Decorridos mais de 45 dias sobre as eleições, há um facto que é já inquestionável. A renovação cívica e democrática que sempre deveria resultar de uma ida às urnas está já irremediavelmente comprometida. Um a um, os principais actores políticos contribuíram de forma decisiva para o pântano político e institucional em que estamos mergulhados. Vejamos alguns factos:
Facto 1: António Costa perdeu as eleições. A partir da noite de 4 de Outubro iniciou um processo intelectualmente desonesto de negociação com o PCP e o BE com o único propósito de alcançar o poder pelo poder. É óbvio que não existe qualquer afinidade substancial entre a mundividência política do PS e aquela que defendem comunistas e bloquistas.
Facto 2: António Costa foi politicamente desonesto com o país e com o Presidente da República quando afirmou a existência de um acordo à esquerda que só veio a concluir mais de um mês depois, de forma coxa e com condições precárias. A desonestidade política persiste, pois as posições conjuntas a que semanas de negociações deram origem não correspondem, de todo, a um acordo politicamente consistente.
Facto 3: A debilidade moral não é, todavia, uma característica exclusiva de Costa. De um e de outro lado da trincheira, apparatchiks zelosos dedicam horas infindáveis à arqueologia da internet. Uns e outros encontrarão vídeos, afirmações e artigos em que se afirma hoje o contrário do que se disse ontem. E assim expõem, todos, sem pudor, a profunda falha ética de que se alimentam. Nada tem valor por si. O que importa à sacanagem é demonstrar que o adversário é um sacana maior.
Facto 4: O novo Presidente da Assembleia da República, a 2ª figura do Estado, é alguém da envergadura de Eduardo Ferro Rodrigues. Esta circunstância seria, só por si, suficientemente vexatória para a República. Todavia, a forma sectária como a personagem tem exercido a função, quando esta imporia pelo menos algum distanciamento, constitui uma nódoa provavelmente indelével na cadeira da presidência da Instituição.
Facto 5: O ainda primeiro-ministro, depois de ter mentido conscientemente na campanha para as eleições de 2011, não ficou satisfeito. Desta vez, o discurso fraudulento teve como objecto a devolução da sobretaxa. E se não é possível afirmar que o próprio mecanismo de cálculo foi manipulado, foi certamente manipulada a comunicação que sobre ele se fez a partir do governo.
Facto 6: A defesa da Coligação perante a manobra de Costa baseou-se na teoria do golpe. Todavia, Passos Coelho não encontrou melhor argumento para contrariar esse suposto golpe do que uma proposta golpista e oportunista de revisão da Constituição. E ainda que se saiba que tal proposta não passava de pura retórica, o certo é que constitui um triste espectáculo ver Costa e Coelho a disputarem na cena política como se fossem canalha no recreio.
Facto 7: Por falar em canalha no recreio: deputados eleitos pelos portugueses, um para o Parlamento nacional, outro para o Parlamento europeu, em lugar de argumentarem com profundidade e elevação, dedicam-se a comentários desmiolados no Twitter. Tiago Barbosa Ribeiro apelida o Presidente eleito de gangster. Ana Gomes encontra uma relação causal entre a governação de Passos e os suicídios nas polícias. São ambos deputados pelo PS, mas não é esse ponto o relevante. Se nos déssemos ao trabalho, encontraríamos certamente exemplos semelhantes em outras bancadas.
Facto 8: José Sócrates passeia-se pelo país de voz esganiçada, pavoneando-se entre alguns parolos que o aplaudem e o incentivam. Até ver, não há um que lhe pergunte duas coisas muito simples: a) no total, quanto lhe foi “emprestado” pelo “amigo”; b) começaram, ou não, esses empréstimos quando ainda exercia funções governativas. E o incrível é que com tanto bazófia sobre os seus direitos de cidadania, o próprio ainda não tenha sentido o imperativo moral de prestar tais informações ao país.
Facto 9: O Senhor Presidente da República, omnisciente e presciente, mantém o país em suspenso de uma decisão durante semanas por ter de se dedicar a uma inadiável visita às ilhas. Ele que faltara às comemorações do 5 de Outubro devido à urgência de tomar decisões sobre a situação política do país. Entretanto, certamente afectado pela maior proximidade ao equador, dedica-se a teorizar sobre as características da Banana da Madeira. A desgraça é tanta que nem uma comparação rigorosa sobre o tamanho da dita banana face à que se desenvolve noutras paragens conseguiu fazer em termos.
Facto 10 (last but not the least):Tudo isto é, convenhamos, uma grande vergonha.

Gerente do Restaurante Espaço Tejo, na antiga FIL, em telefonema para Carlos Santos Silva:
“Com NIF ou sem NIF?”
É o que tenho a dizer de toda esta fauna mas a culpa é nossa. Exclusivamente nossa.
Pois é sobre essa conclusão que ainda não tenho certezas. Se somos realmente culpados e qual o grau de culpa que temos. É dolo, é só negligência? Há atenuantes da culpa?
Quanto à intensidade de dolo e de culpa, a nossa é muito semelhante à do corno manso.
Retrato do “Regime”
Em corpo inteiro e a cores.
Na verdade, em tons cinzentos e negros.
“Tiago Barbosa Ribeiro apelida o Presidente eleito de gangster. Ana Gomes encontra uma relação causal entre a governação de Passos e os suicídios nas polícias. São ambos deputados pelo PS, mas não é esse ponto o relevante. Se nos déssemos ao trabalho, encontraríamos certamente exemplos semelhantes em outras bancadas”
Do calibre do Barbosa Ribeiro, sim, deve haver às carradas no hemiciclo, da ala direita à ala esquerda. Mas a Ana Gomes é um caso especial. Está naquele patamar em que começam a falhar os adjectivos.
Excelente resumo dos dias que correm.
Tens razão. Não há, provavelmene, ninguém equiparável a Ana Gomes.
Adjectivos existem. Mas há quem não queira sujar a boca com eles. É o meu caso.
Por isso prefiro chamar-lhe "doente"…mas sem cura!
Pois.
Factor 11
Os portugueses são uns bananinhas das Berlengas.
A culpa é toda nossa, não dos 10 factores, que magistralmente desenvolve!
Pois essa da culpa… Já disse das minhas angústias lá mais acima em resposta ao Pedro F.
É facto… não factor!
Ok.
Um Grande comediante que, apesar de ter falecido há uns anos, as suas palavras fazem cada vez mais sentido, quando fala da qualidade dos políticos e, curiosamente, tirando a referência ao País, não sei até que ponto chega a globalização pois, tudo o resto, encaixa na perfeição, até com a próxima campanha presidencial e, se eu não concordava com a parte do não votar, começo a pensar se ele, realmente, não terá razão. 3f0
Faz todo o sentido que o problema esteja nos cidadãos e não nos políticos porque, cidadãos egoístas e ignorantes, só podem eleger aquilo que a própria sociedade produz… políticos egoístas e ignorantes.
Muitos, devem-no conhecer mas, estes 3 minutinhos e 19 segundos do vídeo que aqui vou deixar em referência… fazem todo o sentido neste poste do Rui.
YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=07w9K2XR
Yep. Vale a pena ver o vídeo.
Que texto tão certeiro, parabéns. Acho que está aqui tudo.
Obrigado pela leitura, Luís.
É só para lembrar: Hoje é o decimo primeiro dia!
Certo. Mas nem todos foram úteis.
Não há dúvida, trata-se de uma cambada de imbecis!
Tenho dificuldade em contrariar essa visão.
Captado no DN on-line, autoria de comentador identificado como A raiz da partidocracia:
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1) Desde a instauração da “democracia”, a qualidade dos partidos em Portugal tem caído constantemente, estando hoje ao nível do lixo. Os portugueses não têm controlo sobre os seus políticos. A “casa da democracia” é na realidade a casa da partidocracia. O chamado “julgamento nas urnas” é um logro, pois os candidatos das listas perdedoras têm garantia prévia de que se mantêm no parlamento, duma maneira que não tem relação com a vontade dos eleitores. Na verdade, os eleitores nem sequer têm oportunidade de se pronunciar sobre os candidatos. Podem ser agentes secretos, maçons ou outra coisa qualquer, não interessa: a ida para o parlamento não depende do seu voto. A causa profunda do problema é a ausência do voto nominal no sistema eleitoral.
2) Os portugueses têm menos direitos democráticos que os outros europeus. As chefias partidárias fazem listas cuja ordem é essencial, mas é imposta. As listas não figuram no boletim de voto e é impossível votar num membro da lista sem os anteriores terem sido já “eleitos”. Surgem os “lugares elegíveis”, que dão aos candidatos dos maiores partidos a GARANTIA de que vão ser deputados, independentemente dos votos. Em cada eleição, o cenário é sempre o mesmo: semanas antes de ser deitado o primeiro voto, parte do elenco parlamentar já está decidido. Como não existe uma relação entre o voto e a atribuição dum lugar de deputado, os deputados NÃO representam os eleitores. Seguramente representam alguém, mas não é quem vota.
3) As consequências deste sistema são muitas e graves
(A) Os barões dos principais partidos vivem na impunidade. Sabem que não podem ser desalojados do parlamento pela via dos votos. Mesmo com baixas intenções de voto, têm muitos “lugares elegíveis” para onde se refugiar. Isto influencia o seu comportamento de maneira decisiva.
(B) Corrupção: os lóbis contornam o eleitorado e agem diretamente sobre os oligarcas do parlamento para fazer valer os seus interesses. Na prática, são os lóbis que têm representação no parlamento, não os eleitores.
(C) Cria-se um “fosso” entre cidadãos e políticos e um (forte e crescente) sentimento de desprezo e ressentimento dos cidadãos para com os políticos portugueses.
(D) A ausência de voto nominal bloqueia a renovação interna dos partidos. 4) 4)
4) “Renovação” é uns serem substituídos por outros. É o papel do eleitorado dizer quem vai e quem fica. A maneira natural e democrática de conduzir a renovação é os novos políticos que têm mais votos ascenderem gradualmente às chefias dos partidos. Porém, como o sistema eleitoral impede os eleitores de expressar preferências dentro duma lista, o sistema está na realidade a impedir o eleitorado de exercer o seu papel na renovação partidária. Atualmente, as chefias partidárias eternizam-se e só os que têm o seu beneplácito sobem nas estruturas partidárias.
Não é um comentário. É um ensaio.
Desconhecia esse calibrador.
Exatamente por tudo isto, nós que ainda acreditamos na democracia temos a obrigação de apoiar iniciativas cidadãs como o Livre.
Faz também falta algo do género no centro-direita.
Houve debate aberto sobre o programa eleitoral, os candidatos a deputados foram ordenados consoante os resultados de uma votação livre, os estatutos do partido garantem o seu caráter de movimento cidadão em completo contraste com a “partidocracia mafiosa tradicional” de rosinhas e laranjadas.
Em 5 milhões de eleitores, só eu e outros 39 mil votámos numa verdadeira mudança democrática.
Resultado: lista cidadã 0 – boys 229.
(e vamos ver no que dá o PAN)
Como repito frequentemente: Portugal não é hoje o país que mereço ter, mas é a amostra de país que a maioria dos ignorantes escolhe.
Os portugueses, todos, ainda um dia vai agradecer a Cavaco Silva este compasso de espera.
Esta espera serve para expôr essa esquerda estranha que surgiu de um momento para o outro.
É que ninguém conhece esta esquerda que quer governar sem compromissos.
Costa fica dentro os outros ficam de fora.
Este compasso de espera serve para reflectirmos e ficarmos de pé atraz.
Hmm.
Captado no DN
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5) Não é por acaso que os políticos nunca falam do sistema eleitoral. Livres do escrutínio democrático, os partidos foram todos tomados por oligarquias que detém o monopólio do poder político. Com o passar das décadas, essas oligarquias partidárias capturaram não só o sistema político como o próprio regime e as instituições do Estado. A maioria dos problemas de demagogia, corrupção e desgoverno vêm daí, direta ou indiretamente . A imunidade da classe política permite também explicar porque razão a denúncia de situações ou atos escandalosos é geralmente recebida pelos seus causadores com indiferença. Desde que mantenham uma boa posição no partido, o pior que lhes pode acontecer é passarem os anos seguintes no parlamento.
6) Se analisarmos como as votações funcionam, percebemos que é injusta a ideia de que os políticos são maus porque os eleitores são maus, ou maus a escolher. Os eleitores até são bastante exigentes: o problema é que não dispõe dos meios para impor os seus padrões de exigência na seleção dos políticos. A maioria das opções democráticas são-lhes negadas pelo sistema eleitoral. Não podem dar força eleitoral a quem o merece, o voto branco não é tido em conta na atribuição dos lugares de deputado, não têm o direito de iniciativa legislativa, os referendos estão limitados nas matérias sobre que podem incidir, o parlamento pode bloquear uma iniciativa referendária, os ministros não têm de ser deputados, etc , etc .
7) Não é possível desbloquear a partidocracia portuguesa sem mudar o sistema eleitoral. Felizmente há uma maneira simples e que não altera o equilíbrio entre os partidos e sem círculos uninominais. É manter o atual sistema, mas dando aos eleitores a possibilidade de ordenar as listas através dum voto preferencial. As listas são incluídas no boletim de voto e os eleitores votam num candidato duma lista. Esse voto conta também como um voto na lista, de modo que o método de D’Hondt continua a poder ser usado exatamente como agora. O que muda é ordem de atribuição dos lugares de deputado, que passa a ser em função de quem recebeu mais votos. Nenhum candidato tem garantia prévia de ser eleito: passa a haver escrutínio.
Não esquecer o acesso a eleições para a AR de listas de independentes.
A proibição constitucional ao acesso de independentes a eleições para a AR é um embuste acarinhado pelas “elites” partidárias, inúmeros “bem” pensantes e a subserviente comunicação social.
O tema merece, pelo menos, discussão.
Absolutamente. Se as partidarites quando lhes convém recorrem a independentes para acrescentar crédito aos respectivos redutos, é inquestionável que estes devem ter liberdade para se organizar de modo a correr pelo próprio pé. Isto deve constituir uma exigência inadiável da sociedade.
Idem.
Idem.
«É óbvio que não existe qualquer afinidade substancial entre a mundividência política do PS e aquela que defendem comunistas e bloquistas.»
Olhe que não, olhe que não… Com José Sócrates o PS tornou-se um partido de extrema-esquerda: impôs o AO90 (algo que nem António Guterres se atreveu a fazer), legalizou os «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo (idem), nacionalizou um banco, e, claro e principalmente, gastou tanto e tão mal que levou Portugal à bancarrota. Um breve hiato de alguma e aparente contenção com António José Seguro foi – e está a ser – seguido de «mais do mesmo» com António Costa. A radicalização é também evidente na linguagem, como você próprio refere em baixo: «Tiago Barbosa Ribeiro apelida o Presidente eleito de gangster. Ana Gomes encontra uma relação causal entre a governação de Passos e os suicídios nas polícias» – o que, aliás, está em consonância com o tom que o actual secretário-geral tem adoptado, indo ao ponto de ameaçar jornalistas e emulando assim o seu ex-chefe. E, enfim, quando o PS de hoje efectivamente renega o PS de há 40 anos ao recusar comemorar o 25 de Novembro no parlamento, que dúvidas podem subsistir de que extremou as suas posições?
«O novo Presidente da Assembleia da República, a 2ª figura do Estado, é alguém da envergadura de Eduardo Ferro Rodrigues. Esta circunstância seria, só por si, suficientemente vexatória para a República.»
A «república portuguesa» é, em si mesma, um vexame. Descomunal.
Até à data tinha sido também descomunista.
Qual a diferença entre Portugal e o Luxemburgo? Somos mais complicados, menos democratas e não queremos aquilo que pode ser de outra maneira, diferente daquela a que estávamos habituados, mas que pode ser e tem de ser.
A diferença:
Um politico Luxemburguês quando vai a votos não vigarista para com o seu povo… O povo sabe com o conta… ele não esconde dos eleitores que pode ter de fazer acordo(s) de governação…
Não como o excremento PS!
António Costa disse em campanha que votaria contra o orçamento, logo, nada foi escondido dos portugueses. Como todos os portugueses sabem ou devem saber, o povo português foi a votos para o parlamento e não para um primeiro ministro. É bom que não se confundam as coisas para sermos correctos e sérios. Anda tudo muito confuso e enganado e por isso, há que dizer tudo, sem omitir nada. O PSD em 2011, só fez coligação depois das eleições e ninguém disse nada, todos aceitaram sem dramatismo. Está tudo constitucionalmente correcto, logo temos de deixar que as coisas sigam o ritmo certo, mas que já vai bem atrasado devido à incapacidade do Presidente. Há que aceitar os factos e desejar que venha um governo que nos levante o ânimo e nos dê mais dignidade que bem precisamos.
Deve ser defeito meu mas eu estou-me quase nas tintas para os empréstimos de Sócrates.
Sócrates deveria estar a ser julgado por ter levado o país para a bancarrota.
Pois o meu feeling é que uma coisa e outra têm uma forte ligação.
O Sócrates pode ser tudo e mais alguma coisa, agora dizer-se que foi o Sócrates a levar o país à bancarrota, essa é demais. Por essa lógica, os outros governos até aí foram o máximo? Foi tudo bom? Que país é que esteve em bancarrota? Portugal não foi, isso é uma certeza e é bom que se digam as coisas correctas para não induzir os demais em erro. Diga que Portugal pediu ajuda externa e diga que tudo começou com o Lemon Brothers. Explique tudo, como deve ser e não só o que apetece dizer, para iludir, os que se deixam enganar.
Rui,
não sei se foi a vitória de ontem a musa para escrever este texto, mas é de todos os que li o que melhor espelha a nossa (paupérrima) classe política.
Todos ou quase todos com muito pouca ética e sem nenhuns escrúpulos. E dou por mim a perguntar se vale a pena esta democracia?
Tenho a consciência que o problema não é de hoje, nem de ontem. Mas com esta política e estes políticos de vão-de-escada jamais sairemos da cauda da Europa.
Ando mesmo desconfiado de que há altos interesses em perpetuarmos este marasmo…
Pela minha parte tenho-me abstido de votar precisamente por não acreditar em políticos, mas o que estará mal de facto nas democracias e sobretudo na nossa porque pelos vistos os políticos por cá não têm formação adequada para a gerirem é o de em vez de serem os políticos a proporem-nos as suas ideias deveria ser o povo a propor as suas sobretudo em meia-dúzia de assuntos fundamentais para a vida das pessoas e seria eleito quem se responsabiliza-se a cumpri-las, mas neste estado de coisas em que vivemos em que até os políticos têm para eles imunidade parlamentar, isto é servir-se do voto do povo para depois manobrarem as coisas a seu belo prazer.
facto 8, o sobre socrates.
O Rui, no caso, mas todo e qualquer um, pode eleger a resposta que espera do socrates. Sim, disse resposta, nao pergunta.
Se ( eu ) excluir que socrates foi PM, e fez vista grossa sobre as arbitrariedades de policias e juizes, nao é do socrates que espero respostas, mas da justiça por um ano nao chegar para formalizar a acusaçao.
No mais, vamos indo…
cpt
Natarda nada e ainda hão-vir aqui pessoas pedir o regresso de Salazar…
Atendendo a que o Estado Novo surgiu para terminar com a balburdia, corrupção e crimes da 1ª Republica, que me parece em tudo semelhante á actual creio ser uma opção a ponderar.
” Somos um país pequeno, com problemas sérios, e não podemos aderir a frentes débeis, só com o fim de proclamar que – brincamos às democracias. “
” A Nação não se confunde com um partido, um partido não se identifica com um Estado. “
Conclusão: É o País que temos e o povo que temos. Estas eleições serviram para as pessoas perceberem que temos uma constituição que define as eleições são para 230 deputados e não para 1º ministro. Em relação à PÁF, quando foi em 2011 além das mentiras de Passos Coelho, depois também não disseram que se coligavam. Do resto, as mentiras do costume por onde passam os partidos para chegarem ao poder.
Dizer que o Costa foi intelectualmente desonesto é desonestidade da sua parte.
O A. Costa fez o que os votantes PS querem, correr com esta paf destruidora do poder, para que não destrua ainda mais Portugal e arruíne ainda mais os Portugueses.
Ou acha que quem votou PS queria que o partido servisse de muleta para mais 4 anos de destruição, de mentiras e embustes, de utilização descarada dos meios de comunicação, principalmente a informação da RTP, para esconder todas as asneiras que foram sendo feitas?
Não brinquem mais com os Portugueses.
Quem preferia o Seguro deverá alterar o seu voto e deixar de votar no PS.
Dizer mal, com pinceladas de superioridade moral, acolhe sempre muitas palmas. Diga lá, senhor articulista, qual deveria ser o comportamento dos partidos, seus dirigentes e demais órgãos de soberania, face aos resultados das eleições. Mudar de povo, como sugerem alguns comentários? Dei-me ao trabalho de ler até ao fim o seu texto, mas devia ter parado quando diz que António Costa iniciou um processo intelectualmente desonesto. A tática de disparar em todas as direcções quando os resultados eleitorais não agradam é bastante conhecida.
Artigo de muito nível e acima de tudo explanando a que por cá se passa. Parabéns.
a) no total, quanto lhe foi “emprestado” pelo “amigo”; b) começaram, ou não, esses empréstimos quando ainda exercia funções governativas
Nem o Rui Rocha nem ninguém tem nada a ver com a vida financeira de José Sócrates nem dos seus amigos. Tal como o Rui Rocha certamente não quererá que se saiba quanto dinheiro lhe é emprestado, por quem e quando, também qualquer outro cidadão tem direito a manter esses assuntos sob reserva.
Trata-se de alguém que ocupou, e por tempo considerável, o cargo de primeiro-ministro deste país. Cargo que abandonou deixando o país a um passo da bancarrota e levando a uma longa vaga de austeridade, com terríveis consequências para tanta gente, longe de terminada e que, discuta-se por quem e com que variações de grau e sujeitos – e excepto para a mais descarada demagogia e reserva mental -, fatalmente teria e terá que ser aplicada.
De alguém que parece manter de há muito um estilo de vida por larguíssima margem insusceptível de ser financiado pelos rendimentos regulares ou acumulados que auferiu enquanto tal, e antes disso enquanto ministro, deputado, engenheiro-técnico, o que quer que tenha sido na vida pública e em resultado dessas funções e actividades.
Alguém que não tem presentemente actividade profissional conhecida e que lhe permita financiar auferir rendimentos minimamente compatíveis com o estilo de vida que continua a exteriorizar.
Alguém sobre quem pendem gravíssimas suspeitas, envolvendo somas elevadíssimas.
Alguém que pretende explicar tudo isso, tudo isso ao longo de anos e anos, com a amizade e a prática reiterada da concessão por amigos de generosíssimos empréstimos. De uma ordem de valores que transcendem o que o cidadão comum – esse cidadão comum ferreamente vigiado por um fisco que entende que tem tudo a ver e tudo pode saber, sempre que quiser e invertendo o ónus da prova, da sua vida financeira – pode conceber como uma ajuda prestada entre pessoas unidas por laços de sólida e duradoura amizade e confiança.
Alguém que, assentes estes pressupostos (e outros haveria), ressurge repetida e ruidosamente, por estes dias, nessa vida pública, com exuberante vontade de nela se reinstalar em posição de voluntário destaque, afirmando sonoramente, peremptoriamente, repetidamente, em cuidadosamente coreografadas sessões de desagravo, a sua absoluta justeza e a absoluta injustiça de tudo à sua volta.
E pretende-se sustentar, afirmando-o taxativamente, que ninguém tem nada a ver com isso. É extraordinário.
Costa
Muito bem. Mas tudo isso que Você diz não retira a José Sócrates os seus direitos como cidadão. Desses direitos faz parte o direito a ser investigado pela Justiça, mas sem que as investigações andem pela praça pública; e a que as suas finanças pessoais sejam dissecadas, mas não divulgadas em público.
Ou seja, Sócrates tem os mesmos direitos que o Rui Rocha, eu ou Costa têm direito; nomeadamente, o direito à privacidade da sua vida financeira.
Ah. Então, em devido tempo, no tempo para isso próprio no âmbito do devido processo, todos teremos tudo a ver com as finanças de Pinto de Sousa. Todos, Lavoura incluído. Já o temos, na verdade – e dada a magnitude da coisa e a relevância da pessoa na vida nacional não poderíamos, excepto se abdicássemos da nossa condição de cidadãos, deixar de ter -, estará é diferida a sua concretização.
No plano dos princípios, aceite a vigência de um sistema que consagra o segredo de justiça, eu propenderia a concordar consigo, agora que você revê de forma substantivamente radical a posição que antes afirmara.
Onde começa e acaba o segredo de justiça, é coisa que deixo para a mais qualificada elaboração por outros, onde suponho que não se integrará o Lavoura. Até que ponto foi ou está a ser o segredo de justiça, enquanto valor jurídico com evidentes méritos a proteger aqui violado, é coisa sobre que igualmente não tecerei mais considerações.
Todos sabemos como o nosso sistema de justiça é frequentemente pouco edificante aos olhos do cidadão comum e comummente receptor das suas decisões: seja pela lenta agonia do decurso processual e que o simples “tempo da Justiça” por si só não poderá – por insanável contradição – explicar; seja pela bem conhecida ausência de efeitos práticos da sua actuação, ou porque as decisões substantivas são despojadas de concreto efeito pelo rendilhado das disposições adjectivas, ou porque a demora da sua marcha impede na verdade a concretização da justiça tempestiva – aquela que é a verdadeira justiça – mais parecendo uma teatralmente, liturgicamente, muito bem elaborada, e extremamente cínica, denegação de justiça.
Nesse edifício que parece viver a sua própria realidade, algo divorciada da outra (a de todos nós), surge o segredo de justiça. Quem lhe causa as fugas, por vezes dir-se-ia judiciosamente criadas num tantalizador conta-gotas? E não é ele manipulado por todas as partes, na medida das suas conveniências, sendo ora algo absolutamente natural e inevitável, dir-se-ia irrelevante para o processo, ora uma violação absolutamente intolerável dos direitos dos envolvidos? Para que o segredo de justiça na prática nos mereça respeito, deverá merecê-lo.
Há depois a questão não jurídica. José Sócrates não é Rui Rocha, Lavoura ou Rui Costa. Das suas decisões, pela posição que ocupou, sobraram para nós bem longevos efeitos; o que dele se investiga agora tem a ver com factos ocorridos, e de relevantíssima dimensão, nesse tempo em que tomou essas decisões, em funções de grande relevância no estado. Não foi – não foi apenas – um cidadão, um qualquer de nós três, que tenha por cabalmente explicar um ou outro facto de interesse para a Justiça, mas que decerto verdadeiramente irreleva para o vizinho do lado. Foi um homem público, com laivos de Conducator (que ainda hoje se fazem manifestar). Um homem público que de toda a evidência saboreia e cultiva intensamente cada segundo nessa condição, não denotando um átomo de pudor e contenção perante a quase (quase?) idolatria que lhe é devotada por alguns.
Não serão factos de relevância jurídica (dirá o Lavoura), pois perante a Justiça e tendencialmente todos somos iguais em direitos e deveres (máxima que crescentemente requer uma especialíssima bonomia para ser aceite; ou não fosse da esfera partidária de Sócrates que renasceu a célebre tirada “para os nossos amigos tudo; para os nossos inimigos, nada; para os outros, cumpra-se a lei”). Mas não serão factos de relevância pública, legitimando o tratamento público dado a informações sobre alguém que de forma tão exuberante, e não apenas por normal consequência de funções desempenhadas, se elevou acima do simples cidadão e lhe condicionou decisivamente a vida?
Quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele.
Costa
Ainda não entendi o problema resultante das eleições de outubro. Formou-se uma AR e daí formaram-se grupos parlamentares e coligações parlamentares. De um lado uma com maioria parlamentar e do outro lado outra com minoria parlamentar. Mas alguém neste país quer um governo em minoria? Quer um governo de uma cor a governar com as leis da outra cor? Vejam, por exemplo, o que aconteceu com a co-adoção e com a ivg. Mais do que acordos escritos ou ideologias semelhantes, temos na assembleia uma esquerda fortemente unida contra estes quatro últimos anos e isso é o suficiente para nos deixarmos de perder tempo e fazermos o que devemos fazer.
Eu não quero acordos públicos nem quero pompas e circunstâncias, eu quero é que a maioria da assembleia governe e que haja estabilidade política no país.
Disse.
Caro queima beatas
“Se analisarmos como as votações funcionam, percebemos que é injusta a ideia de que os políticos são maus porque os eleitores são maus, ou maus a escolher. Os eleitores até são bastante exigentes: o problema é que não dispõem dos meios para impor os seus padrões de exigência na seleção dos políticos.”
Os eleitores da tua jaez são maus. Corrijo, são muito maus. Só sabem vociferar contra o poder, clamando que não dispõem dos meios para impôr… o quê? Prontamente, assim que surge a oportunidade, apressam-se a obedecer cegamente a quem detenha esse poder.
Somos impotentes para impôr exigência nas qüestões sobre os impostos e os seus valores e taxas, os salários, o código do trabalho, o sistema de justiça, a saúde, as sinecuras dos pulhíticos, a corrupção e tantas outras coisas. Somos impotentes para travar attitudes e pulhíticas que consideramos lesivas dos nossos interesses e do interesse da communidade. Aceito isso tudo cômo verdade. Porém, quando surge a opportunidade de colôcar um travão a isto, quando detemos na nossa mão a possibilidade de impedir os pulhíticos de fazerem asneira e prejudicarem gravemente o interesse nacional, o que fazemos? O que fazes?
O accôrdo hortho graphicco de 1990 está a ser impôsto por um babaca marteleiro que, contingentemente, detém o poder. O babaca marteleiro apresentou a sua proposta à communidade, mas os seus argumentos, estúpidos e offensivos, não conseguiram convencer as pessoas que utilizam a escripta cômo utensílio de trabalho. De 1991 a 2008, milhares de pessoas continuaram a aprender a arte da escripta praticamente da mesma forma cômo tinham aprendido os seus ascendentes desde 1945. (Tu, seguramente, estás incluído no grupo.) Porém, o babaca marteleiro, escudando-se no poder que lhe caiu nas mãos e não lhe foi suffragado, impõe a sua visão de cômo todos devem escrever. O babaca marteleiro, por artes misteriosas, conseguiu colôcar a machina do Estado a obrigar as pessoas a escreverem cômo ele quer.
Porém, há maneira de travar este babaca marteleiro. A escripta é dos poucos assumptos em que nós temos o poder de impôr aos pulhíticos os nossos “padrões de exigência”. Surge assim, a nossa oportunidade de demonstrar o nosso poder. E o que fazes tu?
Quando surge a oportunidade de demonstrares, inequìvocamente, que não estás disposto a sanccionar qüalquer allarvidade destes pulhíticos que este sistema engendra, tu apressas-te a rugir cômo um leão: miau…
Boas pedaladas.