«A entrevista de Pedro Passos Coelho à SIC foi a imagem de um regime que deixou de sonhar. Vive confinado a um desígnio económico e financeiro: debelar a dívida. Tudo o mais não existe no pensamento político do primeiro-ministro. Nem sequer tem sonhos para partilhar. E, não os havendo, que sentido político e social há para tamanho sacrifício? A mensagem de Passos Coelho foi uma pobreza total: de sonhos, mas sobretudo de ideias. O País pode estar melhor mas vive uma enorme insolvência de ideais, de ética, de moral e de cultura. E nisso Passos não está sozinho. Basta escutar a oposição.»
Fernando Sobral, no Jornal de Negócios

Gostei, Pedro… gostei muito 🙂
Obrigada.
Um abraço.
O Fernando Sobral exprime hoje por escrito, de forma exemplar, o que eu pensei enquanto estava a ver esta entrevista.
(e eu gostei muito da sua visita, Ana Paula)
Obrigada pela autenticidade das boas palavras, Pedro…
… o tempo escasseia mas… volto sempre, mais ou menos rapidamente… porque, no meio deste “quase deserto”, vale mesmo a pena 🙂
Um abraço.
Se por oposição se entender apenas o PS, estamos de acordo.
Pedro,
não sei bem se a linha de meu raciocínio será bem aceite. No entanto arrisco uma vez mais afirmar o que tenho procurado defender:
creio que o problema reside no facto de ninguém se concentrar o suficiente na problemática da dívida. E esta questão passa por entender que a dívida, que jamais será paga nos moldes em que se encontra, ser uma fonte de receita eterna para os credores. E esta eterna fonte de receita perpetua-se através do pagamento de juros sem abatimento da mesma.
A actual dívida para ser paga necessita de uma economia robusta. A pouca economia que tinhamos tem vindo a ser destruída fruto das políticas ditas para o pagamento da mesma. E Portugal necessita gerar riqueza interna, quer na indústria quer no comércio quer na agricultura quer nas pescas, para poder aceder também à tão almejada quota de exportações. Ora isto só será possível num prazo de pelo menos duas décadas.
E a ser possível, mais do que nunca importa renegociar esta dívida, tenha parte dela perdão ou não. Mas a renegociação é imperativa.
E sem dúvida que esta questão deve ser vista com coragem e inteligência, coragem e inteligência esta que tem faltado a todos os partidos do dito arco governativo. E refiro-me a estes porque que são estes que decidirão esta ou qualuqer outra política.
Desejo-lhe uma Páscoa Feliz.
Quando a casa estiver arrumada, logo haverá tempo para os sonhos.
Tenho de ir comprar o Negócios…
É engraçado (se esse é o termo) porque estou a ler um livro-colectânea de artigos do Michael Sandel e muitos deles versam sobre o mesmo, mas aplicado aos Estados Unidos. Sendo Sandel um democrata moderado, escreve que o Partido Democrata (pré-Clinton) tinha perdido a linguagem da moral e deixou-se aprisionar pela económica e que o único Presidente em tempos recentes que tinha dito algo para lá da economia tinha sido Reagan. Depois prossegue que Clinton ganhou a Bob Dole sem grande esforço e sem grande programa unificador porque se limitou a dar aos eleitores uma visão (ou pequenas visões, para ser mais correcto) do futuro da Americana, com o reavivar dos valores comunitários, enquanto Dole se limitou a discutir economia, economia, economia.
Cá em Portugal estamos na mesma. Fala-se do défice, das pensões, dos salários mas pouco do futuro e de uma visão para o País. Os debates são dominados pelas questões económicas e o que os mercados acham ou deixam de achar e não se discute a Alta Política. Sinceramente parece-me que a maior culpa disto tudo é de formação dos dois actuais líderes partidários do PSD e do PS: são pessoas que nasceram e cresceram nos Partidos e nunca fizeram nada que não na dependência destes. A noção que têm da realidade é nula e fina-se nas percentagens das estatísticas (sejam económicas, eleitorais ou outras).
Vive confinado a um desígnio económico e financeiro: debelar a dívida.
Dívida contraída em incompetência dos vários partidos que foram poder. Qual a solução? Ter sonhos ou pagar o que e deve? Não existem escolhas óbvias, mas também não podem ser simultâneas. Gostava de saber qual a solução do Fernnado Sobral, pois só criticar é fácil e demagógico.
O que não é óbvio mas devia ser está expresso na resposta do comentador Vento. Só há pagamento se houver sonho. Ou seja, só com uma economia em crescimento acontecem duas coisas fulcrais: é gerada a riqueza necessária a pagar, é gerada a confiança nos investidores, e por extensão nos famigerados credores.
Texto assustador.
Um texto a pedir populismo do César, que este lhe dê um sonho.
Um socialista portanto a chorar que precisa de um pai espiritual.
É aqui neste texto de Fernando Sobral que se une a esquerda da vanguarda com a extrema direita nacionalista.
A pátria deve ter um desígnio e o Passos não falou, ou inventou esse desígnio.
É por as pessoas como Fernando Sobral pedirem desígnios pátrios que em alguns sítios aparecem caudilhos, e no limite Mussolinis, Hitlers ou as vanguardas proletárias Estalinistas ou Trotskystas que só deixam existir um único sonho. Tudo o resto é um deserto.