
Morreu ontem Rafael Sánchez Ferlosio, um dos maiores intelectuais da Espanha actual. Autor de El Jarama, de Industrias y andanzas de Alfanhuí e de uma vasta obra ensaística de primeira água, os obituários descrevem-no como mestre singular das letras espanholas, como plumífero, isto é, alguém cuja existência não se compreende sem o valor da escrita.
Vencedor do Prémio Cervantes em 2004, cunhou a bem-humorada – e tristemente necessária – “moral do peido”: quando o assunto são nacionalismos, só incomoda o cheiro proveniente de terceiros, nunca o próprio. A Espanha que lhe presta homenagem dá hoje votos ao Podemos, ao Vox e a nacionalismos periféricos que precisam de dividir para existir. Quem conheça a obra de Sánchez Ferlosio e tenha lido as suas entrevistas sabe que os mandaria a todos de volta para o buraco infecto de onde saíram.

Vénia (ao grande postal que aqui está).
Simpatia tua, mas muito obrigado. Abraços