Se quiseres fazer azul, pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande, que possas levar ao lume do horizonte; depois mexe o azul com um resto de vermelho da madrugada, até que ele se desfaça; despeja tudo num bacio bem limpo, para que nada reste das impurezas da tarde. Por fim, peneira um resto de ouro da areiado meio-dia, até que a cor pegue ao fundo de metal. Se quiseres, para que as cores se não desprendam com o tempo, deita no líquido um caroço de pêssego queimado. Vê-lo-ás desfazer-se, sem deixar sinais de que alguma vez ali o puseste; e nem o negro da cinza deixará um resto de ocre na superfície dourada. Podes, então, levantar a cor até à altura dos olhos, e compará-la com o azul autêntico. Ambas as cores te parecerão semelhantes, sem que possas distinguir entre uma e outra. Assim o fiz – eu, Abraão ben Judá Ibn Haim,iluminador de Loulé – e deixei a receita a quem quiser algum dia, imitar o céu.
Nuno Júdice
2 comentários em “Receita para fazer o azul”
Será que Nuno Júdice se inspirou na revisão da Standard & Poor’s, que passou o rating atribuído à dívida púbica portuguesa de Negativo para Estável, mantendo-lhe no entanto a classificação de… lixo? É que, esta novidade foi suficiente para que muito boa gente passasse a ver arco-iris em tudo quanto é céu…
Será que Nuno Júdice se inspirou na revisão da Standard & Poor’s, que passou o rating atribuído à dívida púbica portuguesa de Negativo para Estável, mantendo-lhe no entanto a classificação de… lixo?
É que, esta novidade foi suficiente para que muito boa gente passasse a ver arco-iris em tudo quanto é céu…
Talvez siga esta receita de azul, para afastar este cinzento dos nossos dias.