«A obra de Isabel Jonet fala por si. Mas há uma certa categoria de gente para quem o importante são palavras. Para quem os pobres não são pessoas reais, com qualidades e defeitos, mas categorias politico-filosóficas abstractas. Claro que nenhum daqueles que criticam violentamente Isabel Jonet terá feito um centésimo do que ela fez no combate à pobreza e à fome em concreto. Mas a pessoas assim não interessam obras e actos concretos. Apenas ideias e palavras. E vivem iludidos com palavras a vida toda.»
Henrique Monteiro, no Expresso

O Henrique Monteiro tem toda a razão. Veja-se o que escreveu a Raquel Varela, que se diz historiadora:
“Por isso nunca dei um grão de arroz ao Banco Alimentar contra a Fome. A fome é um flagelo, não pode ser uma arma para promover o retrocesso social que significa passarmos da solidariedade à caridade(zinha)”.
Para esta gente, é fácil entender, o bom é que haja muitos pobres com fome, para ver se a “revolução” acontece. Mas não querem ir viver para a Coreia do Norte. Uns pulhas, parece-me.
Essa gente ressabiada e imprestável vive obviamente longe do mundo dos desamparados e só apoiaria o BA se oferecesse cannabis aos que passam mal.
Essa é tanto historiadora como a Isabel Moreira é constitucionalista, só pode.
Não exageremos: chama-se banco alimentar “contra a fome”, por isso eles próprios sabem que combatem a fome (e bem), mas não a pobreza. E essa diferença, parece-me, resume tudo o que se pode elogiar e tudo o que se pode criticar nestes movimentos.