Reflexão do dia


Pedro Correia,

«A análise sobre vencedores e vencidos nesta golpada política é irrelevante neste momento. É secundário perceber se Passos Coelho fica em Lisboa ou se Portas vai para a Sibéria. O mais importante é Portugal, o seu financiamento, a sua recuperação económica, o investimento, a criação de empregos, o contrato de verdade e consequência entre governantes e governados. Tudo isso está hoje muito mais longe do que estava. O Estado Português está financiado até 2014, pelo que a subida dos juros destes dias tem tempo para voltar a descer. Mas os mercados perceberam agora o embuste que era a estabilidade política em Portugal, e não esquecem este abalo, mesmo que não haja eleições. Mais: as empresas precisam de financiamento e de estabilidade para investir, e tudo isso está comprometido, arrastando definitivamente a possibilidade de recuperação da economia. Esse dano já é irreparável, está feito.

Esse e o da credibilidade das políticas seguidas. A carta de saída de Vítor Gaspar revela uma estranha mistura de vaidade na abnegação que deixou um veneno sobre as possibilidades de sucesso da política em curso, que ele desacreditou. Foi como o Papa dizer que não crê em Deus.»

Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios

6 comentários em “Reflexão do dia”

  1. ” A analise sobre vencidos e vencedores….”

    Com a devida vénia, permita-me discordar…

    Duma vez por todas temos que “chamar os bois pelos nomes”, punir severamente os culpados os golpistas os oportunistas os corruptos… apontá-los a dedo encarcerá-los… Só assim, asseguraremos futuros Politicos sérios e capazes.
    Caso contrário isto nunca mais terá concerto.

    Desculpe-me a franqueza e os erros gramaticais.

    1. Bem dito pero no ai cojones , no pasa nada !

      Cambada de incompetentes , irresponsáveis e traidores .

  2. Acho que foi na RTP1 que vi ontem PSG (olha, PSG!) citar, em meu entender muito a propósito, um provérbio alemão que é mais ou menos assim:
    “Melhor um final horroroso que um horror sem fim”.

  3. O que me parece extraordinário é a forma como já todos aceitam como normal que se governe para agradar aos “mercados”. Em última instância é uma clara indicação de que o poder político é submisso ao sistema financeiro.

    E até faz sentido, porque a reacção dos mercados é mais rápida e coerente do que a reacção popular… O que é capaz de não coincidir são os interesses.

    E a propósito de falta de memória: não foi em 2008 que os estados tiveram que se endividar fortemente para salvar o sistema financeiro das suas asneiras? Lembram-se dos discursos de “mea culpa” dos representantes do sistema financeiro? Lembram-se das exigências de mais poder regulatório por parte dos estados?

    Após 5 anos, com os estados fortemente endividados (porque será?) é este mesmo poder financeiro (mais desregulado do que nunca) que vem impor aos estados reestruturações, saneamentos e privatizações.

    Isto com a nossa concordância!

    1. Tem toda a razão !

      Mas sabe , já ninguém quer saber disso , a malta tem a memória muito curta , então os Portugueses curtíssima por isso votarão no PS em 2015 , seja no inseguro ou noutro paspalho qualquer em vez de exigirem mais dos partidos que existem ou que se formem outros.
      A democracia Portuguesa está inquinada , vive de fait divers e os seus actores são o reflexo do povo de onde vêm e foram ensinados isto já para não falar que são uns vendidos ao grande capital que nada produz e que vive de rendas do Estado e quer mais.
      Obviamente tudo irá piorar , apodrecendo até ao ponto da nada se conseguir salvar mas a malta quer é novelas , BBfanhosos , CMs e afins , não pensam sequer a 4 anos quanto mais a 20 ou 30 por isso o panorama irá piorar por acção de muitos e omissão de muitos mais.

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