Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Os europeus vivem uma viragem de época: por outras palavras, já não podem viver como dantes. A Europa tem no estado social um dos pilares da sua identidade e do consenso social. “O Estado social não tem preço”, diz-se. Mas o contrato intergeracional está ameaçado de ruptura. A resistência à reforma é a mais rápida via para o colapso. E, mesmo reduzido e racionalizado, o sistema não será sustentável sem crescimento. E não haverá crescimento sem outras reformas, cmo a do mercado de trabalho — já efectiva nos países do Norte, mas ainda tabu nos países do Sul. O mito do “trabalho fixo para toda a vida” é uma fábrica de desemprego e um meio de segregar os jovens.»

Jorge Almeida Fernandes, Público

18 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Há expressões que são significativas de um modo de pensar fechado:

    “Os europeus vivem uma viragem de época: por outras palavras, já não podem viver como dantes.”

    Os Europeus hoje vivem muito melhor que há 20 anos. Os Portugueses são mais ricos hoje – e só estou a falar de dinheiro – que há 20 anos atrás.
    Se a Europa estagnar quer dizer que continuarão a viver melhor que há 20 anos.

    “o sistema não será sustentável sem crescimento.”

    Porquê? Se não gastar mais como é que é insustentável?
    Uma sociedade que não é sustentável sem crescimento do PIB é o retrato de uma sociedade populista, neo-republica de bananas.

  2. Lá está, outra vez 🙁
    Recentemente estive em Hamburgo, por lá, gente como eu, ou seja: do meu extracto social; disseram-me, por exemplo que o estado assegurava saúde dentaria a todos, para isso bastava comparecer numa consulta de dentista uma vez por ano. Caso faltassem a essa consulta perdiam imediatamente esse direito. Se isto não é estado social…
    Sim são precisas reformas, sim é realmente preciso acabar com essa mentalidade do “vai para a tropa, arranja emprego no estado, casa e tens vida feita”.
    Mas para fazer isso também é preciso reformar a constituição, a lei eleitoral – para acabar com a casa de negócios dando lugar à casa da democracia; acabar com a conversa do paga a divida, divida que acima de todos é dos bancos que nunca são devidamente auditados, pois resultado ou então pagamos todos as sucessivas capitalisações sem saber exactamente por que tem de ser o povo a pagar os maus negócios de empresas privadas. Acabar com os monopólios comerciais instalados e já agora com tudo o que são PPP´s, pois essas servem para branqueamento de capitais públicos em beneficio de privados, e, etc. Já no contexto europeu surge a grande reforma: Acabar com a soberania dos Estados membros.

  3. Acho um bocado chato que se fale constantemente no “estado social” como se por essas palavras se pudesse entender uma coisa totalmente delimitada e sem cambiantes, assim como H2O é água pura e pronto, não se fala mais nisso.

  4. ” E não haverá crescimento sem outras reformas, como a do mercado de trabalho –” Plenamente de acordo, pois se há algo que falta nesta velha Europa é trabalho, porque os grandes grupos económicos deslocalizam as suas empresas para países de mão de obra barata. Aí, explora-se o homem, sem dó pelo sofrimento alheio e enquanto se exploram esses, outros vêm-se no meio duma crise sem termo à vista. Algo se poderia fazer, só não se faz porque interesses maiores se levantam. Se não há trabalho, todas as empresas deslocalizadas fora da UE teriam de regressar ao país de origem, caso não voltassem, ser-lhes-ia aplicado um elevado imposto que lhes retiraria todo o lucro adquirido fora do país de origem. Nesta situação teriam de voltar. Quanto ao estado social, falando este verão com suecos, soube que a nível de saúde, todas as despesas além de 100€, nenhum sueco paga rigorosamente nada. No tocante a diferenças de vencimentos entre eles e nós é assustadora e o custo de vida pouco ou nada difere do nosso. Perguntaram-me como é possível vivermos com salários e reformas tão baixas. Respondi-lhes: não se vive, sobrevive-se

    1. “soube que a nível de saúde, todas as despesas além de 100€, nenhum sueco paga rigorosamente nada”. Para começar, na Suécia a moeda é o euro?

      1. Claro que é o euro. Até aos 100€, qualquer despesa que tenham, processa-se exactamente como cá, tudo que for além dos 100€, seja em medicamentos, internamentos, exames…………. não pagam rigorosamente nada. Agora é assim antes nem até aos 100€ pagavam. É a realidade……. O mais triste é que se perguntar quanto custa lá um apartamento os preços não diferem muito dos nossos. Lá as coisas funcionam, há regras e a corrupção é diminuta…….

        1. A moeda sueca não é o euro, é a coroa. Os suecos não quiseram aderir ao euro; e estão até bastante arrependidos de ter aderido à UE.

    2. Aqui, sempre que surge um comentário menos extremista é imediatamente atacado por necrófagos. Um perfeito indicador do tamanho da coisinha que são.
      Srª Teresa
      Eu não sou especialista em coisa nenhuma e confesso que até tenho um certo receio de especialistas. E eles também deviam ter.
      Em economia não preciso fazer o maior grau académico para perceber que com ou sem valor material temos de saber negociar para manter um défice mínimo de zero, e mesmo a zero esse resultado traduz-se em perca de tempo, que é o mesmo que dizer: não evoluímos. Concorda?
      Crendo que sim, questiono a opinião de cada um sobre o que se fez com o dinheiro que a Europa fabricou. – Eu penso que os estados que tiveram disciplina e rigor, aplicaram-no bem e os restantes, dos quais fazemos parte, ou roubaram ou foram “uns tontos” e deixaram-se roubar.
      Gosto da sua ideia de um imposto, mas para que tal fosse possível todo o Ocidente teria de cessar a hipoteca que tem com a China, país que faz imitações de tudo o que é desenvolvido no ocidente para depois, com liberdade que tem, vender todas essas falsificações a preços de “meia tuta ” A preços muito baixos porque simplesmente não investem em investigação e desenvolvimento e exploram o seu povo. Têm liberdade de comercio por todo o ocidente que usam-na para captar riqueza que por sua vez vai servir para comprar a divida e as melhores empresas desses mesmos países. Por outro lado temos a Índia, país que explora a miséria. O curioso é que é controlado pelos ingleses, membros da Europa que nunca quiseram aderir ao €. Fica fácil perceber porquê.
      Depois temos ainda dentro da própria Europa, a Alemanha, que se alimenta e até engorda á custa dos mercados europeus.
      Par concluir. Portugal é um país pequeno, não podemos competir pelo preço mais baixo, mesmo que escravizássemos 5 ou 6 milhões de tugas nunca conseguiríamos preço para fazer face a países que para além de explorarem a sua população também possuem recursos naturais. Acho que o nosso caminho passa por explorar-mos a qualidade e não a quantidade, mas para que isso seja possível teríamos de ter a capacidade para fixar e desenvolver o conhecimento, o que não esta acontecendo, pois não tarda muito e somos um país cheio de especialistas que não sabem fazer nada de nada. Os bons e os ousados emigram, outros encostam-se a empregos do estado e outros vão servir ao balcão de um bar ou de um supermercado qualquer. Assim não vamos lá, assim estamos a andar para traz.

      1. Estamos em plena sintonia. Também está na hora da UE, exigir que todos os produtos que entram, têm de ter as regras que somos obrigados a cumprir, seja de fabricação ou de comercialização, caso contrário isto é uma brincadeira de muito mau gosto.

  5. Depois de uma simplificação enorme dos despedimentos que se operou em Portugal chegámos a 20% de desemprego.
    Mas há sempre iluminados que dizem que se for possível despedir toda a gente de um dia para o outro, então não havia desemprego.
    É mais difícil despedir no Norte da Europa do que em Portugal.

    Será que o nosso objetivo é ficarmos com uma sociedade semelhante à Bangladesh, ou Angola?
    Olhe que lá as leis laborais são pouco rígidas e não há estado social.

    1. Não houve simplificação nenhuma. Continua a ser muito complicado despedir alguém (fora despedimentos colectivos). O aumento do desemprego tem tão e somente a ver com a diminuição do número total de empregos disponíveis devido à falência de muitas empresas. E, qualquer empresa – falando pela minha – pensa 1, 2, 3 vezes antes de contratar porque não se quer ver na situação de contratar alguém e depois ficar “amarrado” a essa pessoa mesmo que ela não sirva.

      Ninguém gosta de despedir. Pessoalmente é um peso enorme na consciência e é um custo para a empresa (entre despedimento e eventual nova contratação). Mas o risco de não se poder despedir (se não servir, se as coisas piorarem) é pior e então não se contrata. Aguenta-se com o pessoal que se tem, pagam-se horas extras ou recorrem-se a outros expedientes. Porque se eu contrato alguém a pagar 1000 € brutos por mês, esse alguém custa à empresa cerca de 20.000 €/ano (entre TSU, 14 meses de salário e subsídios de alimentação). E isso pode ser a diferença entre (algum) lucro e prejuízo. E se for prejuízo e não o poder despedir não é um trabalhador que perde o trabalho – acabarão por ser mais.

      1. Senhor Carlos Duarte,

        verifiquei em seu comentário a ideia, ou razão, que subjaz em grande part dos empresários portugueses:

        1 – O trabalhador é um custo e não um activo para o desenvolvimento da empresa;

        2 – Na questão do (não) despedimento subjaz somente que a ideia em causa é financeira e não a eficiência do trabalhador. Logo, depreendo que os trabalhadores até dão jeito, mas se puderem ir para a rua de mãos a abanar tanto melhor;

        3 – A ideia de afectividade e/ou emocionalidade que diz fazer despertar na consciência do empregador é contraditória relativamente aos argumentos que expõe.

        1. Caro De Vento,

          Peço desculpa por contrariar o que imagino sejam confabulações ideológicas, mas os seus pontos são completamente ao lado:

          1- O trabalhador é um custo mas é igualmente um elemento activo no desenvolvimento da empresa (ou deve-o ser). Da mesma maneira que ninguém despede “por desporto” também não o faz pelo mesmo motivo.

          2- O despedimento de um (ou vários) trabalhadores pode ter por base motivos diversos. No nosso ordenamento jurídico actual, no entanto, o único motivo válido ou permitido é o financeiro. Alguém que seja incapaz de desempenhar a sua função e tenha um contrato a termo não pode ou podia ser despedido. Só o pode caso o seu posto de trabalho desapareça ou a empresa necessite de reduzir pessoal por razões de força maior (financeiras).

          3- Não, não é. Admito que o Senhor nunca tenha sido responsável por trabalhadores. Ora eu sou. E, com toda a sinceridade, não quero ter de chegar a uma situação de ter de despedir (ou mesmo não renovar contratos) de alguém. Mas é a minha obrigação para com TODOS os trabalhadores garantir a viabilidade da minha empresa. Se isso alguma vez envolver ter de dispensar alguns, vou passar dias infernais mas terei de o fazer. E, acredite, não há mês que passe, recebimento que se atrase que não passe por isso. Ser “patrão” é muito bonito na teoria, mas é uma responsabilidade enorme sobre os ombros. Já fui “empregado” e asseguro-lhe que é mais fácil e muito mais libertador.

          Não concordo com algumas (ou mesmo muitas) políticas de empregabilidade das nossas empresas (e quanto maior a empresa, pior é, porque existe um distanciamento efectivo entre quem decide e quem arca com as decisões), mas são as empresas que garantem o sustento das famílias. E, para quem acha que os “patrões” são exploradores ou sanguessugas, têm uma solução muito fácil: criem uma empresa, empreguem pessoas e paguem-lhes o que acham que lhes é devido. Terão o meu aplauso. Até lá, falar é muito bonito mas, e usando um pouco de inglês, “you need to put your money where your mouth is”.

          1. Caro Carlos Duarte,

            Uma vez que aplicou o termo “imagino”, devo dizer-lhe que acertou. É mesmo imaginação sua essa sobre as confabulações ideológicas.

            1 – Se me disser que a contratação de um trabalhador constitui um encargo para a empresa, devo dizer-lhe que qualquer contrato estabelece isso mesmo (encargos são direitos e deveres das partes). Assim sendo, e é, falamos de activos;

            2 – O despedimento de um trabalhador nunca foi e não é um problema legal. Pelo que o único problema que subsiste é somente financeiro. E sendo, o despedimento só custa dinheiro, nada mais que isto. Se o problema para o despedimento for de natureza financeira (refiro-me à situação previsível da empresa), o despedimento, ainda que com indemnização, constitui sempre uma forma de minimizar tal situação. Se for de outra natureza, por extinção efectiva do posto, continuamos na mesma linha. Se o trabalhador for mau, e isto constituir desestabilização para o ambiente geral, o despedimento continuará a ser uma forma de rentabilizar a produtividade e não vejo obstáculos para que não ocorra. Prendedo-nos a questões financeiras revelamos que o problema do contágio do mal-estar não é assim tão importante, ou grave (tive isto mesmo em consideração quando fiz o meu primeiro comentário) ;

            3 – Bem ,parece-me que ambos vivemos as mesmas experiências, e outras acrescidas. Pelo que não vale a pena entrar por aí;

            4 – As empresas não garantem o sustento das famílias, são os empregadores e empregados, conjuntamente, que se constituem como garante de suas famílias. O Carlos Duarte tem uma visão paternalista do empregador. Eu penso que ambos, empregadores e empregados, são o motor de qualquer empresa, e ambos são responsáveis pela mesma. Repare que com esta afirmação eu não retiro mérito ao empregadores, somente acrescento o mérito a quem pouco é atribuído: os empregados. Parece-me que não estamos em desacordo; pois não?

            Por último, no contexto, mantenho as afirmações do meu primeiro comentário.

  6. Pedro,

    esta reflexão que aqui postou despertou em mim a seguinte reacção: outra vez os reformistas da treta!!! Pooooorraaaaaa!!
    Vamos lá traduzir esta reacção:
    Os reformistas da treta devem ser filhos e netos dos reformadores da treta que se escutavam desde os idos anos 80 do século passado, onde se dizia que não podia haver trabalho fixo para a vida, para os outros que não eles. O tecido empresarial português, que em regra é o mesmo em mentalidade, aplaudia de pé esta linguagem. Mas todos nós sabemos que esse tecido empresarial era e é um tecido falido, sem ideias de futuro, de como empreender e incapaz de aceitar que o empreendedorismo não se confina a quem possui uma empresa mas a todos que nelas trabalham.
    Acontece que esses ditos emprendedores do tempo da carcaça arrastadora faliram; e outros, por vaga no mercado, quase sempre empregados desses outros, ocuparam o campo vazio, mas absorveram o mesmo vazio de ideias.
    Paralelamente tinhamos e temos aqueles outros “empreendedores” que, por terem dinheiro, são capaz de empreender desde que as empresas estejam constituidas, capitalizadas e com mercados garantidos e espartilhados. Sim, refiro-me às empresas públicas que passaram para as mãos de privados e aos negócios públicos que são privados com garantias de pagamentos públicos. E também os ditos negócios cujas perdas são públicas (socializadas) mas quando lucrativos estes permanecem sempre privados.
    É este tipo de estado social que eu não vejo ninguém com tomates assumir frontalmente. Um estado social que, também em Portugal e particularmente em Portugal, tem enxugado os recursos nacionais para que haja um perfeito desenvolvimento integrador de toda uma sociedade.
    Vai daí, confundindo-se “estado social” sem equacionar esta promíscua relação de transferir verbas e patrimónios estatais (de todos) para as mãos de privados, que depois muitos dos que legislam nesse sentido são recompensados em cargos de gestão, PARA A VIDA, por esta vertente caritativa de um estado social direccionado para os interesses de alguns, e no sentido de fazer permanecer este status quo, fazem um ataque sem rédeas na boca e sem ferraduras nos cascos usando órgãos ditos de informação que não passam de instrumentos de comunicação de uma ideia subvertida, perversa e falsa sobre o que é emprego Para a Vida.

    Por outro lado, todos quantos têm vivido e desenvolvido uma diversidade de sólidas experiências nos mais diversos sctores de mercado encontram juntos destes mesmos, os que apregoam a não existência de um emprego para a Vida, as maiores resistências para os aceitar ao serviço dessas organizações. Isto acontece porque eles, na realidade, pretendem que não haja emprego para a Vida, para aqueles que não dão a Vida ao serviço de uma subserviência que limite a acapacidade de progredir destes últimos que mais ambicionam.
    Eles querem empregados para a Vida, mas com as características de servis por toda uma vida. Por isto mesmo a retórica que se continua a usar não passa de uma falsa propaganda no sentido de continuar a manter um estado social ao serviço de poucos que só sabem empreender sobre o que está feito e que lhes é dado, sempre e sempre tentando retirar de outros que são apelidados de beneficiários de algo de que verdadeiramente não beneficiam, por lhes custar um alto preço.
    O que hoje temos ao nível desse “estado social” que pretendem usar como propaganda pagamos por um alto preço, mais o que se continua a pagar por um preço não estimável daquilo a que não se dá o nome de estado social efectivo.
    É caso para concluir: deixemo-nos de merdices!!!

    1. É isso, há muita falta de honestidade nestas reformas, o que desde logo inquina todo o processo. Mesmo colocando a hipótese de este ser realmente o caminho certo, perde-se toda a credibilidade, pois como diz, e bem, na pratica o estado social continua para os “grandes” e paga-se a merda que fazem retirando as salvaguardas que protegem os “pequenos”. É o mesmo que dizer que são uns “grandes” filhos da puta.

    2. Pedro,

      permita que adicione agora um link, com uma reflexão da SEDES, com uma outra ideia subjacente a este comentário:

      http://expresso.sapo.pt/ideia-de-que-o-estado-esta-falido-e-que-tudo-e-aceitavel-e-um-erro-grave-sedes=f838048

      Acrescento mais, é importante comprender que a necessidade de despedimentos por razões óbvias não pode servir de pretexto para introduzir “razões” cegas. O momento que vivemos é particularmente delicado para que se faça propagar a ideia de que um trabalhador, qualquer que ele seja, possa ser comparado a um preservativo que depois de usado tem de ser deitado fora. Lidamos com pessoas e não máquinas e/ou instrumentos. Ser social é exactamente basear a conduta individual, colectiva e institucional segundo o princípio de que todos somos pontos de equilíbrio numa causa comum. A ideia dos dispensáveis, daqueles de quem se diz que possuem trabalho fixo para a vida, para criar outros para o lugar desses parece usar a lógica de que o trabalho fixo para a vida é para manter, desde que se substituam os agentes.
      Uma sociedade não o é quando começa a pensar que uma geração tem supremacia ou primazia sobre a outra, porque o mesmo é dizer que alguém se coloca no lugar de decidir quem deve viver e morrer. O eugenismo social (etário) começa a ser propagado um pouco por todo o mundo, e isto começa a ser muito grave.

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