Um pouco por toda a Terra, a Marcha Contra a Fome começou hoje na Austrália e está a angariar fundos destinados ao Programa Alimentar das Nações Unidas, a fim de minorar as carências dos povos mais pobres do mundo, onde todos os dias se morre por falta de alimentos. No Porto e em Lisboa, seis mil pessoas aderem à iniciativa.
Entre os seis mil portugueses que integram a campanha internacional de solidariedade, a falta mais notória é a de um conhecido adepto das corridas matinais à beira-mar e das maratonas nas travessias do Tejo. A ausência tem explicação: foi a Trancoso com um dos seus doze motoristas receber a medalha de ouro da cidade, atribuída pela autarquia social-democrata por ficar com uma autoestrada à porta.
Não sei se Trancoso fica com uma autoestrada para ver passar alguns carros ao largo, nem sei se teve, tem ou vai deixar de ter centro de saúde, maternidade, postos da PSP e da GNR, estação de correios, tribunal e uma escola com menos de vinte alunos, mas sei reconhecer os sinais dos tempos. Uns correm para recolher fundos pelos que têm fome, outros correm para recolher medalhas por obras que vão empurrando o país para a fome.

Recentralização geoestratégica?
Aposto mais depressa no efeito multicolor de mais uma escola ou centro de saúde fechados, daí a necessidade premente de mais uma autoestrada.
Cada um corre para o que mais lhe convém: um lugar ao sol!
… Neste país cada vez mais ensombrado.
Acurado post, como sempre, meu caríssimo amigo! Grande Abraço.
Obrigado, Joshua. É pena que o tema exista e persista.
Os motoristas andam muito mal distribuídos, é o que é :)))
Tanto motorista para as corridas matinais à beira-mar e as maratonas nas travessias do Tejo, não é? Que coisa.
Na mouche, João. Como sempre.
Infelizmente, é capaz de ser mais ou menos isso.
Muito bem visto, João.
Ainda bem que gostou, Maria Ema.
Se este excelente comentário tivesse sido feito por um deputado, conheço alguém que, com uma folha formato A5 na mão, fingindo ler algumas notas, lhe daria mais ou menos a seguinte resposta:
«Ó senhor deputado, como eu o entendo bem… O senhor deputado só está preocupado com a propaganda eleitoral e não com os reais problemas do país. Então, o senhor deputado não vê que o Primeiro Ministro, com grande sacrifício da sua vida privada e da sua agenda, só foi receber aquela medalha para a vender e distribuir o dinheiro pelos cidadãos mais pobres, desfavorecidos e com fome?»
«Como eu o compreendo bem, Sr. deputado…»
Como eu te entendo…