«Ouvi dizer há dias que há jornalistas com medo. Haverá. Haverá, sobretudo, trabalhadores com medo – medo de perder o emprego. Mas jornalistas com medo é outra coisa que trabalhadores com medo. Um jornalista com medo é um ser amputado, é cabeça sem tronco e membros, não é jornalista inteiro, faltam-lhe letras, é um ornalist. Sim, haverá ornalists. E há jornalistas. Não são heróis, herói é Nelson Mandela, são jornalistas por inteiro. Ninguém está a salvo do medo, o medo pode não ser opção. Mas a covardia é-o sempre.»
Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios

Eu gostava de viver num mundo em que os media não pertencessem a grandes grupos económicos, nem ao Estado.
Gostava que os media fossem exclusivamente projectos jornalísticos, e não de poder, que pertencessem aos seus próprios jornalistas, e/ou ao público.
Isso sim, possibilitaria a verdadeira e total independência dos jornalistas.
Ah!, e claro que gostava que esses media fossem financeiramente viáveis, de preferência sem publicidade, ou pelo menos sem dependerem de dois ou três grandes empresas e/ou do Estado.
Chamem-me lírico ou, como diria o Henrique Monteiro, chamem-me o que quiserem, mas, como diria o bom gigante Torres, deixem-me sonhar…
Parabéns pelo seu texto cheio de verdade e significado.
Pedro Santos Guerreiro confunde. E confunde-se. Nada tem a ver o medo de um jornalista com a sua cobardia. Exemplo de medo: o jornalista divorciado tem três filhos e pensão, casa e carro para pagar. Escreve que o primeiro-ministro é mentiroso. Vai para a lista negrta e ao fim de seis meses já não trabalha no jornal. Exemplo de cobardia: o jornalista foi enviado para a Síria para cobertura dos acontecimentos. Em dado local consta que houve bombardeamentos, mortos e feridos. O jornalista avança… para o hotel.
Conclusão: o Pedro Santos Guerreiro não conhece o “sabor” do desemprego.