Como ainda não está em francês pós-acordo ortográfico, permito-me comprar a Photo de Janeiro com as fotos enviadas pelos leitores. E confirmo novamente. O digital fez com que criar imagens perfeitas se tornasse irresistível. Apagam-se linhas eléctricas cruzando o céu e pacotes de batatas fritas caídos no chão, torna-se o céu mais azul, eliminam-se (ou amplificam-se) rugas e sinais. Porém, a realidade não é perfeita. Nela, as linhas, os pacotes de batatas fritas e as rugas existem, o céu nem sempre está azul. Não interessa. A realidade é uma maçada. Na fotografia, como em tudo o resto (até na política), já só apreciamos a perfeição. Por isso, corta-se, apaga-se, alisa-se. E a realidade torna-se-nos cada vez mais insatisfatória.
Realidade e perfeição
escafandro,


Excelente post.
Obrigado, Luís.
Comprei-a anos a fio,no tempo da “prata”, em que publicava de tudo um pouco,desde o fotojornalismo de crimes com sangue e beatas até à mina do desaparecido Hamilton.Com Lartigue,Capra,Cartier e tantos outros entremeados.
Eu também a comprei frequentemente na segunda metade da década de 80 e durante a de 90. Depois disso, apenas de forma esporádica. Penso que continua a trazer portfólios interessantes de vez em quando mas já não é bem a mesma coisa.
Vejo photoshop à distância. Aliás vejo o digital à distância. E não vejo perfeição. Pelo contrário vejo menos imagem, menos informação.Quando os pixeis são todos iguais não há razão para olhar para eles.
Viva a realidade!
Não ligo nada a fotografias, nem a revistas, nem a modelos. Nunca liguei muito e não é agora que vou começar, quando a idade avança. Só se for como objeto de estudo, a averiguar até onde a natureza humana é capaz de ir. Os homens que se babem, as mulheres que se roam de inveja! Estou-me marimbando!