«Em 2005, muitos católicos emprestaram à agonia de João Paulo II um significado que eu não via: sentiam-no Cristo, humano e perplexo pelo abandono a que o Pai o votava. Eu só via, respeitador, um velho admirável que morria. Admito que fico mais tranquilo com a decisão de Bento XVI. Ele entendeu as suas limitações: não posso, saio. Quando isto se passa numa instituição como a Igreja Católica e com a instituição que é o próprio Papa (ele e a circunstância de séculos de outros papas) se calhar era preciso um cerebral e um ideólogo como Bento XVI para tomar decisão tão terra a terra. Percebo a cirurgia com que anunciou: “(…) pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma ficará vacante.” Um intelectual não faz revoluções à marretada, mas de bisturi. Um líder não se agarrar ao exercício do seu poder quando já não tem as condições físicas de o exercer pode ser um pequeno passo para uma pequena empresa, acontecer com um papa é um grande salto para a Humanidade.»
Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias

Já muitos o disseram: custa um bocado a entender que os cardeais que tenham cumprido 80 anos não possam eleger o Papa (nem ser eleitos) mas que este se possa manter em exercício independentemente de considerações etárias.
“Um intelectual não faz revoluções à marretada, mas de bisturi.” Tratando-se de um ‘Papa intelectual’ está tudo dito.