Quem?


Patrícia Reis,

 

Martha Gellhorn suicidou-se aos 89 anos. Foi a única mulher que pediu o divórcio a Hemingway, a única que fez a vida que quis, deixando cinco anos de casamento para trás (de 1940 a 1945) e fazendo uma vida de correspondente de guerra durante 60 anos. Depois de um diganóstico de cancro e de estar quase cega, suicidou-se em 1998. Dizia ela que nada se comparava ao horror da guerra civil espanhol ou a Dachau, depois disso escreveu sobre muitos outros cenários de guerra. Sobre o amor, disse que o aborrecimento/tédio/rotina é o maior inimigo de todos. Poucos sabem quem ela é. Phillip Kaufmann fez um filme sobre esta mulher, com Nicole Kidman, Clive Owen a fazer do escritor excêntrico que escrevia de pé, bebia rum, achava que um grande escritor é sempre um mentiroso. É um filme que se vê quase como um documentário. Depois do filme, fiquei a pensar que o amor não morreu por monotonia da relação, morreu por causa da competição. Para o Senhor Hemingway era impossível ter uma mulher que fosse melhor que ele. E, tal como ele, muitos homens e mulheres vivem nesta fúria da competição, quando o casamento deveria ser sobre admiração, amor, companhia, compreensão mesmo no pior cenário. Eu nem sempre digo as coisas mais certas, já se sabe, portanto isto pode ser tudo uma grande tanga.

4 comentários em “Quem?”

  1. Se não fosse essa fúria da competição, o que seria das burras, que foram sempre tão populares entre os homens 🙂
    Gostei muito da tua reflexão. Não vi o filme que referes, mas já li “A Face da Guerra”, da Gelhorn, que reune os textos que ela escreveu em vários cenários de guerra, uma obra que recomendo. Também li em “Os Intelectuais”, de Paul Johnson, a opinião que ela tinha sobre Hemingway após cinco anos de casamento. Entre vários comentários nada abonatórios confirmou que era um grande mentiroso, o que confirma a tese dele, a de que um grande escritor tem que ser um grande mentiroso.

  2. Minha querida tocaste num ponto vital de certos casamentos. Quanto mais genial é o companheiro maior deveria ser a sua admiração pela capacidade do outro. Infelizmente isso não acontece muito. O génio tem medo, até da própria sombra…mas jamais reconhecerá esse facto!
    Tenho o horror a génios, talvez porque já conheci alguns. Que cansaço…

  3. Pois, Hemingway…

    Há tempos, mostrava-se um comentador aqui no Delito muito indignado, pois, seguindo a ideia de muito boa gente que não gosta de touradas, considerando-as um costume bárbaro, então, também se tinha de considerar, por exemplo, Hemingway um bárbaro, já que o seu gosto por touradas era conhecido. Coisa que esse comentador não concebia.

    Hemingway podia ser um génio da literatura. Mas, como se vê, era mesmo um bárbaro!

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