“A visita do Presidente chinês talvez crie uma oportunidade para que alguém ouse perguntar-lhe sobre a situação do Nobel da Paz, Liu Xiaobo. E sobretudo para que sejamos capazes de nos interrogar a nós mesmos por que razão os opositores às ditaduras de direita são apresentados como resistentes, oposicionistas, socialistas, comunistas ou democratas-cristãos enquanto que no caso das ditaduras de esquerda só temos dissidentes. Liu Xiabo, tal como os presos políticos de Cuba, é um dissidente porque é reprimido por um partido comunista. Não tem direito sequer a que se lhe reconheça uma ideologia.”
Helena Matos, no Público


Conceitos muito peculiares, Pedro.
Como os de não-ingerência e não-interferência que referi hoje no meu blogue – algo que a China pode fazer, constantemente!!!, mas não tolera que lhe seja feito.
Essa comparação também é boa, Pedro. O PCP, que defende ao limite a “não-ingerência” estrangeira nos assuntos de Cuba ou do Tibete, por exemplo, não diz uma palavrinha sobre a interferência crescente e constante da China noutros países, seja em África, seja na América, seja até na Europa, onde anda com pretensões a “comprar a dívida” portuguesa. Verdadeira “economia de casino”, que o PCP só não critica quando o comprador é… comunista.
Tenho cá em mim que ninguém vai ousar fazer alguma pergunta sobre o assunto.
(é apenas um palpite)
Por acaso enganou-se (repare no vizinho aqui de baixo).
Mas então… vocês é que escrevem nos jornais, perguntem aos vossos colegas. São eles que dão as noticias que moldam o discurso. Ou não?
Quadras para…
A política encolhida
por vis susceptibilidades,
é, sem dúvida, tolhida
de imundas imbecilidades.
Neste mundo oportunista
inundado de hipocrisia,
a negociata é hegemonista
e baseada na agnosia.
Quem resiste é dissidente
nessa visão tão comunista,
deixando, assim, bem pendente
um arrojo oportunista.