
(Salgueiro Maia, imortalizado pelo génio de Alfredo Cunha)
Passa hoje mais um aniversário sobre o golpe militar de 25 de Abril de 1974. Data única da nossa história recente, constitui um marco na restituição da liberdade, da democracia e de direitos básicos de cidadania a todos os portugueses e a outros povos subjugados.
Em relação a Macau, o 25 de Abril também permitiu o seu regresso pacífico à administração chinesa, contribuindo para o estupendo desenvolvimento das últimas quatro décadas e o reforço da cooperação e das relações diplomáticas entre Portugal e a China.
O ano passado, na primeira cerimónia de Dez de Junho a que esteve presente, no Consulado-Geral de Portugal em Macau, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, agradeceu o profundo empenho dos portugueses e macaenses e o seu contributo, “excepcional”, para a multiculturalidade e o desenvolvimento de Macau, e a sua boa cooperação e forte empenho para o combate à pandemia. Outros responsáveis, de Macau e da China, não se cansam de repetir esta lengalenga que a todos sensibiliza em todos os actos oficiais que se prestem a isso.
Todavia, na prática, esse reconhecimento do papel dos portugueses não existe ou é letra morta. Os portugueses vêem a sua língua com um estatuto cada vez mais menorizado nas relações com os tribunais e a administração pública. E mesmo os residentes acabam por ser penalizados por um estatuto de igualdade aparente que diariamente lhes torna a vida mais onerosa.
O caso das limitações de deslocação impostas pela pandemia são disso boa prova. As regras são diferentes para os residentes que vão à China, a Hong Kong ou a Portugal, apesar do número de casos neste último país ser reduzido, o de vacinados ser dos mais elevados a nível mundial e da situação epidémica em algumas regiões chinesas ser muito grave.
Por estes dias, quando as quarentenas foram reduzidas de 21 para 14 dias, os portugueses residentes também ficaram a saber que para o Governo da RAEM é indiferente vir do Bangladesh, da Venezuela, da Tanzânia ou de Portugal. Os residentes que regressem de Portugal, ainda que com três doses de vacinas de boa qualidade, reconhecidas na China e internacionalmente, e com certificados negativos, continuam a ser obrigados a períodos de quarentena que em nada os distingue, nem ao país de onde vêm, daqueles outros que têm um registo de casos diários elevadíssimo, taxas de vacinação sofríveis e milhares de internados em situação grave.
Como se tal não bastasse, ontem foram brindados com a novidade de que passarão a pagar os testes obrigatórios de ácido nucleico que terão de realizar durante a quarentena, e que o número e valor dos testes (oito e MOP2.000,00) será superior aos impostos aos residentes que venham de “zonas de risco do interior da China” (cinco e MOP1.250,00).
Para quem há mais de dois anos tem cumprido religiosamente os pedidos do Governo da RAEM, e que durante todo este período não saiu de Macau, não beneficiando de qualquer quarentena ou de testes gratuitos por motivo de deslocação ao estrangeiro, e se preparava para aproveitar a recente redução da quarentena para 14 dias para finalmente poder visitar os seus familiares e os velhos e doentes, gozar uns dias de férias e ir a médicos no exterior, a suas expensas, este é mais um brinde do Governo da RAEM e uma prova da sua satisfação pelo contributo “excepcional” dos portugueses ao desenvolvimento de Macau.
Não era bastante ter colocado os residentes a viverem numa espécie de colónia penal e não haver hotéis em quantidade, com número suficiente de quartos disponíveis, mesmo que fossem pagos, e com qualidade mínima para se cumprirem as quarentenas. Era fundamental penalizar nesta altura, ainda mais, os residentes portugueses que estavam a pensar sair este Verão, criando-lhes um encargo adicional, embora muitos nunca tivessem usufruído anteriormente de qualquer quarentena à custa da RAEM ou de testes gratuitos durante esse período. Vai tudo a eito. Os que cumprem, os que não quiseram cumprir, os que contribuem mais, os que contribuem menos, e também os que não contribuem para nada.
Aqui está mais uma forma original que o Governo da RAEM encontrou para agradecer o papel dos portugueses residentes em Macau, motivá-los para o futuro, e de se associar à celebração de mais um aniversário do 25 de Abril de 1974.
Palavras leva-as o vento. Nalguns locais mais depressa do que noutros. Todos os dias e a toda a hora.
[via Visto de Macau]

conheci o ‘básico’ em 65 na EPC.
detesto ‘elogio da merda’
o 25 .iv continua a ser um sucesso.
no verão de 75 dizia-me um velho comunista «nesse dia rebentou o cano de esgoto e só veio trampa à superfície»
Os residentes que regressem de Portugal, ainda que com três doses de vacinas de boa qualidade, reconhecidas na China e internacionalmente, e com certificados negativos, continuam a ser obrigados a períodos de quarentena
E muito bem. As vacinas são irrelevantes para as pessoas contraírem e transmitirem o vírus, tal como já múltiplas vezes se observou. Não há qualquer razão para que uma pessoa vacinada, duas ou três ou quatro vezes, não possa contrair e transmitir o vírus.
Se se segue uma estratégia de erradicação total do vírus, que é uma estratégia louca mas é aquela que a China segue, então tem que se a seguir de forma coerente, o que exige quarentenas para toda a gente que venha de fora, mesmo que vacinada.
Coerência não há porque as regras não são iguais nem mesmo entre cidadãos e regiões do mesmo país. O que há discriminação sem qualquer base científica. E há uns mais iguais do que outros.
Sem palavras…
O 25 de Abril foi o promotor da entrada em Portugal do neo-realismo, oculto por décadas ao bom povo português. Resultou daqui que, pela primeira vez após a caída de Salazar, Portugal e os portugueses tiveram a oportunidade de livremente hipotecar sua soberania e serem entregues à miséria que lhes é parte por direito.
Eu contínuo a preferir uma China autocrática, independente e rica a um Portugal miserável que finge pertencer a um mundo de ricos e democratas. Os primeiros terão sempre a oportunidade, como têm feito, de continuar a comprar sua autocracia com a corrupção nos ditos livres; e os segundos continuarão livremente pobres e hipotecados.
Se alguém quiser ser independente, use um autocrata. Com Salazar nem os americanos o subjugaram.
1 – É preciso ter lata!
2 – Este Salgueiro Maia foi aquele a quem o Otelo Saraiva de Carvalho obrigou a disparar a rajada no Carmo (ver entrevista e documentos).
3 – Porque, naquele momento crucial para a vitória militar do «25 Abril 1974», este Salgueiro Maia recusou-se a disparar a referida rajada para as paredes do quartel do Carmo, o que poria em causa toda a operação. Justificando isso, dizendo que (passo a citar Otelo): “os que lá estavam dentro eram seus superiores hierárquicos” (!!!).
4 – Ou seja, um perfeito funcionário público militar, para quem a tal “Revolução de Abril” era «obedecer aos que mandavam no Estado Novo».
5 – Recusou-se a cumprir as ordens de Otelo, tendo sido obrigado a fazê-lo pela ameaça que Otelo lhe fez. Isto é, pôs em causa a operação militar que visava derrubar o Estado Novo, sendo ele a quem tinha sido dada a responsabilidade por cumprir parte desse objetivo.
5 – E vêem agora endeusar este pseudo-herói de pantomina?
6 – Tenham vergonha.
7 – Não venham contar histórias da carochinha. Sejam honestos e verdadeiros. Andam é desesperados, à procura de um «herói» que não conseguem encontrar. Estão frustrados, por não conseguirem convencer ninguém, 48 anos depois, de que o «25 Abril 1974» foi um falhanço.