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Um ano está quase a chegar ao fim.
É o momento de vos perguntar que livros gostaram mais de ler em 2019. De qualquer género – ficção, ensaio, poesia, memórias, biografia.
Depois de saber que títulos elegeram, também eu vos darei nota das minhas melhores leituras entre Janeiro e Dezembro.

O Pedro anota em que datas lê um livro? Eu não. Não faço ideia se li um determinado livro em fevereiro de 2019 ou em outubro de 2018.
Data e local.
A lápis, no fim do livro.
Faço sempre isso. Há muitos anos. E dá jeito, sempre que revisitamos um livro.
“Data e local?!”
Começa onde acaba?
Registo onde termino a leitura. Contexto temporal e espacial.
E depois também arruma os livos na estante pela ordem pela qual os leu?
É que, se não fizer isso, terá na estante, misturados, livros lidos em diversos anos.
Isso não faz sentido. Arrumo-os por géneros literários. E, dentro de cada género, por ordem alfabética.
Mas se arruma os livros por géneros literários (o que faz todo o sentido), como é que depois consegue lembrar-se de quais os livros que leu no ano transato? Pois se eles estão nas prateleiras misturados com os livros lidos em todos os anos anteriores…
Tenho um ficheiro no computador em que vou registando as leituras.
Tenho um ficheiro no computador em que vou registando as leituras.
OK. Assim, está tudo explicado.
Se lhe apetecer, faça o mesmo. Não cobro direitos de autor.
O Pedro é um homem muito arrumadinho e sistemático. A imensa maior parte das pessoas não é assim.
E nunca lê livros pedidos emprestados de bibliotecas? A minha mulher, por exemplo, farta-se de ler, mas não compra livro nenhum – são todos da biblioteca do bairro.
Santa Paciência
É por uma questão prática. Como tenho cerca de três mil livros, preciso de arrumá-los com método.
Aliás há uns anos, quando decidi organizar a minha biblioteca doméstica, escrevi aqui uma série de textos dando nota desta empreitada.
Só utilizei bibliotecas públicas quando era estudante – sobretudo no liceu. Mas em 2020 tenciono recorrer com alguma regularidade à simpática Biblioteca do Palácio Galveias, em busca de livros para completar as minhas leituras de autores portugueses do século XX.
em 2020 tenciono recorrer à simpática Biblioteca do Palácio Galveias, em busca de livros para completar as minhas leituras de autores portugueses do século XX
Faz bem. Esse género de livros (clássicos) encontra-se em qualquer biblioteca pública e, portanto, não vale a pena comprá-los.
Em relação a alguns é mesmo por questão de espaço. Os vários volumes de ‘Em Busca do Tempo Perdido’, por exemplo.
Sem querer mostrar serviço, os melhores do ano:
Oryx and Crake; the Year of the flood; MaddAdam (Margaret Atwood).
Cloud Atlas (David Mitchell);
Os brilhantes do brasileiro (C.C. Branco).
Moça deitada na grama (Crónicas de Carlos Drummond de Andrade)
DVO
Muito bem, já vi que foi ano de muitas (e boas) leituras.
Banda Desenhada: La Passion de Dodin-Bouffant, de Mathieu Burniat. (E releitura, porque adorei, me revi menino: Tanguy et Laverdure, Baroud Sur le Désert, de Charlier).
Ficção: Le Chagrin des Belges, de Hugo Claus. Portuguesa: Ernestina, de Rentes de Carvalho.
Ensaio: The Hedgehog and the Fox, de Isaiah Berlin.
Ernestina, muito bom.
Isaiah Berlin: pensador de cabeceira, cá para mim.
Banda desenhada: tenho um texto pronto a falar disto. Daqui a poucos dias.
BD? Fico à espera (dos postais que escrevi em 2019 o que prefiro é sobre BD, uma autobiografia)
Sim, esse merece figurar na próxima antologia do blogue.
Estou a agradecer a gentileza, camarada coordenador.
Dá para pôr aqui o link, jpt?
Obrigada.
🎄
Maria
Obrigado pelo seu interesse, Maria. O texto é longo (e carregado de imagens) pelo que apenas o liguei aqui [https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p t/a-minha-autobiografia-10602951] – nisso colocando-o sob a tutela do DO, claro
Para acesso directo está no meu blog: https://estan.blogs.sapo.pt/marjori e-o-meu-primeiro-amor-8930
Tanguy et Laverdure, grande BD
Tenho lido muito pouco de BD, mas o meu filho emprestou-me o “Os Vampiros” de Filipe Melo e Juan Canvia. Gostei bastante do tipo de ilustração, não sei porquê lembrou-me Corto Maltese
Tanguy e Laverdure: segui durante anos a BD (de Jijé). E vi a série que dava na TV, ainda a preto. Chamada ‘Os Cavaleiros do Céu’.
Não lia há décadas. Um dia comecei a falar da Marjorie com um amigo recente. E ele ofereceu-me o 6º volume da integral que foi publicada há poucos anos (depois ofereceu-me também o 8º volume). Foi uma delícia
Crónicas dos Dias do Lixo, de José Pacheco Pereira.
Os Privilegiados
Como os políticos e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos,
de Gustavo Sampaio.
Livro Rosé de Sua Santidade o Camarada Presidente Vieira,
de Manuel João Vieira.
Qual presidente Vieira?
Luís Filipe Vieira? Lagarto, lagarto…
Livro Rosé de Sua Santidade o Camarada Presidente Vieira
Isso recorda-me de um livro de (semi-)ficção que li, salvo erro este ano: Sua Excelência, de Corpo Presente, de Pepetela. Recomendo.
Livros que gostei mais de ler em 2019
A Ponte para a Eternidade, de Richard Bach
Escritos sobre os Índios, do Padre António Vieira
O teu olhar ilumina o Mundo, de Susana Tamaro
Trilogia suja de Havana, de Pedro Juan Gutierrez
Povo da Terra, de Michael e Kathleen Gear
Código da Inteligência, de Augusto Cury
A Amante do Governador, Jose Rodrigues dos Santos
O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris
O ultimo cabalista de Lisboa, de R Zimler
O veleiro de cristal, de José Mauro de Vasconcellos
Se mais Mundo houvera -a volta ao mundo em 691 jogos do Benfica, de Afonso de Melo
Assim de repente….
Vocês nunca desistem de fazer proselitismo. Parecem certas seitas religiosas.
Foi um dos livros que mais gostei de ler este ano, excelentemente escrito, juntamente com os outros que referi.
Não sei se parece uma seita, se é a isso que se refere, penso que é um comentário desadequado e faccioso, face ao assunto do post.
Se é sobre o “Escritos sobre os Indios”, na verdade a Companhia de Jesus era vista em certos meios eclesiásticos quase como uma seita.
Ou então o Tatuador e o Ultimo Cabalista, podem referir-se a uma “seita”, que é um epíteto muito usado para caracterizar os Cabalistas ou o Judaismo.
Se há coisa de que me orgulho é da minha visão ecuménica, por isso declino essa definição de proselitista.
Se você tem “visão ecuménica” porque não leu o livro do ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho – aliás escrito por um assumido benfiquista?
Porque não tenho qualquer interesse em Bruno de Carvalho, nem pela sociopatia na generalidade.
Mas se quer saber, do mesmo autor, que também é benfiquista, recomendo-lhe um bom livro ” Sonata para 5 Violinos”, que li há uns 10 anos. Além de muito bem escrito, e apesar de eu ser benfiquista, ajuda a conhecer uma das melhores linhas avançadas de sempre. Eu devo ser dos maiores admiradores de Jesus Correia, de quem a maioria dos sportinguistas que conheço nem sabe a história.
Ou então, 100 anos: Benfica-Sporting, Sporting-Benfica, também de Afonso de Melo, um livro cheio de histórias e pormenores desde o excêntrico ao curioso, nos jogos entre os eternos rivais.
Pensava que o post era sobre os livros que os leitores mais tinham apreciado neste ano, mas afinal parece que havia requisitos prévios para o que se pode mencionar.
Se era admirador do grande Jesus Correia, merece a minha consideração.
O Afonso de Melo, meu adversário de subbuteo é um benfiquista muito louvável
Conheci-o em 2006, quando acompanhei como jornalista a campanha presidencial de Manuel Alegre. Onde os benfiquistas tinham presença dominante.
E um grande escritor. Adoro a sua forma de nos prender a uma narrativa.
Quando leio algo dele, lembro-me sempre do filme Magnólia, tal é a inteligência da narrativa, e um “je ne sais quoi” de excentricidade.
Só um ignorante do desporto não pode ter admiração por um dos melhores desportistas de sempre – era excelente em atletismo, natação, saltos para a água.
No futebol, que abandonou antes dos 30 anos!, porque o Sporting pediu-lhe para optar entre o futebol e o hóquei, tem quase metade dos títulos de Campeão Nacional conquistados até hoje pelo Sporting.
Fez parte da selecção nacional que bateu a Espanha pela primeira vez.
No seu grande amor, o hóquei em patins, foi 8 vezes campeão pelo Paço de Arcos, e iniciou a Era dourada do hóquei português, ganhando o 1º titulo mundial por Portugal, coleccionando entre mundiais e europeus mais de metade dos títulos conquistados por Portugal.
Como seleccionador, ainda se sagrou também campeão mundial (total de 8 Mundiais e 6 europeus, entre jogador e treinador).
Eu assisti à inauguração do novo Alvalade, e lá estava ele, justamente convidado, como ultimo dos 5 violinos vivos, a dar o pontapé de saída.
Um gentleman, e uma Lenda do desporto português.
De qualquer género – ficção, ensaio, poesia, memórias, biografia.
Os livros que gosto mais de ler são geralmente de divulgação científica.
Acho que foi em 2019 que li The third chimpanzee de Jared Diamond e A economia dos pobres de Duflo e Banerjee. Recomendo vivamente ambos.
Acha?
Essa memória não anda famosa.
Se me permite:
Colapso, o grande calhamaço, de Jared Diamond.
Tecido do Cosmos, de Brian Green
O Colapso li há já bastantes anos. Foi até o primeiro livro desse autor que li.
Cosmologia não é ciência que me seduza.
Subvertendo a pergunta, que pede ‘livros’, respondo: a poesia de Manuel António Pina, à mão de semear, por aí, na net.
Gosto muito da poesia de Manuel António Pina, como gostava das suas crónicas.
Mas a minha pergunta é especificamente sobre livros, Isabel. Não sobre o que se vai lendo na internet.
Aqui vai:
– Enquanto elas dormem, Javier Marías
– Cuando la sociedad es el tirano (em Castelhano), Javier Marías
– O Estado a que Isto Chegou, Alberto Gonçalves
– Emigrantes, Ferreira de Castro
– A Um Deus Desconhecido, John Steinbeck
– As três vidas, João Tordo
– Coração tão branco, Javier Marías – O MELHOR!!!!
– Todo-o-Mundo, Phillip Roth
– A demanda de D. Fuas Bragatela, Paulo Moreiras
– Vale Abraão, Agustina Bessa-Luís
– Eliete, Dulce Maria Cardoso
– Amanhã na batalha pensa em mim, Javier Marías
Muito ecletismo nessas leituras. Aplaudo.
Obrigado Pedro Correia
E aqui seguem as leituras para 2020:
Livro de Reveillon 2019-2020: Os Enamoramentos, Javeir Marías
Para 2020:
– Pessoas Normais Rooney, Sally
– Galveias Peixoto, José Luís
– Saber Perder Trueba, David
– O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingo Marmelo, Manuel Jorge
– Jogos de Raiva Carvalho, Rodrigo Guedes de
– La Coca Carvalho, J. Rentes de
– O teu rosto amanhã, #1 Febre e Lança Marías, Javier
– Crónicas do Mal de Amor, Elena Ferrante
– Fugas, Alice Munro
– Tu sabes o que queres, Kristen Roupenian
Alice Munro é uma das minhas escritoras preferidas. Gosto de tudo quanto escreveu.
Para 2020, Javier Marías está também entre as minhas prioridades literárias.
Só este ano li “O Retorno” de Dulce Cardoso. E gostei muito. Irei procurar esse Eliete (não conhecia, obrigado pela referência).
Esse livro de Dulce Cardoso integra a minha próxima lista de prioridades. A de aurores portugueses do século XXI.
“O Retorno”? Lê-o mesmo. Excelente
Sim, há 20 livros de autores portugueses do século XXI que quero ler em 2020.
O equivalente a um por ano. Inclui o Bruno Vieira Amaral, o Joel Neto e a Ana Margarida de Carvalho, por exemplo.
Há limite de caracteres? 🙂
Não por ordem cronológica, apenas porque sim…
“Retalhos da Vida de Um Médico”, Fernando Namora, da Caminho;
“Os escritores também têm coisas a dizer”, Carlos Vaz Marques, da Tinta da China;
“Vagabundos Cruzando a Noite”, Jack London, da Antígona;
“The Pleasures of the Damned”, Charles Bukowski;
“Hoje é Tudo Falso”, António Souto, da On Y Va
Gostei imenso de dois desses livros – o do Namora, lido há décadas, e o do London, lido mais recentemente.
Eurásia, de Bruno Macães, editado originalmente em inglês que os ingleses não parece terem lido..
Tem tradução portuguesa. ‘O Despertar da Eurásia’ da Temas e Debates.
A ler também do mesmo autor
“Belt and Road: A Chinese World Order
Você anda muito actualizado, presto-lhe essa homenagem.
Li e sugiro:
A Origem das Espécies. Darwin.Pub Europa-América
A Ordem do Tempo. C. Rovelli . Objectiva.
A Espiral da Vida . Nick Lane. Gradiva
Life 3.0.Being. Human in The Age of Artificial Intelligence. Max Tegmark. Penguin
O Livro dos Seres Imaginários. Jorge Luís Borges. Quetzal
Aproveitarei as V,s Sugestões para escolher leituras para próximo ano.
Teodolito da Septuagésima
Darwin – um dos clássicos mais recomendáveis fora do campo da ficção.
Livros:
The Sparrow, de Mary Doria Russell
Children of Time, de Adrian Tchaikovsky
Exhalation, de Ted Chiang
Realms, de Tony DiTerlizzi
The Left Hand of Darkness e The Tombs of Atuan, de Ursula K. Le Guin (releituras)
Banda Desenhada:
Nausicaa of the Valley of the Wind, de Hayao Miyazaki
Não foi o meu melhor ano de leituras, e foi mais um ano sem ler autores portugueses. A ver se para o ano mudo isto.
Andas muito anglófilo, João. Direi mesmo: exclusivamente anglófilo.
Os últimos anos têm sido quase exclusivamente anglófilos (bom, o Miyazaki é japonês, mas o livro que tenho – uma edição de capa dura lindíssima que me custou os olhos da cara – esta em inglês… O meu japonês está muito enferrujado, digamos assim). E digo quase porque a banda desenhada tem salvo a coisa – tem saído por cá óptima banda desenhada.
Mas a biblioteca lá de casa tem ganho alguns títulos portugueses. A ver se é para o ano que pego no Sena (salvo seja) e que regresso ao Vergílio Ferreira e ao Mário de Carvalho.
Olha que vale a pena, João. Entre as minhas leituras de 2019 incluíram-se 35 livros de autores portugueses do século XX. Dois terços destes livros são muito bons – e entre eles há mesmo várias obras-primas.
Maus, só três ou quatro. Tenciono falar de todos eles aqui.
Livros que não li em 2019:
A bíblia, os maias, a queda de um anjo, viriato, os bichos, cosmos, um pouco mais de azul, os capitães d’areia, e alguns outros mas poucos mais.
Livro(s) que vou lendo e relendo na cabeceira da cama:
Desassossego, assim falava Zaratustra.
De quando em vez releio uns poemas do david mourão-ferreira, julgo que o livro tem o título “entre o crepúsculo e a sombra”, e gosto de pensar, por ignorância, este artista é dos meus e é dos bons.
Também tem piada, fazer a lista dos livros que não lemos.
Dá para elaborar listas enormes. Os cem mais, os mil que ficaram por abrir, os dez mil que jamais leremos.
Entre os livros que não li, destaco este ano dois mega-repetentes: ‘Guerra e Paz’ e ‘Em Busca do Tempo Perdido’.
Pedro,
entre todos os que li, que não foram muitos, realço “Mau tempo no Canal” do ilhéu Vitorino Nemásio. (Este ano só li literatura portuguesa(Agustina, Nemásio, Aquilino, Namora, Torga…!!!)
Forte abraço.
Também dediquei grande parte de 2019 a ler ou reler autores portugueses, meu caro. Para colmatar lacunas diversas.
Todo um programa.
Eça, Agustina, Saramago, Aquilino, Lobo Antunes, Cardoso Pires, Vergílio Ferreira, Torga, Namora, Redol, Raul Brandão, Almada Negreiros, Sena, Sophia, Miguéis, Urbano, Mário de Sá-Carneiro, Joaquim Paço d’ Arcos, Tomaz de Figueiredo, Manuel da Fonseca, Nuno Bragança, Alçada Baptista, Helena Marques, Fernando Assis Pacheco, Rui Zink, Lídia Jorge.
Valeu a pena, sem sombra de dúvida.
Para o ano concluirei este meu plano.
E já tenho em vista iniciar outro, só com ficcionistas portugueses do século XXI.
Este foi um ano atípico para mim, quase não li romances, privilegiando contos, biografias, ensaios, memórias e poesia.
Pela mesma razão ainda tenho tudo desorganizado;
ainda assim, aqui ficam alguns títulos:
– Princípio de Karenina, Afonso Cruz
– O Primeiro Homem, Jacques Ferrandez (BD)
– Devoção, Patti Smith
– Instante, Wisława Szymborska
– Sophia, Isabel Nery
– A Invenção Ocasional, Elena Ferrante
– Vento, Areia e Amoras Bravas, Agustina
– Bem-vinda a Casa, Lucia Berlin
– Conduz o teu Arado sobre os Ossos dos Mortos, Olga Tokarcsuk
– Diários de Virginia Woolf
– Ingmar Bergman, Cristina Carvalho
– Harmonia, Antonio Colinas
Ainda ando a ler estes dois últimos, mas vou acabá-los em 2019 e ambos merecem ficar aqui.
🎄
Maria
Muito interessante, essa lista.
Olga, a Nobel de 2019, foi para mim uma excelente surpresa – precisamente com a obra que menciona.
Este ano li quatro de Agustina. Por esta ordem: ‘As Pessoas Felizes, ‘Fanny Owen’, ‘Os Meninos de Ouro’ e ‘A Sibila’.
É uma escritora que de algum modo exige de nós uma visita prolongada, nunca uma visita de médico.
Foi a lista possível, Pedro. Doença de familiar muito próximo obrigou-me a mudar a minha vida em tudo, até nas leituras.
Como detesto estar constantemente a interromper grandes obras, fui debicando pequenos livros, relendo quase toda a Sophia enquanto lia a biografia dela, lendo muitos livros de crónicas (esqueci de mencionar o do Gabo); foi, como disse, um ano atípico.
A Olga Tokarczuk já foi lida como eu gosto: de um fôlego, embora depois tenha relido algumas partes.
E foi uma boa surpresa, estou a ponderar comprar o Viagens que, segundo consta, ainda é melhor que o do arado.
Já li muitos da Agustina, mas ainda me falta ler outros tantos (pudera, ela fartou-se de escrever…)
Boas leituras, Pedro.

Maria
Coisas boas lidas este ano:
– Demasiados retrocesos: España 1898-2018, de Santos Juliá
– El triunfo de la democracia en España, de Paul Preston
– Dioses Útiles: naciones y nacionalismos, de José Álvarez Junco
– Después del 68: La deriva terrorista en Occidente, coord. por Juan Avilés, José Manuel Azcona e Matteo Re
– El golpe posmoderno: 15 lecciones para el futuro de la democracia, de Daniel Gascon
– La verdad de la tribu. La corrección política y sus enemigos, de Ricardo Dudda
– Pardines. Cuando ETA empezó a matar, coord. por Gaizka Fernández Soldevilla e Florencio Domínguez
(mal se nota que foi um ano monotemático, certo?)
Eheh. Sim, Diogo: pareces um pouco monotemático.
(Despertou-me interesse essa menção ao livro do Santos Juliá, recentemente falecido.)
Lidos (ou relidos) em 2019 e como tal assinalados: data e local de compra e de final de leitura (este último também registado na minha agenda; dessas em papel, que se guardam e se percorrem com mero rigor burocrático, nostalgia ou espanto – até tristeza – tantos anos depois); livros meus (nada a fazer, gosto de os ter, de os anotar, de a eles voltar a qualquer momento; de neles pegando recordar locais, momentos, o tempo em que os li e o fiz naqueles concretos exemplares), que me perdoem então as bibliotecas públicas, e certo comentador, cheias de mérito (as bibliotecas) – e certamente de livros em acordês – este meu reaccionaríssimo apego à propriedade privada e às memórias de uma vida:
– A Tertúlia Ocidental, António José Saraiva
– Os Pobres, M. Filomena Mónica
– Princípio de Karenina, Afonso Cruz
– Meridiano 28, Joel Neto
– Amok, Stefan Zweig
– Depoimento, Marcello Caetano
– Summer Before the Dark, Volker Weidermann
– The End, Germany 1944-45, Ian Kershaw
– Fanny Owen, Agustina Bessa-Luís
– José Manuel de Melo, a Cultura da União, Miguel Figueira de Faria
– Cebola Crua com Sal e Broa, M. Sousa Tavares
– As Pessoas Felizes, Agustina Bessa-Luís
– Tóquio, Diário, 1946, A. Franco Nogueira
– A Ronda da Noite, Agustina Bessa-Luís
– To Kill a Mockingbird, Harper Lee
– Acordo Ortográfico, Um Beco com Saída, Nuno Pacheco
– A vida no Campo, Joel Neto
– O Crepúsculo em Moledo, António Sousa-Homem
– A Lã e a Neve, Ferreira de Castro
– A Correspondência de Fradique Mendes, Eça de Queiroz
Há, claro, leituras ou releituras que não foram integrais. Um trecho que se relê, um livro que pelo tema ou pela forma se vocaciona para a leitura parcelar ou a consulta, mais do que para a leitura integral. Biografias, colectâneas de correspondência, um conto, uma crónica, um trecho de memórias (Eça, Raul Brandão, Marcello Duarte Mathias).
Tiraria dois ou três, não mais, desta lista, se tivesse que referir, correspondendo ao critério que enunciou, apenas os que gostei mais de ler. Não posso afirmar que não gostei de qualquer um deles. E mesmo não gostando, procuro levar ao fim uma leitura que tenha iniciado.
Costa
Felicito-o pela lista tão completa e sugestiva.
Anoto só algumas coincidências:
– Tenho ‘A Lã e a Neve’ aqui à mão já há uns meses: é releitura garantida a curto prazo, no âmbito do meu plano de visitar ou revisitar escritores portugueses do século XX;
– Também é só estender o braço e toco na recente antologia diarística de Marcello Duarte Mathias, com o feliz título ‘No Devagar Depressa dos Tempos’. Mais de 500 páginas a chamarem por mim;
– ‘As Pessoas Felizes’ e ‘Fanny Owen’ foram dois dos quatro livros de Agustina que li em 2019 (os outros foram ‘Os Meninos de Ouro’ e ‘A Sibila’).
Este foi o ano de
Correspondência Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena (devia ser leitura obrigatória no 12.º ano);
O Cristo Cigano, Sophia de Mello Breyner
The madness of crowds, Douglas Murray
The coddling of the american mind: how good intentions and bad ideas are setting up a generation to failure, Jonathan Haidt&Greg Lukianoff
Leon, l’africain, Amin Maalouf;
Middle England, Jonathan Coe;
Prisioners of Geography, Tim Marshall
Woke, Titania McGrath
Auto da Alma, Gil Vicente
Peter and Alice, John Logan
O livro da vida, Santa Teresa de Ávila (ficou a meio e será repescado brevemente)
Para 2020: mais ficção, mais poesia (que leio em modo avulso) e mais autores lusófonos.
Concordo em absoluto com uma sugestão que faz logo a abrir: o livro da Guerra & Paz que reúne a correspondência trocada entre Sophia e Sena devia ser leitura obrigatória no 12.º ano.
Escrevi há uns anos, no DELITO, sobre essa obra: 003316.html 002988.html
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4
Receio, no entanto, que muitos dos potenciais leitores se sintam mais estimulados a ler mensagens nos respectivos telemóveis.
Javier Marías – Enquanto Elas dormem
Joël Dicker – O Desaparecimento de Stephanie Mailer
Jen Campbell- Branco Puro
Mais 4 por acabar. Foi um ano muito trabalhoso, muito desmotivante e pouco produtivo.
Há anos assim, Maria Dulce. Comigo, em 2019, aconteceu felizmente ao contrário. Bom sinal.
Gostei muito de ler “O Retorno” e “Eliete”, ambos de Dulce Maria Cardoso. O primeiro marcou-me imenso, vi ali retratada uma realidade sobre a qual cresci a ouvir relatos.
Também gostei muito do “Princípio de Karenina” de Afonso Cruz.
Dois livros que tenho na minha lista para 2020.
(Revejo-me muito nessa frase, “nada acontece por acaso”.)
Em ano de preparação para a visita a Auschwitz em Maio li um dos livros que mais me marcou este ano e na vida:
Auschwitz e Depois, Charlotte Delbo
É uma obra prima que recomendo, principalmente nestes tempos conturbados.
Das outras leituras, não tantas como gostaria, destaco:
A Queda, Camus
O Estrangeiro, Camus
Portugal Amordaçado, Mário Soares
Livros que deixei a meio:
A Última Oportunidade do Homem, Bertrand Russell
Zero e o Infinito, Arthur Koestler
O Livro das Lendas, Selma Lagerlof
Auschwitz, de todos os locais que até hoje visitei, foi talvez aquele que mais me marcou: não voltamos de lá iguais ao que éramos antes de visitarmos aquele sinistro campo de extermínio.
Como o Papa respondeu, quando lá esteve, sente-se ali a «ausência de Deus». Que nos faz descrer, desde logo, na espécie humana.
Um dos livros que mais gostei de ler em 2019 relaciona-se precisamente com esse local: ‘O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz’, de Jeremy Dronfield. Recomendo vivamente.
Obrigado pela sugestão!
Tenho aqui para ler, entre muitos outros sobre o mesmo assunto. É um assunto pelo qual tenho bastante interesse e que nos últimos anos me tem levado a muitas leituras, algumas que me deixaram completamente sem palavras tal a crueldade que é relatada.
Muito bem. Se puder, espreite o livro que lhe indiquei. Verá que gosta.