Os infatigáveis-em-busca-do-ponto-perdido

São pessoas a quem Deus deu o dom da fala e o usam para tentar provar que Ele também se engana. Os infatigáveis-em-busca-do-ponto-perdido, espécie de Indiana Jones da palavra, andam em luta permanente e correm os maiores perigos para descobrir onde é que esconderam o ponto final.
As suas faringes são de caixa de ressonância automática: engatam a primeira sílaba para arrancar e depois é só pisar no acelerador. Lutam contra todos os que se esforçam por lhes cortar a palavra e enfrentam o grande perigo de lidar com interlocutores que antes pareciam homens normais e que, perdida a paciência e sem pré-aviso, acabam por se tornar violentos.
Nunca se deve perguntar que horas são aos infatigáveis-em-busca-do-ponto-perdido, porque eles nunca começarão a resposta com uma simples vista de olhos ao relógio e nunca a terminarão na leitura do ponteiro dos minutos. Estão sempre dispostos a partir em busca do ponto final — tipo Miguel Sousa Tavares n’O Rio das Flores, mas em versão oral.
É mais fácil do que parece encontrar elementos deste grupo, o qual tem engrossado desmesuradamente na proporção em que cresce o número de canais televisivos.
Um dos infatigáveis-em-busca-do-ponto-perdido mais populares é o Paulo Bento. Se lhe derem corda, até passa pelos primeiros pontos finais sem sequer os reconhecer. Mas é também um dos exemplos mais pacíficos, porque vai entrecortando as palavras com momentos de silencioso suspense — que ninguém hã… interrompe, só pela curiosidade de… de saber que ideia vai hã… sair dali, se… se é que vai.
O Rui Santos, aquele que protagoniza o programa mais longo da SIC-Notícias, é um excelente exemplo entre os infatigáveis-em-busca-do-ponto-perdido. Parece até que foi ele que conquistou o seu espaço televisivo pela fala, porque só estava inicialmente previsto fazer um curto comentário nas notícias de domingo à noite. Acabaram por tirar as notícias e pôr o Rui Santos.
Creio que a primeira vez que o Rui Santos foi à televisão era para dizer o que esperava de um jogo de futebol marcado para umas horas depois. Ele lá compareceu e começou a discorrer sobre o aguardado jogo. Quando encontrou o primeiro ponto final e acabou a primeira frase, o pivot aproveitou para lhe fazer a segunda pergunta:
— Acha que o resultado foi justo?…

O Rui Santos pode não ter ideias excessivamente solidas nem dizer frases demasiado acertadas, mas há que elogiar o fôlego dele: ninguém o bate na palração interminável a propósito de coisa nenhuma.
Devia tomar um ponto final duas vezes por dia, durante uma temporada!
eheheheeh
:))
Ah! Estava a ver que não vinha cá.
E eu lá ia faltar… Olhe o relambório que lhe deixei aí em baixo!
[A estas horas está a pensar: que faria se não estivesse cansada… Safa! Abençoado cansaço! Adivinhei?]
:)))))
Olá, João. Gostavas de fazer este meme sobre as tuas 10 personagens de cinema favoritas? Ao princípio não me conseguia lembrar de nenhumas e acabei com vontade de fazer um post sobre umas 50.
http://gatochy.blogspot.com/2009/04/ten-f avorite-movie-characters.html
E, desculpem o vernáculo, porra!
Ontem à noite em todos os canais noticiosos aqui da tugaria se discutia, e aparentemente sem tempo limitado (como acontece ene vezes em entrevistas ou outros debates, em que se ouve constantemente dizer «já temos pouco tempo», «vamos ter de acabar, «já excedemos o nosso tempo») o pontapé na bola.
Nem sei que diga! Muito bem “apanhado” como os restantes desta série! De facto o RS fala demasiado tempo para dizer o trivial.
Aproveito para dois desabafos, além do RS e do PB:
1) Lamento o tempo excessivo desses programas que mais não fazem do que falar da rama das coisas desportivas, dos aspectos laterais e normalmente alimentam o lado mais bestial da “coisa”
2) Ainda me continuo a espantar como gente que de desporto só tem paixão clubista , decora as jogadas e os nomes dos jogadores, é chamada à qualidade de comentador desportivo. De um certo ponto de vista não se distinguem das conversas do quintal ou das tertúlias rosa. Os mexericos é que são outros!
E é uma pena. A propósito de desporto, muita pedagogia podia ser feita, sem se perder o sentido da festa com agon, com alea, com mimicry, com ilinx …
Parabéns mais uma vez pelos posts !
:))))
[Hoje tive um dia cheio de trabalho… a esta foi o que se arranjou para comentar…]
O bastante para me satisfazer o ego.
Os comentadores desportivos (desportivos não, de futebol só) merecem uma nota positiva: pugnam pela «verdade desportiva»! Seja lá o que isso for…
Essa da verdade desportiva é uma boa discussão. Sobretudo a propósito da introdução das novas tecnologias na arbitragem do futebol, motivo da petição que o RS lançou.
Concordando eu naturalmente com a utilização das tecnologias acho que a questão está mal colocada. Mas isso dá pano para mangas. Se quiser podemos “trocar umas ideias sobre o assunto” (parafraseando o título do livro do Mário de Carvalho).
:))
Temos aqui um caso: só podia jogar por dois clubes e está a jogar num terceiro…
… Ai-ai-ai, ai-ai-ai, que não pode ser…
Quanto a mim, temos aqui um caso: é proibido pisar a relva, mas ninguém quer saber disso…
Se eu fosse treinador, punha uns 12 ou 13 jogadores em campo: nunca vi alguém andar a contá-los…
Percebi! Assunto encerrado!
Mas sabe…
Acho que não precisam de andar para os contar…contam-nos mesmo sentados rsrsrsr
E até sabem como se chamam e em que dia fazem anos e onde nasceram e em que clubes jogaram…
Vá descansar e faça bom proveito. Que é como quem diz: boa noite!