Receita instantânea: souflé de ego


Ana Vidal,

Para um souflé de ego instantâneo e apetitoso, aqui fica uma receita simples: almoce num restaurante conhecido com uma figura pública do sexo oposto, de preferência bem parecida. Junte um bom vinho, uma pitada de conversa pouco audível, sorrisos qb e uma cumplicidade evidente. Misture bem todos os ingredientes. De súbito, você terá a inveja de metade da humanidade presente e um renovado interesse por parte da outra metade. A receita é garantida, não há como sair mal. Mas atenção: como todos os souflés, é frágil e tem uma duração limitada. Quando você chegar a casa será a mesma pessoa de sempre.

22 comentários em “Receita instantânea: souflé de ego”

      1. Qual soufflé e qual figura pública ! No Verão vem comigo almoçar um sargo grelhado, à Berlenga !

        O meu ego ( que bem precisa…) entrará em órbita.

        1. Vou, pois! Combinado, não vou lá há c’anos. Mas não se iluda, Fanas… tanto quanto me lembro, a viagem é antológica. O que o vai fazer entrar em órbita serão os balanços da travessia. Vamos a ver em que estado lá chegamos.

          1. Retiram-nos em braços, a caríssima qual pluma e eu qual arratél…mas o sarguito lá nos esperará, depois duma voltita a espreitar o carreiro dos cações, a cova do sono, quem conseguir olhar os Farilhões ao longe e não se emocionar com aquela bebedeira de azul e ocre, olhe não merece os olhinhos que Deus lhe deu. Ah e acho que levamos a sublime Ana Castro e a inigualável Font, o sargo chega para todos e se o meu desmaio fôr grande, sempre há mais alguém para ajudar ao carrêgo !! …

            ( obrigado pelo Fanas…)

  1. Receita instantânea: para ao chegar a casa, notar que deixou de ser a mesma pessoa…
    Após almoçar num restaurante conhecido com uma figura pública do sexo oposto, de preferência bem parecida. Juntamente a um bom vinho e a uma pitada de conversa pouco audível, de sorrisos qb e de uma cumplicidade evidente. Após ter misturado bem todos os ingredientes e de, subitamente, ter captado a inveja de metade da humanidade; após sair do restaurante e de se despedir da figura pública, afasta-se um pouco da zona e procure um sem-abrigo… alguém que se distinga pelos sinais de sujidade exterior, pelos cabelos e barba desgrenhados, a roupa suja e rota, os sapatos descambados e velhos. Tome-o pelo braço e regresse ao restaurante onde acabou de almoçar, convide o seu novo Amigo, figura pública de rua, a sentar-se, indique-lhe a cadeira e sugira-lhe um prato gourmé, tome a iniciativa de escolher um bom vinho, sorria-lhe e peça-lhe que lhe fale dos seus projectos de vida, daqueles que sonhou, daqueles com que sonha, dos que realizou… e daqueles que pendurou nas estrelas que à noite lhe iluminam a esperança.
    Depois, misture tudo muito bem, os seus sonhos, com os sonhos do seu novo Amigo e junte uma pitada de solidariedade e outra de cumplicidade, deixe repousar durante alguns minutos. Após o seu Amigo se achar saciado, saiam do restaurante, ofereça-lhe o braço e sorriam ambos, para a vida!
    Ah!!! Não se esqueça de pagar a conta… ou então, tire os sapatos de salto alto e corram, sem deixar que o empregado do restaurante consiga apanha-los…

    1. Mas, Bartolomeu, isso não pode ser logo de seguida… eu não aguento almoçar duas vezes!

      (sabe que já fiz uma vez uma coisa muito parecida com isso? mas não tenho a certeza de ter sido por caridade ou por solidariedade, devo confessar. acho que foi mais por mim do que por ele. oh vanitas)

    1. Não me diga, Luis Lavoura: você é uma figura pública bem parecida! E perde tempo aqui no Delito.

      (agradeço o convite, mas não arrisco. dois souflés seguidos podem fazer-me mal ao ego…)

      1. Ana, você é que é uma figura pública, e é o meu ego, não o seu, que está a necessitar de ser alcandorado…
        Já se você é bem parecida, não sei porque nunca a vi, mas tenho fé que sim!

          1. Desculpem-me meter-me na conversa… eu sei que é uma atitude de péssimo mau gosto, mas uma vez que estão a tê-la em público, permito-me perguntar-lhes: Está em apreço um almoço, ou uma passagem de modelos?

          2. Está em apreço uma conversa inconsequente a propósito de um almoço, e não um almoço. Não se inquiete, Bartolomeu.

  2. Futilidades…as usual!
    Egos desmesurados polidos com uma pretensa visibilidade pública é no que dá.
    Tenham tento, na língua e no espelho.

    1. Concordo consigo, mas não percebi bem a quem se dirige o recado: a mim ou ao meu companheiro de almoço?
      E não haverá nesse dress code também um bocadinho de ego a mais? Uma futilidade, sei lá… para matar qualquer trapinho serve.

      1. Desarmou-me, confesso.
        Esperava um espevitamento, um sobressalto desmesurado, enfim… uma irritação cutânea, um “olhem só pra esta sereigaita”!
        Quando se “combate” deste modo limpo e escorreito, não é desprimor aceitar a “derrota”!
        Brindo à sua inteligência.

        1. E eu também lhe agradeço o fair play, mas repare: isto é uma brincadeira (nunca pretendeu ser outra coisa, por isso pus o post na categoria de “futilidades”), não há vitórias nem derrotas a assinalar. Volte sempre, e vestida como lhe apetecer. 🙂

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