Quem resiste é “dissidente”


Pedro Correia,

 

“A visita do Presidente chinês talvez crie uma oportunidade para que alguém ouse perguntar-lhe sobre a situação do Nobel da Paz, Liu Xiaobo. E sobretudo para que sejamos capazes de nos interrogar a nós mesmos por que razão os opositores às ditaduras de direita são apresentados como resistentes, oposicionistas, socialistas, comunistas ou democratas-cristãos enquanto que no caso das ditaduras de esquerda só temos dissidentes. Liu Xiabo, tal como os presos políticos de Cuba, é um dissidente porque é reprimido por um partido comunista. Não tem direito sequer a que se lhe reconheça uma ideologia.”

Helena Matos, no Público

6 comentários em “Quem resiste é “dissidente””

  1. Conceitos muito peculiares, Pedro.
    Como os de não-ingerência e não-interferência que referi hoje no meu blogue – algo que a China pode fazer, constantemente!!!, mas não tolera que lhe seja feito.

    1. Essa comparação também é boa, Pedro. O PCP, que defende ao limite a “não-ingerência” estrangeira nos assuntos de Cuba ou do Tibete, por exemplo, não diz uma palavrinha sobre a interferência crescente e constante da China noutros países, seja em África, seja na América, seja até na Europa, onde anda com pretensões a “comprar a dívida” portuguesa. Verdadeira “economia de casino”, que o PCP só não critica quando o comprador é… comunista.

  2. Quadras para…

    A política encolhida
    por vis susceptibilidades,
    é, sem dúvida, tolhida
    de imundas imbecilidades.

    Neste mundo oportunista
    inundado de hipocrisia,
    a negociata é hegemonista
    e baseada na agnosia.

    Quem resiste é dissidente
    nessa visão tão comunista,
    deixando, assim, bem pendente
    um arrojo oportunista.

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