Trocar todas as mulheres do mundo por ela até ao fim dos meus dias? Não queria mais nada! exclamou, ufano, enquanto escolhia, aos repelões, a roupa que a mãe lhe engomava todas as semanas. O contacto das sedas e viscoses, mas sobretudo o aprumo que lhes dava o ferro, fê-lo lembrar-se, por escassos momentos, da progenitora. E o seu rosto iluminou-se. Uma santa, a prova viva em como, com todos os seus defeitos, ele era capaz de inspirar um amor incondicional, genuíno. Suspirou. Ainda estava para nascer a mulher cuja generosidade rivalizasse com a dela.
Andam todas ao mesmo, soprou entre dentes virado para o espelho, a avaliar o perfil. Tornaram-se demasiado exigentes, sentenciou, a meia voz, já distraído das altercações da véspera pelo vinco que detectava, contrafeito, na camisa.
Despiu-se num ápice. Escolheu a branca, de colarinho inglês. Estava perfeita e ficava-lhe realmente bem. Sorriu, cúmplice, para o espelho. Às vezes bastava um olhar fugaz e retemperador sobre si próprio para recuperar o bom humor. Olhou o relógio. Se acelerar até pode ser que ainda a veja.
Passou-a, então, em revista, com vagares de gourmet. Olhos escuros, grandes, cabelo azeviche e longo, um belo traseiro. Faz mesmo o meu género. Sorriu com malícia. Olhei-a há dias como se não houvesse mais ninguém na rua e consegui impressioná-la, percebi bem. Resulta sempre. Ainda a sorrir, acaricia ligeiramente o lábio com a ponta do indicador. Adoro mulheres.
Num impulso sai para a escada, entra de rompante no elevador, pélvis ligeiramente projectada para a frente, como que a desafiar o destino. É hoje que a convido para um café.

O Zézé Camarinha é teu vizinho, Teresa? 😉
O Zézé Camarinha é só a caricatura dos muitos Zézés que andam por aí, Ana 🙂
Ah pois é…
Ana, cuidado com os nomes – não vá – “tilintar campainhas” – despertar alguma “visão transcendental.)
Tem razão, Maria! Nada de provocar a vizinhança… 😉
.. uma série a seguir sem dúvida Teresa 😉
Concordo inteiramente. É uma grande série.
Gracias, muchachos 🙂
Mais um “dia” – outro retrato – muito bem feito , parabéns Teresa, repitam-se os “dias”…
Aguardo, curiosa, ler “a crítica literária”, saber dos “signos” encontrados no “Texto” de hoje e particularmente a análise feita à luz da “terminação eufónica”, como o crítico de serviço referiu no texto de ontem, “Quarta-feira”;))
Gostei muito. Só é pena que não haja aqui um nome feminino terminado em ‘ela’, para dar asas à imaginação do ‘Pancada’. Chame-lhe Felisbela ou algo parecido e bonito. Tenho a impressão de que sem essa deixa, ele não conseguirá verter-nos aqui a sua leitura única sobre mais este seu belo texto, Teresa. Que pena…
Isso é que é perspicácia e poder de síntese.
:))
Só pode ser ficção, Teresa. Essa descrição é coisa de cinema, não acontece na vida real, pois não?
Ah!Ah! Tem razão, Mike. Acho que ao escrever este texto me deixei contaminar pelos delírios do Zé Pancada
Pela primeira vez porventura devido à denúncia que aqui tenho feito das críticas injustas à Drª Manuela Ferreira Leite, este blogue decide-se através deste «post» dar a perspectiva contrária, expondo a personalidade vazia, fútil e possuída do culto da própria imagem que é o incumbente Pedro Passos Coelho, um eterno jovem à procura de conquistar a presidência do PSD a todo o custo com a cumplicidade dos socialistas.
O «post» revela até que ponto o eterno jovem PPC que nada mais fez na vida até hoje senão ser presidente da JSD, onde revelou todas as perniciosidades inerentes aos indivíduos que fazem carreira nas juventudes partidárias, é incapaz de orientar a sua própria vida pessoal, ficando dependente das escolhas que outros fazem por ele até para vestir uma camisa!
Agradeço à autora do «post» a denúncia corajosa que faz deste individuo que alguns submarinos socialistas gostariam de ver na presidência do meu partido e ao qual eu me oporei firmemente se algum dia, Deus queira que não, isso vier a suceder. Digo que é corajosa por vir num blogue que é dominado pelo PS e feito por jornalistas que estão ao serviço do partido do poder e de agências de comunicação como a LPM que todos sabem ser a preferida de José Sócrates embora tenha trabalhado também para a campanha presidencial do Prof. Cavaco Silva.
Despeço-me desta vez com os meus cumprimentos.
Hum, com tanta simpatia e tão inesperada ainda fico com uma panca por si…