Quatro notas rápidas


Sérgio de Almeida Correia,

1. Espero que os portugueses continuem a seguir com atenção o trajecto político de Marinho e Pinto. Admito que não seja fácil, tal a rapidez com que troca de fato e aparece num novo facto. Se há coisa que um cata-vento político mantenha é a coerência. Sempre a girar, nem dá tempo para avisar.

 

2. O Sol titula na primeira página de hoje que “Seguro prepara surpresa” e acrescenta que o secretário-geral do PS tem na manga uma “avalancha de entradas nos últimos dias“. Aguardo confirmação da cartada. Oxalá que nenhum dos novos esteja já morto e que essa avalancha de entradas não seja mais um acto de homenagem dos sobrevivos. Pensava que a decisão de um indivíduo se inscrever como simpatizante ou militante de um partido era um acto solitário, uma decisão individual, eminentemente livre e racional, tomada no último reduto da solidão, no fundo da sua consciência. Tretas.

 

3. Carlos Moedas diz que lhe entregaram uma pasta “chave para o crescimento da Europa”, depois do novo presidente da Comissão ter dito que as pastas chave foram entregues a mulheres. Não discuto pastas em função do sexo, matéria em que quer Junker quer Moedas estarão mais à-vontade. Penso, sim, que Moedas tem uma boa oportunidade para demonstrar que é bem melhor do que aquilo que aparentou ser no Governo de Passos Coelho. O interesse nacional obriga a que lhe seja dado o benefício da dúvida.  

 

4. O trabalho efectuado tem sido registado. A disponibilidade e vontade de melhorar idem. E pessoalmente só tenho a dizer bem de quem lá trabalha e ali me tem atendido. De qualquer modo, não deixa de ser irónico que seja o antigo chefe de gabinete de Miguel Relvas a dar conta da situação a que se chegou no Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong: menos “treze funcionários nos últimos dois anos (incluindo uma chefia)” e dificuldades “materiais – com estações de tratamento de dados biométricos continua e reiteradamente avariadas – a acrescer à questão de 2014 ser justamente o primeiro ano coincidente com a renovação obrigatória dos documentos de identificação“. Fica mais claro porque renovar um cartão de cidadão ou tirar um passaporte leva vários meses. A redução de funcionários não constitui novidade. A recorrência nas avarias da estação de tratamento de dados biométricos sim. Está visto que o secretário de Estado José Cesário, apesar das constantes viagens que faz a Macau, não é o homem indicado para efectuar as reparações nos consulados. Sabe-se que o MNE vive noutro mundo, mas Passos Coelho podia já ter compreendido isso. Perceber de canos não é o mesmo que saber de circuitos de alta tecnologia. A Cesário não se lhe pode exigir mais.

2 comentários em “Quatro notas rápidas”

  1. Cheira-me que os que votaram no Marinho devem ter sido os mesmos que antes votaram no Nobre. Daqui a uns tempos hão-de dizer cobras e lagartos do agora imaculado redentor.

  2. O sr. ex-basto serviu-se do MPT (Movimento dos Patetas da Terra) como trampolim e como capacho.

    O sr. ex-basto serviu-se das eleições para o PE como trampolim e como capacho.

    Os dois patetas do Movimento dos Patetas que por Bruxelas ficarão integrados noutro grupo que não o dos ecologistas (Verdes) por causa das declarações do sr ex-basto bem podem limpar a mão à parede por via da linda figura que por lá ficam a fazer.

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