Reflexão do dia


Pedro Correia,

«O Acordo Ortográfico quer impor à força bruta um modelo de grafia sem nenhuma base lógica, linguística, sociológica ou meramente humana que o sustente, uma coisa sem pés nem cabeça que no fundo se pulveriza em vários modelos – e cito apenas dois, porque existem, continuam a existir e até aumentam as diferenças ortográficas entre Portugal e o Brasil (para somente citar estes dois casos). (…) Vejam-se por exemplo os mais de 250 canais de TV que nos entram pela casa adentro todos os dias, e cujas legendagens de filmes e séries-TV chegam a desorientar de tão confusas que ficam. Sendo frases curtas, sem contexto literário, tornam-se por vezes num enigma: se vemos duas personagens a correr e uma diz para a outra: “Para aqui”, ficamos sem saber se lhe está a dizer que se dirija para aqui (movimento), ou que fique parada aqui (ausência de movimento). Com o maior à-vontade a mesma curta frase pode ter dois significados opostos.

Pobre língua portuguesa, esfrangalhada de uma maneira tão boçal como interesseiramente obscura.

Língua que já foi grande na sua ascensão, na pena de Gil Vicente, de Camões, de António Vieira, de Pessoa…

Consentirão os portugueses na sua queda, agora, por obra desta nova “invasão dos bárbaros” que tudo quer nivelar pelo nível mais baixo, menos nobre e mais rasteiro?»

António de Macedo, no Público

Um comentário em “Reflexão do dia”

  1. Era uma vez um país à beira-mar plantado que vivia tempos ensombrados por uma elite dirigente energúmena (e indigente), sem tento na língua. A sua presença está um pouco por todo o lado, ou seja, é omnipresente, havendo gentalha dessa estirpe por tudo o que é sítio: nas autarquias, nos observatórios, nos sindicatos, nas empresas, nas universidades, nos bancos, no parlamento, no governo… Dá-se um pontapé numa pedra da calçada e salta de lá um energúmeno. São tantos que alguns têm de procurar “emprego” no estrangeiro. Na actualidade, esse país é uma autêntica potência mundial exportadora de energúmenos ex-governantes, seja para: a Comissão Europeia, a ONU, o BCE, universidades parisienses… Claro que há uns mais energúmenos que outros. Até parece que concorrem entre si! A sua presença energúmena entra, diária e sistematicamente, pela casa dentro através dos ecrãs das televisões e dos computadores. E não pedem licença. Cambada de energúmenos! O que é interessa é aparecer com as suas vestes luxuosas e energúmenas, claro. Nem Tolkien tinha capacidade para inventar tantos “trolls energúmenos”, pasme-se! Quanto mais Gil Vicente… Mas, para todos os efeitos, estes têm outros atributos: falam, falam, falam… Como dizia o outro: e não fazem nada! Por muito que se esforcem, o resultado é sempre o mesmo: não passam de energúmenos, desgraçados. À conta de tantos energúmenos, o mexilhão é que se lixa!… E a língua também.

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