Rasgos (5)


Ana Vidal,

 

Quando Oscar Wilde contou à escritora Ada Leverson que um homem o tinha perseguido com uma faca na mão, ela disse-lhe:

 

– Aposto que ele tinha um garfo na outra.

23 comentários em “Rasgos (5)”

      1. O “prato”, Ana, está muito apetecível – não fora o colesterol – as perninhas ( julgo serem asas de galinha) e as bolinhas de recheio , já teriam marchado – sem garfo e faca …;))

  1. Genial. E bem inglês.
    Por falar nisso, em Churchil também tem uma boa fonte de tiradas absolutely british… (estou-me a lembrar daquela célebre conversa com Lady Astor 🙂

      1. Oh, já conhecem a história de certeza! Mas reza assim: Churchill e Lady Astor passavam uns dias em casa dos Marlborough (uma casita modesta, por sinal…) e andavam permanentemente embrenhados em alfinetadas um ao outro.
        A certa altura, já farta daquela mente tortuosa, Lady Astor terá dito:
        «- Winston, você é terrível. Se eu fosse sua mulher punha-lhe veneno no café!»
        Ao que ele respondeu:
        «- Nancy, e se eu fosse seu marido, tomava-o»…

        1. Deliciosa, Chloé. Não conhecia. Mas lembrei-me de uma óptima também, mas tem de ser contada em inglês para ter graça. Acho que vai para os “rasgos” também.
          🙂

  2. Também se conta outra…
    Lady Astor terá um dia dito a Churchill ” – Winston, se você e eu tivéssemos filhos, já pensou como seriam pessoas fantásticas? Herdeiros da beleza da mãe e da inteligência do pai?”
    E ele: “- Pois, o pior é se havia um desastre e eles saíam com a beleza do pai e a inteligência da mãe”..

  3. Ûm autêntico cavalheiro, este perseguidor: preparava-se para comer o Óscar de garfo e faca, e tudo! Tenho a impressão de que se fosse hoje em dia, seria ainda mais “accurate” e pedi-lo-ia em casamento. Mudam-se os tempos…

    1. Ocorreu-me agora que Oscar Wilde (o homem e não o escritor) é um bom exemplo de como o direito à opção sexual pode ser uma prerrogativa aparentemente justa, (no plano da igualdade filosófica) mas terrivelmente iníqua e danosa para terceiros em muitas situações concretas da vida.
      OW fez em cacos a vida da mulher e dos filhos. Na verdade nem se imagina quanto, vendo bem como as coisas se passaram.
      Ora o problema está em que a história dele não é nada singular mas sim, pelo contrário, muitíssimo comum. E não é por terem passado mais de cem anos que a duplicidade desapareceu, porque continua e continuará.
      Já sei que sou politicamente incorrecta, mas sou assim: desconfio sempre quando nos afastamos dos grandes princípios de civilização e entramos em delírios conceituais de duvidoso rigor silogístico, assentes em premissas cor-de-rosa e cenários celestiais.
      A realidade nua e crua é muitíssimo diferente do que conta a propaganda e as campanhas de sensibilização…

      1. «A história dele não é nada singular mas sim, pelo contrário, muitíssimo comum»? Não é incomum, mas espero que não seja assim «muitíssimo comum». De qualquer modo, no essencial estou de acordo consigo, Chloé.

        1. Falava da duplicidade, só isso. Essa é que é muito mais comum do que se pensa e não tem nada a ver com a legalização ou não legalização dos comportamentos. Cifras negras. A única diferença é que talvez os outros (os tais terceiros) se sintam mais à vontade para denunciar isso, apesar dos filhos..

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