
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
“Jornal do Brasil”, Dezembro/1997.
Receita de Ano Novo
lauraramos,

Muito bom e lembrado aqui com grande sentido de oportunidade, Laura.
Não é tão bom quanto o “Desejos” … mas como receita tem a simplicidade das coisa boas. Preciso é que se cumpra aquela velha regra de ouro da cozinha: não aldrabar nos ingredientes. E está feito 🙂
Laura, acho isto uma delícia….
Aliás sou fã de Drummond de Andrade e dos pensamentos dele também.
Percebi agora que é o mesmo texto que utilizei há 4 anos, como “descrição” numa fotografia.
Muito apropriado e com uma receita de sucesso.
Feliz Ano Novo!
Um feliz ano novo também, Xanda! Embora eu saiba que não ligas… isto afinal é só mais um dia, e tal e coiso… mas o certo é que tem as sua nuances. E se os novos donos da EDP festejam o seu Ano Novo com tanta seriedade, nós não somos menos do que eles 🙂
“ …The Old Year’s gone away
To nothingness and night:
We cannot find him all the day
Nor hear him in the night:
He left no footstep, mark or place
In either shade or sun:
The last year he’d a neighbour’s face,
In this he’s known by none. …”
…..
“ … Old papers thrown away,
Old garments cast aside,
The talk of yesterday,
Are things identified;
But time once torn away
No voices can recall:
The eve of New Year’s Day
Left the Old Year lost to all. …”
Era só isto. Um rápido 2012.

Em certa medida, quem dera que pudessemos dizer
” The eve of New Year’s Day / Left the Old Year lost to all. …”
Um grande ano para si, Fernando!
Grande e querido Drummond. Muito bem escolhido, Laurinha. Bom ano!
Também para ti, Aninhas. E que 2012 comece logo com um certo lançamento tão aguardado…
Este aqui, mais precisamente!
(só descobri isto há 2 dias, tinha-me escapado!)
Ena! Como é que fizeste isto? Eu não sei pôr imagens nem videos nos comentários… que esperta me saiste! 🙂
E só não pus na página de entrada porque seria a segunda chamada de atenção! Estás a ver, começariam logo a desconfiar que eu tinha acções nesta empresa… 🙂
lol. A não ser que sejas accionista da Babel e eu não saiba, confirmo que é por pura amizade! 🙂
Antes fosse sócia, Ana, antes fosse… 🙂
E não, não é por pura amizade, mentira! (Também) É por justa admiração.
Grande escolha, este poema do Drummond.
Também o teu Pessoa, verdadeiro ou emulado, é uma grande escolha.