«Uma pessoa pode deixar-se embalar por uma concepção tão poética quanto irrealista da pretensa unidade ortográfica (ontológica, mítica, sublimada…) da nossa língua; pode mesmo prestar tributo a um certo darwinismo, em que o facto de o Brasil ter 200 milhões de pessoas seria razão bastante para sacrificar a norma seguida por mais de 50 milhões de outros seres humanos… Mas o que ninguém pode é passar em claro que o AO [Acordo Ortográfico] leva ao agravamento da divergência e à desmultiplicação das confusões entre as grafias e faz tábua rasa da própria noção de ortografia, ao admitir o caos das chamadas facultatividades.»
Vasco Graça Moura, no Diário de Notícias

Neste capítulo, Graça Moura tem (como sempre) razão. Um suspeito acordo dito ortográfico que não quer saber «de ortografia, ao admitir o caos das chamadas facultatividades», só pode provocar desacordo.
Só a palavra ‘facultatividade’ já me causa arrepios.