De repente, quando é preciso fazer obras, a vida muda totalmente. Ao fim de dois meses fora de casa, regresso com alguma melancolia e apreensão. Estava eu cheia de energia para limpar e arrumar, abrir caixotes, seleccionar e mandar para o lixo, quando percebi que, afinal, ainda não está bem tudo pronto. Portanto, tenho de esperar para tirar as coisas do caixote. E não posso usar a cozinha. Apenas o frigorífico. Um dia, talvez, consiga usar o resto.

Há pó laranja por todo o lado (já disse que a cozinha está laranja? Pois, mas, por favor, não tirem conclusões políticas desta opção estética!), uma penumbra de pó acinzentado que cobre tudo e vários sacos com ferramentas diversas, algumas com aspecto terrífico, outras simplesmente incompreensíveis, há garrafas de água e papelões, cartões e plásticos.