Osche a-reinventoresche a-da língua

Apesar de estarem reunidos num grupo, ainda é difícil definir os vários subgrupos em que se dividem. Osche a-reinventoresche a-da língua constituem uma espécie de ensaístas e precisam de tempo para que estabeleçamos os padrões que permitam diferenciá-los.
São jornalistas e aparecem diariamente como pivots de programas noticiosos. Absorvidos pela experimentação de novos modos de falar, osche a-reinventoresche a-da língua reconhecem-se pelas diversas reacções que provocam em quem os ouve. Frequentemente, fazem-nos parar e ficar a olhar com toda a atenção, até termos a certeza de que aquilo está a acontecer. Por vezes, deixam-nos estarrecidos, com medo de que aquilo esteja mesmo a acontecer. Outras vezes, geram em nós uma imensa angústia, um misto de vontade de ficar ali a tentar ajudá-los, de partir para outra e de partir tudo à nossa volta, tipo «foi você que pediu um estalo na cara?» Sobretudo, põem-nos nervosos e arriscam a vida quando não resistimos a pegar num objecto próprio para lançarmos ao televisor.
Osche a-reinventoresche a-da língua perseguem modelos de oralidade que não lembrariam aos comuns mortais. Cada um deles pode ter o seu método exclusivo, mas os mais adiantados conseguem associar diferentes fórmulas, aglutinando-as num linguajar ainda mais interessante. São estes os gurus dos reinventores do português falado. Característica curiosa, quando aparecem aos pares, é a sua capacidade para pôr o outro(a) pivot a falar da mesma maneira.
Vejamos algumas frases soltas já aprovadas pelosche a-reinventoresche a-da língua. Entre a enorme escolha possível em todos os canais, optei pela SIC-Notícias, que tem uma oferta ampla, e tentei um mix de Edição da Manhã e de Jornal da Meia-Noite.
– Passam dezche a-minutosche a-dasche a-nove horache. Fazemosche a-aqui um pequeno a-intervalo e voltamosche a-já.
– O trânsito na a-ponte ainda está a-complicado a esta hora da a-manhã, masche a-o acidente que vimosche a-há a-pouco já está a-resolvido.
– Passamosche a-agora aosche a-títulosche a-dasche a-primeirasche a-páginasche a-dosche a-jornaische.
Enfim: como já repararam, não é fácil apanhá-los; porém, é aconselhável acompanhá-los. Ao fim de um tempo, ficamosche a-aptosche a-a falar portuguêsche a-avançado…

O admirável falso engenheiro está a recuar em toda a linha.
Primeiro, foi o TGV; agora, é o assalto à TVI…
Farta-se de tentar emendar a mão, mas já não há nada que o salve da aprazada derrota final.
Deus não dorme.
Nem Ele quer dormir, para não perder o ‘Jornal da Meia-Noite’ e a ‘Edição da Manhã’…
Também acho… 🙂
Deus é grande. E tolerante.
Ahahah
E ainda dizem mal do Paulo Bento, coitado. 🙂
É verdade! Hehehe…
Ah!, é de uma pertinência escabrosa o texto que aqui nos deixa. Não só conseguiu arrancar-me uma enorme gargalhada como me pôs a ler em voz alta a magnífica expressão que sublinhou.
Tenho a sensação de que agora em diante verei os telejornais – cada vez mais deprimentes, parciais e com uma inesgotável falta de bom-senso na escolha e apresentação das notícias – de outra forma.
“Quem fala assim”, já lá diria o outro, “não é gago”!
Não podem ser gagosch, osch a-apresentadoresch…
ahh…parece-me que o comentário do… ahh….Sr. Imparcial não engrenou no sítio…ahh… certo-ah, pois dá-nos ahh…, a impressão que-a… não tem nada a ver com ahh…nada, embora seja insofismável que ahh… Deus não dorme, ahh…, pois ahh…, caso contrário poderia, ahh….perder algumas das ahh… edições do Jornala da Meia-Noitea ou da Ediçãoa da Manhã…
Os imparciais, como dizia o Jorge Coelho dos independentes, são imprevisíveisch…
Subscrevo na íntegra. O mais possível. Um texto “chelente”. Os da manhã da SIC-Notícias (sobretudo AS) são insuportáveis. Já cheguei a mudei de canal furibunda. Exactamente como diz, com vontade de lhe dar um valente abanão. Sabe que acho que este post é um enorme serviço público? Acho que há modas destas que pegam porque não há uma alma caridosa que actue a tempo de as evitar. Quem sabe alguém da SIC lê o D.O.?
Muito bemmmmmmmm
:)))
Sabe que eu estava mesmo à sua espera para saber de si sobre isto? Acho que já uma vez me tinha falado nestasche a-modasche…
Sim, eu tinha falado disto. Mas o João Carvalho disse o que eu queria de um modo “CHELENTE”.
Parabéns!
Obrigado pelasche a-suasche a-palavrasche…
Não a-tããn a-naadaaa aaaa-queeeee a-agradecer.
:)))
O sotaque de Lisboa, no seu melhor (pior). Depois ainda há umas alminhas a protestar contra a RTP-N por ter algum (cada vez menos) bom sotaque do Porto…
É como dizesche, a-compadre.