto de este a ter mandado fazer, e se foi ele, César, que determinou nesse sentido, então, a moeda pertencia-lhe. Mas o que não lhe pertencia era a liberdade inerente aos filhos de Deus, o Homem. Neste sentido a compreensão da afirmação passa pela seguinte leitura: RENUNCIAI A CÈSAR O QUE NÃO PERTENCE A CÉSAR;
2 – A classe média portuguesa, em geral, sempre foi uma classe dependente dos regimes vigentes, consequentemente acomodada e ambicionando sempre uma mão daqueles que mais próximos estavam desses regimes. E os mais próximos facilmente se identificam: os donos disto tudo, os capitalistas que sempre viveram de benesses do regime, e, sem dúvida, a Igreja dominante que em certa medida era constituída por afilhados recomendados por alguém que detinha alguma influência, uma madrinha ou um padrinho que lá arranjava maneira de os tirar da miséria para os colocar num seminário e seguirem a via sacerdotal, aquela que era mais fácil porque bastava fundamentar a actividade numa retórica moralista, mas uma prática pouco condizente com o Espírito que se esperava.
Esta reflexão não visa deitar ninguém abaixo, visa tão somente reforçar os porquês na dificuldade de se aperceberem do novo paradigma social que acima expus. Esta resistência está a fazer que todos eles vejam a história por detrás de uma janela ao invés de se situarem nessa mesma história.
Por último, as gerações mais novas julgam-se uma espécie de cientistas e convencem-se que eles são os descobridores do mundo e tornam-se, assim, incapazes de absorver a importância da parábola bíblica que nos alerta para o facto do Homem sábio ser aquele que é capaz de tirar de seu tesouro coisas novas e velhas, isto é, de buscar a essência, REPITO ESSÊNCIA, que é capaz de aglutinar a Sabedoria passada com o conhecimento que ainda está por descobrir, que é futuro. A ciência sem esta componente torna-se uma mera funcionalidade e esquece que seu objectivo é o próprio Homem.