Pedro Passos Coelho tem utilizado uma linguagem colorida em diversas ocasiões. Desde a referência ao pote ainda em campanha eleitoral, passando pelos piegas ou pela porcaria na ventoinha e acabando no mais recente que se lixem as eleições. Em geral, não parece um tipo de discurso apropriado à responsabilidade que lhe cabe. Não existe qualquer necessidade de acrescentar a erosão do nível da linguagem à evidente degradação da imagem das instituições. E a linguagem própria da conversa de café é absolutamente de evitar quando existe o risco de ser interpretada como um rótulo negativo que se cola à generalidade dos portugueses. É provável que nenhum erro governativo tenha afectado tanto a imagem de Pedro Passos Coelho como o célebre episódio dos piegas. Isto dito, há momentos em que a utilização de linguagem não institucional faz todo o sentido. Em situações em que o país ou os governantes se encontram extremamente pressionados e perante escolhas fundamentais, não tem o mesmo efeito utilizar termos redondos como o país está acima dos interesses particulares ou encher o peito para dizer que se lixem as eleições. No primeiro caso, trata-se de uma fórmula estafada, utilizada por todos, a propósito de tudo e de coisa nenhuma. No segundo, a coloquidalidade da linguagem introduz uma nota de novidade e tem o efeito de um murro na mesa. Aqui, a linguagem é o contexto de um subtexto que incorpora uma intenção de ruptura, um corte com práticas e políticas cansadas. Daí que o problema dessas declarações de Passos Coelho não esteja no tipo de linguagem utilizada. Pelo contrário, desaconselhável noutras circunstâncias, esta apresenta-se como totalmente adequada à crise que vivemos, à necessidade de profunda mudança e de corte com o passado. A questão está por isso na vinculação à mensagem. A expressividade das palavras confere-lhe a natureza de um grito. Que todos ouvimos. Gritada como foi, a mensagem vincula Passos Coelho a cumpri-la nas suas acções. E vincula-nos a nós como juízes do seu cumprimento. Não há decisão que Passos Coelho venha a tomar que possa escapar do pano de fundo desse que se lixem as eleições. E não há juízo que possamos formular que não deva tê-lo em conta. Em caso de incumprimento, Passos Coelho está bem lixado.
Que se lixem as eleições
Rui Rocha,

Li com mais cuidado o texto..peço imensa desculpa pelo comentário anterior. Eu é que estava fora do contexto. Se não o incomodar…remova-o!
Mais uma vez.. as minhas desculpas.
No problemo, Io
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Caro Rui,
creio que o PP de PP não gostou do desabafo.
Sim, os sinais parecem ser nesse sentido…