Para um souflé de ego instantâneo e apetitoso, aqui fica uma receita simples: almoce num restaurante conhecido com uma figura pública do sexo oposto, de preferência bem parecida. Junte um bom vinho, uma pitada de conversa pouco audível, sorrisos qb e uma cumplicidade evidente. Misture bem todos os ingredientes. De súbito, você terá a inveja de metade da humanidade presente e um renovado interesse por parte da outra metade. A receita é garantida, não há como sair mal. Mas atenção: como todos os souflés, é frágil e tem uma duração limitada. Quando você chegar a casa será a mesma pessoa de sempre.
Receita instantânea: souflé de ego
Ana Vidal,

Mas quando chegar a casa, liga a televisão, o computador e entre o ruído da primeira e as solicitações do segundo amortece a queda 🙂
Ah, Teresa, não deixar crescer demais o souflé basta para não chegar a haver queda…
Qual soufflé e qual figura pública ! No Verão vem comigo almoçar um sargo grelhado, à Berlenga !
O meu ego ( que bem precisa…) entrará em órbita.
Vou, pois! Combinado, não vou lá há c’anos. Mas não se iluda, Fanas… tanto quanto me lembro, a viagem é antológica. O que o vai fazer entrar em órbita serão os balanços da travessia. Vamos a ver em que estado lá chegamos.
Retiram-nos em braços, a caríssima qual pluma e eu qual arratél…mas o sarguito lá nos esperará, depois duma voltita a espreitar o carreiro dos cações, a cova do sono, quem conseguir olhar os Farilhões ao longe e não se emocionar com aquela bebedeira de azul e ocre, olhe não merece os olhinhos que Deus lhe deu. Ah e acho que levamos a sublime Ana Castro e a inigualável Font, o sargo chega para todos e se o meu desmaio fôr grande, sempre há mais alguém para ajudar ao carrêgo !! …
( obrigado pelo Fanas…)
Bom, isso está a ficar uma excursão catita! Font e Castro aprovadíssimas, claro. E o sargo também. 🙂
Receita instantânea: para ao chegar a casa, notar que deixou de ser a mesma pessoa…
Após almoçar num restaurante conhecido com uma figura pública do sexo oposto, de preferência bem parecida. Juntamente a um bom vinho e a uma pitada de conversa pouco audível, de sorrisos qb e de uma cumplicidade evidente. Após ter misturado bem todos os ingredientes e de, subitamente, ter captado a inveja de metade da humanidade; após sair do restaurante e de se despedir da figura pública, afasta-se um pouco da zona e procure um sem-abrigo… alguém que se distinga pelos sinais de sujidade exterior, pelos cabelos e barba desgrenhados, a roupa suja e rota, os sapatos descambados e velhos. Tome-o pelo braço e regresse ao restaurante onde acabou de almoçar, convide o seu novo Amigo, figura pública de rua, a sentar-se, indique-lhe a cadeira e sugira-lhe um prato gourmé, tome a iniciativa de escolher um bom vinho, sorria-lhe e peça-lhe que lhe fale dos seus projectos de vida, daqueles que sonhou, daqueles com que sonha, dos que realizou… e daqueles que pendurou nas estrelas que à noite lhe iluminam a esperança.
Depois, misture tudo muito bem, os seus sonhos, com os sonhos do seu novo Amigo e junte uma pitada de solidariedade e outra de cumplicidade, deixe repousar durante alguns minutos. Após o seu Amigo se achar saciado, saiam do restaurante, ofereça-lhe o braço e sorriam ambos, para a vida!
Ah!!! Não se esqueça de pagar a conta… ou então, tire os sapatos de salto alto e corram, sem deixar que o empregado do restaurante consiga apanha-los…
Mas, Bartolomeu, isso não pode ser logo de seguida… eu não aguento almoçar duas vezes!
(sabe que já fiz uma vez uma coisa muito parecida com isso? mas não tenho a certeza de ter sido por caridade ou por solidariedade, devo confessar. acho que foi mais por mim do que por ele. oh vanitas)
Acredito que tenha sido uma das suas melhores experiências de vida…
Foi, sim. É por isso que digo que o fiz mais por mim do que por ele.
Ia perguntar com quem é que almoçaste mas seria um erro terrível – a pergunta certa é quem é que almoçou contigo.
Nem sob tortura confesso, Jaa… (nem sequer com essa simpática e descaradíssima graxa) 🙂
A Ana Vidal não quererá almoçar comigo num restaurante conhecido?
Poderíamos beber um bom vinho e ter uma conversa em surdina…
Não me diga, Luis Lavoura: você é uma figura pública bem parecida! E perde tempo aqui no Delito.
(agradeço o convite, mas não arrisco. dois souflés seguidos podem fazer-me mal ao ego…)
Ana, você é que é uma figura pública, e é o meu ego, não o seu, que está a necessitar de ser alcandorado…
Já se você é bem parecida, não sei porque nunca a vi, mas tenho fé que sim!
Figura pública, eu? Nah, sou privadíssima. E feia. Mas obrigada pela simpatia das expectativas.
Desculpem-me meter-me na conversa… eu sei que é uma atitude de péssimo mau gosto, mas uma vez que estão a tê-la em público, permito-me perguntar-lhes: Está em apreço um almoço, ou uma passagem de modelos?
Está em apreço uma conversa inconsequente a propósito de um almoço, e não um almoço. Não se inquiete, Bartolomeu.
Futilidades…as usual!
Egos desmesurados polidos com uma pretensa visibilidade pública é no que dá.
Tenham tento, na língua e no espelho.
Concordo consigo, mas não percebi bem a quem se dirige o recado: a mim ou ao meu companheiro de almoço?
E não haverá nesse dress code também um bocadinho de ego a mais? Uma futilidade, sei lá… para matar qualquer trapinho serve.
Desarmou-me, confesso.
Esperava um espevitamento, um sobressalto desmesurado, enfim… uma irritação cutânea, um “olhem só pra esta sereigaita”!
Quando se “combate” deste modo limpo e escorreito, não é desprimor aceitar a “derrota”!
Brindo à sua inteligência.
E eu também lhe agradeço o fair play, mas repare: isto é uma brincadeira (nunca pretendeu ser outra coisa, por isso pus o post na categoria de “futilidades”), não há vitórias nem derrotas a assinalar. Volte sempre, e vestida como lhe apetecer. 🙂