Reflexão do dia


Pedro Correia,

«O BES enfrentava três cenários. Um era o de uma falência desorganizada que teria efeitos catastróficos sobre toda a restante banca e a economia. Teríamos inevitavelmente um segundo resgate. O cenário dois seria o da nacionalização através de uma entrada directa no capital do banco, assumindo o Estado, diga-se, os contribuintes, as perdas, e ficando os accionistas livres desse peso. O terceiro cenário, o escolhido, foi o da entrada no banco através do Fundo de Resolução. O banco foi dividido em dois. O banco bom, agora designado Novo Banco e sem qualquer efeito no quotidiano dos clientes de depósitos ou bons créditos. E o banco mau, que ficará com o nome BES. (…) O modelo escolhido protege os contribuintes, os depositantes e os bons clientes de crédito – não esquecer que o BES, agora Novo Banco, é a instituição com uma das melhores carteiras de crédito a pequenas e médias empresas. E, nesse sentido, protege mais a economia e a sociedade da má gestão.»

Helena Garrido, no Negócios

28 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Por que janela de futuro é que estes videntes espreitam para verem caos num lado, e prados verdejantes no outro?
    O que é “falência desorganizada”?
    Então não há um supervisor, e executores de falências?

    O BCE anunciou com gala e circunstância que depósitos até 100 mil euros estariam sempre cobertos, portanto estamos a falar doutras coisas, para as quais toda a gente estava avisada.

    A falência do BES ocorreu. Não há como escondê-lo.
    Criou-se um Novo Banco, que é novo, e nada tem a ver com o anterior -excepto:
    – o Banco de Portugal dar de presente ao Novo Banco os activos positivos do BES.
    Expurgou todos os credores e accionistas da parte boa do BES, e deixou-os apenas com a parte má do BES. Pode fazer isto?
    A menos que estejamos em ditadura, os lesados vão accionar todos os processos, e mais alguns, contra esta medida que visou tirar-lhes o que restava de bom do seu investimento.
    Quem é o responsável? Carlos Costa. Como Carlos Costa não tem dinheiro para brincar aos pobrezinhos, será chamado o Banco de Portugal. Como o Estado não vai querer ter o Banco de Portugal na falência com tanta execução legal, quem irá pagar esta aventura é o Estado através dos contribuintes…
    O caos não vem já, será resultado dos diversos processos legais que irão ocorrer nos próximos anos.
    Sempre com a desculpa da austeridade, iremos pagar múltiplos BPNs por esta intromissão aventureira num negócio privado.
    Os credores irão assim receber dinheiro que nunca veriam doutra forma.

    Mais uma vez, uma simples nacionalização de prejuízos, e um presente com lucros para escritórios de advogados, credores, etc…

    O Novo Banco surge como um autêntico esquema de lavagem de dinheiro, dinheiro ilegal porque todos os activos do Novo Banco pertenciam aos credores e accionistas do BES, que aparece travestido de bom por uma nova instituição.

    Não é só um crime, é também a ruína de toda a credibilidade das finanças portuguesas. Se ainda tinham alguma, este foi o golpe final assinado por Carlos Costa.

    1. Parece-me que está a fazer confusão com a nacionalização do BPN, onde nos três anos seguintes lá aconteceram muitas coisas parecidas com as que descreve. Além disso a cobertura para os depósitos até 100 mil euros só entra em vigor em 2016. Não sabia?

      1. http://europa.eu/rapid/press-release_MEMO-14-294_pt.htm
        Os depósitos bancários, em todos os Estados-Membros, continuarão a ser garantidos até 100 000 EUR por depositante e por banco, mesmo que um banco entre em falência.
        A única novidade em 2016 é chamar os bancos para pagar esse fundo, não sabia?

        Explique lá a sua confusão no que escrevi… já que dizer que “isto não é o BPN”, é como eu dizer que você não é o Ricardo Salgado.
        Não traz novidade nenhuma.

        1. tem toda a razão, sobre a garantia dos depósitos até 100 000 euros, conforme informa o BdP:
          http://clientebancario.bportugal.pt/pt-PT/DireitosdosClientes/GarantiadeDepositos/Paginas/default.aspx

          Garantia de depósitos
          O cliente bancário tem garantido o reembolso do(s) depósito(s) que efetuou numa dada instituição até ao montante de 100.000 euros. Este valor é, assim, definido por instituição e por depositante

          http://www.fgd.pt/pt-PT/Paginas/inicio.aspx

          e mais:
          http://expresso.sapo.pt/depositos-acima-de-100-mil-euros-poderao-pagar-resgates-bancarios=f816685

          http://expresso.sapo.pt/grandes-depositos-no-resgate-de-bancos-so-como-ultimo-recurso=f80691

          http://www.fgd.pt/pt-PT/Paginas/inicio.aspx

        2. A garantia existe. Não existe é dinheiro para a pagar. De onde é que sai o dinheiro?
          Eu não sou o Ricardo Salgado, e você não é o Sócrates, mas parece…

          1. Afinal o BCE dá garantia de pagamento, mas não dá dinheiro?
            Homem, invente outra…

          2. O BCE dá garantia de pagamento a partir de 2016, não estou a inventar nada.

          3. Meu caro,
            de um lado tem links oficiais, do outro lado você tem “nada”.

            Portanto, ou cita um documento oficial, para repor os seus fundos de verdade, ou o seu discurso entra em falência técnica.

            Além disso, uma auditoria ao seu discurso indicia oscilações contraditórias:
            14:45 – Cobertura só em 2016.
            16:32 – Garantia existe, mas não há dinheiro.
            22:10 – Garantia não existe já, só em 2016.

            Portanto, em vez de fazer como Ricardo Salgado, e continuar no engano de contas, reveja os fundos de onde tirou essa especulação.

    2. O Maia está equivocado. O que se está a passar no BES é uma intervenção clássica, neste momento prevista na nossa lei. E a solução encontrada tem tudo para dar certo e não é nada experimental, como alguns nos querem fazer crer. Coisa parecida aconteceu há muitos anos em Espanha, com o Banesto, então liderado pelo Mário Conde.
      Co-responsabilizar todos os Bancos pelo êxito da intervenção, emprestando o Estado, a juros altos, ao Fundo de Resolução e cabendo a este – o mesmo é dizer a todo o sistema financeiro a operar em Portugal -, a liquidação do empréstimo, é uma boa saída, acredite.
      E assim sendo, todos os bancos têm interesse em ressarcir o Estado o mais breve possível, até para se livrarem de juros a taxa tão elevada. E todos ganham com a reposição da confiança no sistema, hoje tão abalada.
      Disse acima que a solução adoptada no caso Banesto foi parecida, mas a verdade é que o Mário Conde foi parar à cadeia. A ver vamos o que acontece por cá.
      Claro que alguns investidores, sobretudo aqueles que andam sempre à procura de juros a taxas elevadíssimas, vão sentir-se lesados e tudo vão fazer para mamar nas tetas do Estado. Esperemos que não tenham grande sucesso.

      1. Ainda bem que o Tiro ao Alvo acha que é clássica, porque o PSD através daquele Marco Paulo, digo Marco Costa, veio dizer que era inovadora.

        Entendam-se na narrativa, ok?

        Co-responsabilizar bancos?
        Deixa-me rir… chama-se a isto intervenção estatal directa no sistema bancário, bem ao estilo ditadura-estatal, obrigando todos a apagar um fogo que não lhes dizia respeito.

        Ninguém está preocupado com a saúde do Novo Banco, oferecido ao Vitor Bento para brincar… esse agora já não tem problemas, e serve só para despiste.

        O problema como é óbvio está na falcatrua de dividir o banco em dois.
        Qualquer tribunal, se não estiver viciado, dará razão aos accionistas e credores… e o pagamento disso não será deste governo, será remetido aos próximos, e será muito maior, e será pago pelos contribuintes… como sempre!

        1. As nossas posições estão demasiado afastadas. Vamos esperar para ver. Depois falamos. E amigos como dantes.

  2. Helena Garrido é estrangeira?

    Se não for… não é de acreditar no que ela diz!

    Não é verdade MLeitão?

    1. E vão ser, Helena! Já leu sobre isto algum comunicado do Credit Agricole? Da família? Vai ver como o banco bom vai ter compradores interessados. Limpinho!

  3. A Helena Garrido é uma Jornalista muito sensata, e que procura sempre olhar para a floresta em vez de procurar apenas a árvore.
    As alternativas são exactamente as que ela descreve, mas como já escrevi noutros comentários, a comparação entre o que fez o governo Sócrates com o BPN, e o que fez este governo com o BES está a deixar muita gente desconfortável. Porque mais cedo ou mais tarde, as pessoas hão-de começar a perguntar porque é que os socialistas agiram como agiram pondo os contribuintes a pagar a factura do BPN, deixando os accionistas ficar com o património, e os neoliberais da direita puseram os accionistas do BES a pagar os desmandos da administração liderada pela Familia Espirito Santo.

    1. E o senhor Silveira é um verdadeiro «apparatchic» do PSD.
      Para si está sempre tudo bem.
      Lembra-me uma frase de um famoso político português: «Está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira».

      1. M.S., que não me conhece de lado nenhum, insiste em dizer que eu sou um “apparatchic” do PSD. Está enganado. Já fui militante do PSD mas há dois anos desfiliei-me do partido.
        Penso pela minha cabeça e escrevo aqui, enquanto os donos do blog o permitirem, a minha opinião e assino por baixo, não uso duas letras que podem querer dizer Mário Soares, Maria Sócrates, ou outra coisa qualquer.

        1. Senhor Silveira:
          O seu triste mundo é a preto e branco, um tédio.
          O que não for laranja é forçosamente rosa, uma versão aligeirada do seu mundo a 2 cores, ainda assim dualista, maniqueísta.
          Se for apenas uma questão de sectarismo e de fanatismo ideológcos, é mau mas, enfim.
          Mas se for falta de neurónios para compreender a complexidade da realidade e das pessoas, e das suas opções, é bem mais preocupante.
          Sabe que por vezes os mais firmes em relação a certos figurões da nossa cena política não são os que mais berram puiblicamente contra eles.
          Mas admito que isto seja demasiado complexo para si, que não consiga atingir.
          Para M. S. porque não pôs as hipóteses de Mário Simões ou Miguel Santos?
          Sabem quem são, até talvez os conheça: 2 deputados do seu partido do coração.

          1. Você não tem mais nada para fazer do que vir aqui fazer considerações sobre pessoas que não conhece de lado nenhum? vá-se tratar homem, e deixe de se portar como um catraio na idade do armário.

          2. Senhor Silveira:
            Outra característica dos «apparatchic» é o ataque «ad hominem».
            Quando não conseguem argumentar contra a mensagem atacam o mensageiro.
            Por que razão eu, por não concordar com as suas patacoadas toscas, tenho de ser amigo do Mário Soares ou do José Sócrates?
            (Veja que em relação a este, como não tem M no nome, o senhor inventou Maria Sócrates. Fez-me lembrar aqueles versejadores de meia-tigela que se julgam «poetas», os quais, para que os seus pobres versos rimem, põem as palavras mais improváveis).
            E depois eu é que me devo ir tratar: veja as figuras ridículas que faz nas redes sociais, caia em si, defendendo quase sempre o indefensável.

          3. Duas notas mais que me esqueceram no comentário anterior:
            1.ª – penso que nos conhecemos ambos do mesmo sítio para que o senhor me chame Mário Soares ou Maria Sócrates;
            2.ª – vê-se mais depressa um mosquito nos olhos dos outros do que um elefante nos nossos próprios olhos.

  4. Chegara-se a um ponto onde nenhuma saída seria totalmente justa, penso que se optou pela que talvez seja menos injusta… haverá pequenos acionistas e possuidores de outros títulos que serão prejudicados, só que isto é assumido à partida como sendo de riscos maiores que ser depositante ou pequeno credor para investimento, as outras alternativas parece evidente que iriam prejudicar toda a gente com benefício principal para os maiores especuladores.
    Do mal, o menor… espero apenas que a coisa não dê para o torto.

  5. Ainda bem que os jornalistas dos jornais cor de salmão estão tão confiantes, esses mesmos que defendiam que bastava a troca do Salgado pelo Morais Pires e que o BES era sólido e que entrar na recapitalização de há mês e meio atrás era um excelente negócio…

    Se por acaso, mero acaso, não se conseguir vender o Novo Banco Bom pelo menos acima de 5 mil milhões, quero ver a tal protecção dos contribuintes… falamos por altura do Natal.

    ps: se este mecanismo do fundo bancário só foi criado em 2012, falências antes desta data não podiam usufruir do mesmo, penso eu de que.

  6. Perder uns minutos a ler o texto e os comentários, foi a melhor reflexão sobre o caso que poderia fazer, exactamente pela divergência de opiniões.
    Se é certo que não conseguiria escrever uma tese de mestrado sobre as nuances dos Salgados, BES e holdings, foi verdadeiramente enriquecedor. 🙂

  7. Lendo isto até parece simples: pega-se no lixo, deita-se fora. Pega-se nas coisas boas e colocam-se noutra caixa. Pronto, terminado, já está resolvido. Nem sei como não se pensou nisso antes. Um banco mau e outro bom. Feito.

    Mas, já agora… e que acontece ao banco mau? É assim como com o lixo que depois vem o camião da câmara e tem que tratar dele?


    1. … é isso, desse lixo ninguém quer falar… será porque cheira muito mal?
      Fala-se apenas dos problemas do financiamento do banco bom, mais uma vez para brincar ao “faz de conta”. Faz de conta que o banco mau desapareceu, e o pessoal agora engole o buraco colossal que fica para os próximos governos.

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