Que confiança merece um político destes?


Sérgio de Almeida Correia,

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“Não misturamos justiça com política. Uma coisa é a legitimidade institucional do primeiro-ministro ou a confiança institucional que nele se pode ter e essa continua a ser total. Outra coisa é a fiabilidade política ou o valor da confiança política“

“Os partidos não são associações criminosas nem associações mafiosas. Os partidos não podem ser responsabilizados por actos que são praticados por agentes individualmente“

“Na minha análise – e estou convencido que é também a do PSD – não existe nenhuma diminuição do primeiro-ministro. Pelo contrário, sob o nosso ponto de vista, ele merece a nossa confiança institucional“

Pode não parecer, mas o mesmo político que em 2009, quando os socialistas estavam no poder, dizia o que acima se transcreveu, caucionando a actuação de José Sócrates no caso “Freeport”, é exactamente o mesmo que agora veio perguntar se “alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação?” 

0 comentários em “Que confiança merece um político destes?”

  1. Muita – até porque concordo com as duas afirmações!

    Essa do “caucionando” faz lembrar uma história citada recentemente, i.e.
    uma audição de tribunal numa periferia onde o Juiz, durante uma audiência, dirigindo-se a um interlocutor mais simples de espirito pergunta-lhe:
    “Então diga lá o que é se passa”
    O rapaz responde-lhe “Oh Sôr Dôtor Juiz, eu e o ‘não sei quantos’, nós ‘semos’ gays…”
    ” ‘Semos’ não – somos!” corrige o Juiz
    “Eu peço muita desculpa, Sôr Dôtor Juiz, nã sabiamos que o Sôr Dôtor Juiz também era!!”

    1. Alias um dos maus serviços que jornalistas e tudologos fazem a democracia é não aprofundar, tão fundo como possível, o facto real ,do porque da justiça ter iniciado uma fase de maior resultados concretos. Não me parece que os corruptos estejam a ser turbinados,agora!!
      E como podemos constatar, os elementos da judiciaria e o juiz C.Alexandre estão no lugar a 15 anos!!!

      1. O juiz Calos Alexandre está no lugar há 15, é pena, é que se tenha esquecido do Dias Loureiro que também está nas suas mãos. Quais são os resultados? Provavelmente é o Estado ter de pagar ao Sócrates, por estar preso e não terem as provas que justifiquem essa prisão. Primeiro investiga-se e apuram-se os factos e só depois se prende. Aqui anda-se ao contrário, primeiro prende-se, depois investiga-se. É injustificável que Paulo Rangel, homem do direito, tenha cometido tamanho erro, quando ele sabe que o que disse não o pode dizer.

  2. Por outro lado, alguém acredita que se o PGR e o presidente do STJ fossem outros bem conhecidos Sócrates estaria entregue á justiça? Maneiras de ver.

  3. Não sei se as 2 declarações são comparáveis, porque a primeira é uma abstracção. De resto, este tipo só diz banalidades e já não é a primeira vez que aparece a grasnar nas alturas das eleições. É o tipo de homem do sistema que definem o sistema: gongórico e ineficaz. A República toda.

    Uma nota suplementar: é mais novo do que eu e parece meu avô.

    Outra ideia suplementar: Acho que o PSD ainda não percebeu que pode ignorar olimpicamente o PS nestas eleições.

  4. Já que falou no assunto, Rangel devia ter ido ao fundo da questão e chamar os bois pelos nomes. Na minha modesta opinião ele estava a referir-se ao ex PSTJ Noronha do Nascimento e ao ex PGR Pinto Monteiro, que mandaram destruir provas que constavam num processo em investigação e que poderiam comprometer o 1º ministro de então, chegando mesmo ao ponto de retirá-las à tesourada do processo, coisa inédita num país civilizado.
    Mas esta pouca vergonha parece não incomodar o “bempensamento” indigena que passa a vida a falar do sexo dos anjos e, como neste caso, a assobiar para o lado.

  5. Era do interesse desta malta porreira que nos governa agora, não atacar Sócrates nessa altura, pois 1º era preciso tomar o partido (PSD) para a seguir tomar o País.

    O problema da justiça em Portugal é que é muito legalista e permite assim morosidades excessivas que só beneficiam os criminosos ricos / poderosos que conhecem os advogados (facilitadores) certos que lhes garantem recursos atrás de recursos e outro tipo de expedientes que dificultam a obtenção de prova e a formação de acusações, tem-se observado isso em todos os grandes casos que envolvem gente poderosa e / ou endinheirada.

    A justiça precisa de uma enorme reforma e a mesma não passa por decretar que o que antes era caso de justiça passe a ser um mero pró-forma administrativo como por ex. o fisco conseguiu.
    Se essa capacidade coerciva fosse conferida á justiça teriam de se construir mais prisões em Portugal, os processos não podem levar anos a julgar, além de que não deveria ser possível os recursos terem efeitos suspensivos na aplicação de penas, pois para isso mais vale fechar a maior parte dos tribunais e deixar só aos superiores a decisão final.

    Bem diz o povo que quem roubar um pão vai preso, quem é acusado de roubar milhões ainda acaba indemnizado .

  6. São apenas dois exemplos do resultado que dá o presente método de selecção da dita classe política, vulgo, Lei Eleitoral.

    Sim. Uma coisa é a legitimidade política.

    Outra, infelizmente, é a impunidade elitoral (não refiro a impunidade judicial) que centenas de membros da “classe politica” têm.
    Nunca foram eleitos, nem nunca serão re-eleitos, nominalmente pelo povo eleitor e soberano. Essa directa, suma legitimação, simplesmente não a têm.

    Os resultados estão à vista.

  7. Ora aqui está, sem tirar nem por, como um desmedido partidarismo doentio (no caso, o socialista) dá cabo, literalmente, de um comentador valioso. Uma pena!

  8. Ainda nesta onda do parecer, parece-me que Rangel também quis dizer que em Portugal a um governo basta nada fazer para que tudo se faça.
    E se este parecer for o que parece, Rangel confirma que reformar e refundar não passa de uma alucinação aos que tudo lhes parece.
    E com tanto parecer sobre o que parece surge ao público a ideia que parece que é necessário mudar de governo e continuar a nada fazer para que aqueles que antes foram também possam ser alvo dos que antes a esses nada fizeram.

    E assim fica a ideia que um governo que nada faz parece fazer tudo onde nada se faz.

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