Quanto mais ricos, menos solidários


Teresa Ribeiro,

Um estudo, que vai ter debate público amanhã, revela que quanto mais ricos e instruídos, menos solidários são os portugueses. Nesta notícia a educação orientada para o carreirismo e o individualismo que lhe está subjacente são apontados como possíveis culpados. Não querendo desvalorizar os seus efeitos pergunto-me se aqui na oligarquia alguma vez o altruísmo fez escola entre as nossas elites. Se a resposta é não, então isto não é defeito, é feitio.

31 comentários em “Quanto mais ricos, menos solidários”

  1. Como se enriquece, sendo-se solidário? Ser rico hoje, talvez sempre, é ter mais do que os outros. Ter igual aos outros é um ideal que é bonito de ver numa fotografia, num filme ou numa pintura, mas é impossível de experimentarmos.
    Srª Teresa, todo o universo existe preso a uma condição, a acção, ou se quisermos, movimento. Tudo o que possa imaginar está preso esse movimento que acontece entre dois extremos opostos entre si, ou seja, entre estados diferentes. A nenhum desses dois estados é permitida a ausência do outro, quando isso acontece, esta dinâmica desaparece, morre.
    O que pode variar é a frequência da alternância e a distancia entre um estado e o outro, e é precisamente aqui que a coisa pode funcionar mal. Eu acredito que a nível civilizacional, os governos é que devem ter o papel de regular a pulsação entre a riqueza e a pobreza da sociedade que governam, mas está mais do que visto e provado que esse papel está podre de corrompido pelo dinheiro. Presentemente esse papel pertence um punhado de homens que estão muito longe da nossa realidade e de lá controlam a alta finança mundial como querem e bem entendem. É o pináculo da vaidade, que pode até ter os caprichos mais absurdos como limpar o traseiro com notas de €500. O triste disto, é que o facto de todos sermos iguais no principio e no fim, não nos faz iguais no meio, pois a força do grande conjunto dos pobres, é mais fraca do que a força do pequeno conjunto dos ricos, sempre assim foi e sempre assim será.

    1. Claro: acção-reacção, ying-yang… ou mais simplesmente, quem aceita diversidade não pode proclamar igualdade, e quem aceita igualdade não pode proclamar diversidade. O velho caminho do meio, tão difícil de entender pelos extremos.

      Porém, cuidado com a última certeza:
      «… sempre assim foi e sempre assim será.»
      Hmmm… palavra de Tiranossauro Rex?

      A natureza, de vez em vez, em desespero de causa, toma em mãos o equilíbrio.
      Porque as forças que criam bestas dominantes, são forças mais bestiais.

        1. Pois, mas eu sou um perfeccionista… e assim não concebo desequilíbrios – inatos ou eternos.
          Os caminhos são diferentes, mas devem equivaler-se no absoluto. Essa será a igualdade na diferença.
          É que nem sequer pode ser doutra forma…
          Se fosse caótico ou desequilibrado nunca teria tido sequer a faculdade de poder raciocinar, e questionar a lógica e o equilíbrio inerente.

          1. A perfeição só existe nos olhos daquele que a quer ver. É um egoísmo, que tal como outro qualquer, difere na sua medida, uma vez que a grande maioria dos seres vivos procura-a por de menos, pelo contrário, uma minoria procura-a por demais.
            Parabéns, você pertence a uma espécie rara.

          2. A perfeição sempre existiu, desde que alguém sentiu necessidade da definir.
            Se a procura ou a encontra é indiferente. Mas claro, é um ajuste entre observador e observado.
            Nada tem de egoísmo, aliás é o oposto, é uma predisposição do observador à compreensão do observado.
            Assim, quando o observador é rígido, é óbvio que vai ao fundo quando o contexto se liquefaz. O que deve fazer? – Nada. E para a macacada isso nunca foi nada fácil… mesmo nada.

          3. Da Maia, mais uma vez inteiramente de acordo com a sua frase “A natureza, de vez em vez, em desespero de causa, toma em mãos o equilíbrio.” Penso exactamente o mesmo, nem sequer por optimismo mas por simples observação dos factos. Acção > reacção, ou extremo > extremo oposto > e finalmente o tal equilíbrio.
            Mas o mal da humanidade é fiar-se preguiçosamente nesse equilíbrio natural, que demora gerações a atingir, e não cuidar de evitar ela própria grandes desequilíbrios.

          4. Cara Ana,
            a observação que faço é que perante tanta iniquidade… ou os nossos olhos viam uma ilusão, ou isto vai demorar tempo a equilibrar.
            É que contas de centenas ou milhares de anos são insignificantes com contas de milhões, e muito menos com contas de eternidade.
            Tem planos para a eternidade? Ou conta que tenham por si?
            São perguntas a crú, que se podem fazer perante certas concepções de morte.
            Por isso, citando o outro, qual é a pressa?
            http://www.youtube.com/watch?v=5zNdMc6wGtU
            Cuidemos só da acção, dada a reacção…

          5. Claro que o equilibro sempre acontece, de outra forma não poderia ser, mas nada é perene eternamente e nós temos, entre outras, a necessidade de satisfação, de prazer, pois somos obrigados a viver, e queremos viver, mais ainda porque temos a consciência (alguns) de que um dia vamos morrer.
            Agora, a nossa vaidade é tanta que quando nos sentimos belos, olhamos para o espelho, mas quando nos sentimos feios (também somos) trocamos o espelho pelo céu. O estúpido homem, não vê que do céu só vêm raios, chuva, algum avião e bastante cocó de passarinho, mas mesmo assim é bem melhor do que olhar nos seus próprios olhos. Fazemos isto quando não conseguimos entender nada ou quando não queremos entender o que não nos convém. A vida podia ser bem melhor se olhássemos mais vezes, com olhos sinceros, para nós próprios, para dentro. Cultivar o respeito por nós, pela nossa saúde, assim também para com a nossa terra, para com o nosso mundo, afinal é da terra que nós vimos, é dela nos alimentamos e é nela que morremos; o nosso principio, o nosso meio e o nosso fim. Aja saúde.

          6. manuel: quando se fala “desse céu” há toda uma tradição religiosa-filosófica que remete para o “outro céu”… que é a procura introspectiva de que fala.
            A diferença é que esse olhar não termina no espelho, vai para além dele.
            É um olhar que começa justamente quando se fecha os olhos e se percebe que são os outros que evitam o confronto com o vazio. Depois deveria procurar perceber o que é afinal você sem os outros, sem mais ninguém, nem mais nada.
            Porque isso é você, tudo o resto é oferta e expectativas suas.
            Há o velho problema de ser difícil explicar o que é o mar a quem sempre só viu terra…

          7. Lá esta você outra vez tentando a perfeição.
            Tudo está relacionado, mas a relação é entre as partes que no seu conjunto formam o todo. Nesse todo, o mais próxima da perfeição é a obra, esta é sempre a mais perfeita possível, mas sempre inacabada. O mesmo se sucede com as partes, mas uma vez que por si, estas já são o produto de outras, são sempre e cada vez mais imperfeitas que aquelas de onde provêm, ou pelo contrario, estão cada vez mais distantes da perfeição. Se isto pudesse ser do domínio do empirismo, o mais próximo que conhecemos, definimo-lo como sendo energia.
            Nós Homens, evoluímos como todas as coisas evoluem, já somos a consciência deste mundo, a mesma que tenta agarrar o universo que os nossos sentidos apreendem; mas fazemo-lo como que numa tentativa, tola, de o tomarmos nas nossas mãos, como se cada um de nós, quiséssemos tomar o lugar de Deus, aquele que é a perfeição. Não o podemos evitar, mas, e ainda com respeito ao tema que a Senhora Teresa aqui trás, devemos procurar ser mais humanos, só que há muita macacada palerma e egoísta, uma vez que se acham merecedores de sentir constantemente o prazer e a dor do momento da perfeição e para assim gozar, exploram o mundo para seu belo prazer, mas são apenas obcecados ou viciados em momentos efémeros, nada mais.
            De resto, convencido que me conhece da blogosféra, devo dizer-lhe que o meu segundo nome é Sidónio.

          8. … sid. LOL… e os assuntos sérios? Eh eh!

            Essa causalidade, do passado para o futuro, é questionada desde que há Mecânica Quântica, e arruma-se com uma observação. A observação é que o conceito energético é conservativo e como tal nunca seria evolutivo, teria sempre equivalências, e só havia mutações equipotentes. Por exemplo, isso implicava que os Lusíadas estariam escritos na Terra antes de Camões nascer, e até antes da Terra se formar.

            De resto, sim, a perfeição é um ajuste, porque o modelo e a realidade se fossem coincidentes não se distinguiam. E de resto, não personifico esses atributos, são uma evolução natural da complexificação, que apontam para uma direcção muito clara – a compreensão interna.

            Malandro…

  2. Mais uma falsidade. Quanto mais ricos mais pagam impostos.
    E diga-se em violação da Constituição da Republica Soci@lista Portuguesa.

      1. Está admirada por mais socialismo acabar com a sociedade? É o resultado esperado de o Estado controlar tudo. O Estado torna-se a Sociedade.

        A obra mais social que existe é a empresa. É voluntária de quem produz e de quem compra. Nada há mais social que alguém produzir produtos/serviços que a sociedade queira. É ficar dependente da sociedade.
        Não dependente uma regra aristocrática ou politica.
        Um merceeiro é mais social que todos os socialistas juntos. Um merceeiro não obriga ninguém os socialistas obrigam.

        1. Não se aflija. Já não falta tudo para o Estado ficar do tamanho que o Lucky gosta. Espero é que por ironia do destino não venha um dia a ter saudades do tempo em que ainda podia fruir, em caso de necessidade, do horrorosamente socialista Serviço Nacional de Saúde.

  3. Assim, de memória, e esquecendo as fundações que contornam impostos, a última iniciativa que me lembro foi a Misericórdia da Rainha Dona Leonor…

    Falamos, é claro, de mais de 500 anos, num tempo em que a oligarquia não era estrangeirada, como veio a ficar, porque quem abriu a janela em 1640 foi a contragosto.

  4. Aquilo a riqueza, o prestígio e uma boa posição na vida dão é a liberdade para se concentrar em si próprio”. Licença para o egoísmo ou para se livrar do aborrecimento que é ter uma consciência.

    Escrevi isto ( a propósito dos milionários alemães) em 2012, não perdeu nada em actualidade.

    https://camalees.wordpress.com/2012/01/02/os-mercados-moram-aqui/

  5. Teresa,

    isso não me espanta, e também não me espanta os satélites que gravitam em torno deste feitio. O que mais me espanta nesta situação é o facto de até os pobres estarem a virar forretas e pouco solidários.

  6. E a Fundação Champalimaud – umas centenas de milhões de euros (próprios) de legado – onde é que entra nessas contas?

    Ah e conviria não esquecer que Portugal foi o único país da Europa onde, nos últimos 70 houve ocupações, nacionalizações – com muitos anos sem receber, qualquer indemnizações – saneamentos – um regime de arendamento que correspondia a um confisco…

    Ou acham que essas coisas não deixam – não deixaram – marcas?

    1. O António Champalimaud foi uma das raras excepções.
      Refere-se às perturbações que se seguiram ao período pós-revolucionário? Onde é que isso já vai. E já agora antes, no tempo da outra senhora, havia porventura mais generosidade para com os pobres?

      1. “E já agora antes, no tempo da outra senhora, havia porventura mais generosidade para com os pobres?”

        Não sei como se pode medir a generosidade, mas podemos falar de uma longa tradição de instituições e práticas moldadas nas obras de misericórida, começando pelas próprias… Misericórdias, que, embora de todas as classes sempre estiveram ligadas aos “mais ricos”.
        No séc. XIX a filantropia foi importante, e desde a Rainha D. Amélia, com a sua Assistência aos Tuberculosos até a emigrantes bem sucedidos como o Conde de Ferreira que deixou um legado que permitiu a construção de dezenas de escolas, passando por pequenas associações locais, de asssistência à infância e à pobreza em geral, até à tradição, de remediados para cima, do sustento de uma “clientela” mais ou menos vasta, com auxílios que iam da esmola até ao pagamento de cursos superiores.
        Uma obra de hoje, herdeira dessa, é o Banco Alimentar, que partiu dos mais “ricos” – e, por isso, tem má imprensa.

        Se há menos generosidade (dos mais ricos para com os mais pobres)? Por um lado estamos menos miseráveis, por outro, houve laços de solidariedade e ajuda que foram quebrados – e não apenas porque era suposto que assim fosse (sociedades mais sofisticadas do que a nossa têm associações grandes de ajuda, por exemplo, os Estados Unidos, ou o Canadá), mas porque em Portugal se caminha aos puxões e se elogiam e estimam os rasgões.
        Em todo o caso, há que ler o estudo com cuidado: o Dr. Vara tem, para todos os efeitos, um curso superior e será hoje rico, e entre este e o Dr. PdasN que, ainda há dois anos pegou em 150 000 euros, seus, e do seu bolso os deu a uma colónia infantil para que as criança pudessem ir para a praia, não haverá grande diferença estatística, havendo, no entanto, um mundo de diferença.
        Somos menos generosos? Acho de difícil resposta. Estamos mais longe uns dos outros e há quem se ocupe em auemntar ainda mais os rasgões existentes.
        O apoucamento, a inveja dos bons actos alheios aumentou.
        Mas não se desespere. Há casos de uma novas generosidade: a que permite, por exemplo, paralisar mandados de captura, como aconteceu no caso do Venerável Dr. Isaltino, que pertence a uma agremiação que protege efectivamente os seus.

    2. Especialmente traumática foi a nacionalização do BPN.
      Também generosa foi a compra de Champallimaud do Banco Pinto e Sotto Mayor, que pagou com… dinheiro do Banco Pinto e Sotto Mayor.
      Uma operação que nem original foi – já Alves dos Reis o fizera – mas sem a mesma estrelinha, sem a mesma pandilha.

      Enfim, essa história é mais engraçada contada pelo Batatinha.

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