«O “todos, todos, todos” gritado por meio milhão de pessoas no Parque Eduardo VII é uma imagem que ficará comigo. Há quem considere isto falta de critério. E, de facto, é. Jesus não tinha qualquer espécie de critério quanto ao amor ao próximo. Está escrito: quem deves amar? Toda a gente. Incluindo quem te esbofeteia. É uma proposta excessiva e humanamente inatingível? Sim, mas o essencial não é atingi-la – é deixarmo-nos guiar por ela. É esforçarmo-nos por colocar o perdão, em vez da vingança, no centro das nossas vidas.
Francisco arrasta multidões, em parte porque são fortíssimas as ressonâncias evangélicas das suas palavras. Depois, claro, há os católicos em geral a quem Francisco muito irrita, e que invadem eucaristias direccionadas para a comunidade LGBT. Estamos tão habituados a uma Igreja prescritiva, que quando alguém diz, como ele, que “o Senhor não aponta o dedo, abre os braços”, há logo quem pense que Francisco está a “facilitar”. Mas não há nada de fácil nisso. Deixar os imperfeitos à porta é muito mais cómodo do que os acolher em casa.»
João Miguel Tavares, no Público

E já temos o primeiro a tergiversar nos méritos lisboetas, o outro ainda está com fogo não se brinca para poder tergiversar nos méritos do governo.
Vai ser interessante saber quem agarra melhor o êxito do acontecimento, e as palavras do Papa por quem serão utlisadas.
“Utlisadas”?
então por aqui não há amnistia?
Boa reflexão.Também gostei de ler.
Tinha de acontecer um dia, e aconteceu hoje. Concordo com o que disse o JMT. A partir d agoira vou ter mais cuidado comigo.
Excelente reflexão, infelizmente com um pormenor que destoa. Não são os católicos EM GERAL a quem Francisco muito irrita ou que invadem a igreja da Ameixoeira, mas apenas UMA PARTE dos católicos. Ínfima na invasão da celebração LBGT, pouco expressiva na irritação causada por Francisco.
Haverá mais – e neles me incluo – que podem preferir o estilo discreto e intelectual de Bento XVI à exuberância popular de S. João Paulo II e Francisco mas muito longe de sentir irritação.