Quanto mais longe melhor


Pedro Correia,

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José Eduardo dos Santos, ex-ditador angolano, morreu ontem numa clínica de luxo em Barcelona. Era proprietário de uma mansão no bairro mais elitista e elegante da capital catalã, em consonância com a sua conta bancária. Nascido numa família muito humilde, amealhou uma fortuna avaliada em mais de 20 mil milhões de dólares.

Cumpriu-se uma tradição comum a vários déspotas africanos: quando sentem a morte a rondá-los dizem adeus ao continente, rumando à próspera Europa.

Após 38 anos de poder quase absoluto em Luanda, Dos Santos abandonou enfim a presidência em 2017. Deixando um país na miséria, em total contraste com as suas finanças pessoais: cerca de 60% dos angolanos sobrevivem com uma quantia inferior a dois euros por dia.

Pelo menos Agostinho Neto – tirano marxista-leninista ainda mais sanguinário que este seu sucessor – foi mais coerente. Também morreu no estrangeiro, mas em Moscovo, então capital da União Soviética. Um e outro bem longe do povo que juraram servir.

54 comentários em “Quanto mais longe melhor”

  1. Morreu Eduardo dos Santos.
    Ponto final. Que Deus o receba e o julgue no Céu, já que o não foi cá na Terra.
    Deus perdoa, mas muitos não.
    Mete-me muita, mas mesmo muita confusão todas as homilias feitas por portugueses nomeadamente o senhor Marcelo, Presidente.
    Só falta quase assumir e pedir desculpa pela morte do senhor.
    Há que ter sentido de Estado, ter memória, ter orgulho e ser Português

    1. Marcelo e os antecessores, como Cavaco, exprimem posições de Estado. Estão obrigados a isso pela função que exercem ou exereceram.
      Nós, aqui, estamos livres desse encargo.

  2. É o exemplo de como a democracia portuguesa está doente com tanta atenção e honraria televisiva a um ladrão que roubou e tratou mal o seu povo.

  3. Nenhuma simpatia por Angola, um estado de gente corrupta e manipuladora — e que gere a sua relação com Portugal entre o desprezo e a chantagem emocional. Toda a gente aqui miseravelmente sente-se responsável, não sei porquê, pelos sucessos de um país com o qual já não temos nada que ver. Se isto não estivesse infestado de retornados (o que em grande parte explica a corja de tramponileiros e chantagistas emocionais que Portugal é hoje), teríamos uma relação muito mais distante e mais saudável com os PALOP e com o Brasil, outro espinho cravado na pata que não conseguimos retirar.

    Estava na hora de nos livrarmos destes sub-mundos, mas temos uma classe política tropicalesca e burra, cheia de retornados, cheia de Marcelos, sem qualidades, sem visão, sem nada — a não ser olhómetro para a conversa fiada e para a patifaria.

    1. Falava Salazar num único país plurirracial e pluricontinental. Era falso. Era mais fácil emigrar para a Venezuela, Brasil ou Canadá do que para a Guiné, Moçambique e Angola. Moedas locais não eram ou eram dificilmente convertíveis em escudos. Nativos não europeus não tinham acesso ao bilhete de identidade. Mas é facto que o percurso português criou famílias plurirraciais e pluricontinentais.
      Considero-me um dinossauro, não excelentíssimo mas apenas que sobreviveu à sua época. Sempre me considerei um português que, por acaso, nasceu na Europa. Há 40 anos que sou governado por europeus que – por desprazer, digo eu – nasceram em Portugal. O que inclui os melhores como Sá Carneiro. E muitos, desde Amaro da Costa e Freitas do Amaral no CDS, Luís Coimbra, no PPM e diversos no PSD que integraram os menos de 5% da minha geração que não foram às guerras de África e nem sequer disfarçaram com uma colocação “por acaso” numa cidade, sem riscos nem desconfortos.
      Dediquei-me a estudar a minha família. Dos parágrafos sobre Angola, respigo. Fulano, camionista, morreu no rebentamento de uma mina. Cicrano militar, morreu em combate. Beltrano, piloto militar. abatido pela força aérea sul-africana. Fulana, enfermeira, morreu atropelada por uma ambulância desgovernada na crise Nito Alves. O marido de uma prima, médico nascido em Portugal que pediu a nacionalidade angolana e aderiu ao MPLA onde teve a patente de tenente-coronel e tinha um programa semanal de televisão, assassinado por motivos políticos.
      Vários retornados, incluindo ex-ricos que tudo abandonaram pois nunca se tinham prevenido com transferências para a Europa, quando o podiam ter feito. Outros por lá ficaram ou por lá optaram. Um, engenheiro agrónomo pelo ISA, já comandante de artilharia do PAIGC quando combati na Guiné, chegou a ministro da economia e competitividade de Cabo Verde; outro que foi por algum tempo ministro da Defesa de S. Tomé e Príncipe. Mas muitos outros, hoje para mim, anónimos de paradeiro desconhecido, e que já não consigo acompanhar. Antepassados e colaterais próximos governaram A Índia, Moçambique, Guiné e Timor, vários distritos de Angola, Cabo Verde, Moçambique e Guiné, quase todos em sobreposição com o comando militar.
      É tempo de nos livramos destes sub-mundos?… e, claro, da história de Portugal e de algumas histórias familiares. Venham os subsídios da UE, que tudo substituem, até ou sobretudo, as memórias.

      1. Com todo o respeito, era precisamente disto (do tom saudosista) que eu me estava a queixar.

        Eu estou a falar de relações entre Estados — e de como elas não estão a ser relações entre estados. E sim, isso mesmo, de nos livrarmos do sentimentalismo e da tropicália e, enquanto País, fazermos o que interessa: que é desenhar o nosso País com liberdade, responsabilidade e determinação. E você vem logo com com histórias pessoais — que não interessam nada neste caso. Isso é outro assunto. São assuntos, precisamente, pessoais, sentimentais. O País, enquanto Estado, mas sobretudo enquanto possibilidade de futuro (é disso que se trata) não tem nada a ver com isso. Esse mundo existiu mas agora a direcção deve ser outra. Até porque a que tivémos até aqui não funcionou e não está a funcionar.

        E depois há sempre esse tom de que os portugueses nativos eram isto e aquilo e que no ultramar é que estava a gente toda que era proficiente. Tem que ver porque é na esteira desses equívocos e dessa linhagem supremacista que se tornou num clube de empregos para os amigos que o País tem sido governado, porque precisamente não se fazem as distinções que se devem fazer e essa cultura sentimentalista foi disseminada por toda a funcção pública e por todo o jornalismo. É tempo de mudar de página. Esses erros ficam na história, mas a história continua e deve ser outra.

        1. Peço desculpa de ter sido sentimental e trazer casos pessoais que nada interessam ao país. Eu, mais do que muitos, tenho boa noção disso. No entanto, ainda insisto.
          Além dos exemplos que apontei, pode observar a transferência directa do governo e dos gabinetes de Marcello Caetano para os partidos de poder. Guterres, Silva Pinto, Mira Amaral, João Salgueiro, etc.. Sem falar nos filhos. Há uma continuidade entre a elite sócio-cultural que tinha de facto uma visão colonial de África, que nunca procurou uma integração, que seguiu cegamente Salazar que, nunca tendo posto pés em África – e África tem de ser cheirada – receava o desenvolvimento, a fuga de capitais e as independências brancas; que depois, receando desta vez o esquerdismo(*), seguiu Soares, num processo de adesão à CEE tão nocivo para Portugal e para os portugueses, como foi a descolonização (refiro-me ao processo, não à adesão que era necessária mas além de mal negociada ou mesmo não negociada, culminou no erro de Schengen e na vertigem do Tratado de Lisboa). No fundo a mesma elite lisboeta, com alguma participação portuense e coimbrã, hoje magistralmente definida por Rentes de Carvalho como o que está entre o Parque da Nações e Cascais, com uma ou outra ilha, como a Foz do Douro. Nunca viram, imaginaram ou se interessaram pelo Portugal do Minho a Timor, nunca se irão interessar pelo Portugal que fica fora da Grande Lisboa (agora alargada até Alcochete) com a mesma ilha portuense e acrescentado algum Algarve e a costa alentejana, estes quase exclusivamente para o seu lazer.
          A vida continua. Disso não duvido. Vai mesmo continuar. A mesma gente, o mesmo espírito. Muito modernos, nada sentimentais.
          (*) Sem contudo coragem para o disciplinar. Quer isentando de procedimento judicial as violências do PREC por decisão do Conselho da Revolução, quer quando o poder judicial se tinha pronunciado no caso das FP-25, amnistiando por decisão do orgão legislativo.

          1. No fundo a mesma elite lisboeta, com alguma participação portuense e coimbrã, hoje magistralmente definida por Rentes de Carvalho como o que está entre o Parque da Nações e Cascais, com uma ou outra ilha, como a Foz do Douro. Nunca viram, imaginaram ou se interessaram pelo Portugal do Minho a Timor, nunca se irão interessar pelo Portugal que fica fora da Grande Lisboa (agora alargada até Alcochete) com a mesma ilha portuense e acrescentado algum Algarve e a costa alentejana, estes quase exclusivamente para o seu lazer.

            Eu detesto essa gente toda. Não defendo nenhum deles. Além de que esses (e não o caro amigo) é que são os “sentimentais”, os que negoceiam sobre os restos miseráveis da nossa história. Aqui estamos absolutamente de acordo: é desse Portugal continental esquecido — recalcado — de que estou também a falar. Um exemplo: Os Suíços não tinham nada a não ser montanhas e florestas e calhaus e inventaram um país lindíssimo a partir de uma cultura e de uma indústria: comboios, indústrias de derivados agrícolas, engenharia de topo e coisas de luxo. E lá continuam. Nós não tínhamos nada a não ser montanhas, florestas e calhaus e inventamos o maior embróglio de todos os tempos: uma colonização para a qual nem sequer tínhamos uma população suficientemente numerosa para realizar com sucesso. Você fala (muito bem) da dependência da UE. E então das colónias não era dependência? É exactamente a mesma coisa. E isso traz-nos ao início, ao meu primeiro post. Não mudámos nada.

            Já agora, não sei se o oposto de ser-se sentimental é ser-se moderno, não me parece. Eu até acho que “moderno” já é uma ideia que tem uma direcção e atira-nos para a direcção errada… Não queremos ir a lado nenhum nem estar voltados para nada: Portugal evoluiu até ao tempo de D. Dinis. Mas depois parou e nunca mais foi feito. Continua por fazer, mas já não é possível fazê-lo porque está infectado de esquerdismo, de tropicalismo e de outras coisas acabadas em -ismo — já não pode ser o original.

            O que fazer, então?

  4. Perante a morte deste ditador comunista, haverá as mais diversas opiniões, desde coministas a ultra liberais, de católicos a ateus. Mas tenho a certeza que na consciência de todos eles, embora não possam ou não queiram dizer, está presente que deixou o povo angolano na miséria, em contrapartida com o deixado à sua família e à oligarquia do regime comunista angolano.

  5. Desde há muito que a Europa livre e democrática devia ter um filtro para certo tipo de pessoas, e simplesmente impedir a sua entrada. Restar-lhes-ia o local onde fizeram o mal, e mais facil seria que talvez alguma justiça ocorresse.

    É impressionante como signatários de certas ideologias e regimes criticam a Europa e o ocidente em geral e não se privam de viver, normalmente à grande, no local que tanto criticam.

  6. O Sr. Presidente português deve estar muito angustiado
    se a cerimónia do Zedu não se realizar em Angola.
    Ele que já estava preparado para uma “nova viagem … nova corrida “.
    Mais umas banhocas , beijinhos, abraços e selfies.
    Começa a ficar preocupante a conduta desta criatura.

  7. “Cumpriu-se uma tradição comum a vários déspotas africanos: quando sentem a morte a rondá-los dizem adeus ao continente, rumando à próspera Europa.”

    É mais rumando à segura Europa para não terem a cabeça cortada pelo delfim e próximo ditador e com assistência médica de topo.

  8. Gente cínica e hipócrita que anda a louvar este bandido e malfeitor. Em Portugal a Angolanas a acordar as 4 da manhã para irem trabalhar para as limpezas e ganhar uma miséria e depois temos o contraste de Angolanas ricas do regime a fazer compras nas melhores lojas da av da liberdade.

    1. Sim, senhor.
      Não seja autorizado vendas na Av. Liberdade a angolanas ricas e não seja autorizado salários de miséria a angolanas das limpezas. E temos o problema resolvido com o ditador.

        1. O facínora já morreu, agora como vai ser?
          Vão acabar as angolanas com salários de miséria?
          Ou vai continuar a VERGONHA de não publicar comentários a deitar abaixo o falecido comunista Eduardo dos Santos e quem o apoiou por cá?

          1. Deves ser lojista da av. da liberdade e estás com medo que se acabe a mama. Mete a mão na consciência para perceberes que andas a contribuir para a ostentação de umas quantas madame(s) em detrimento das que trabalham na limpeza com dinheiro contado até para um par de cuecas. Vai-te queixar ao Moedas.

          2. “Vai-te queixar ao Moedas”, assim ficamos na mesma.
            No tempo dele no governo a Isabelinha fez grandes negócios com o Passos.
            A partir dos negócios com o Passos é que começaram a aparecer as compradoras nas lojas da Avenida. E já antes tinha havido uma grande ligação ao Cavaco e ao Barroso, por isso é que o PSD, agora, nem fala do ditador comunista.
            .

          3. Já cá faltava um idiota de piquete a dizer que a corrupção e o esbulho de Angola durante 38 anos pelo clã Dos Santos é culpa… do Passos.
            O ódio a Passos, por parte destes lambe-botas do Sócrates que aqui aparecem sempre de focinho tapado, acaba por ser uma homenagem.
            São tão imbecis que nem topam isto.

          4. O seu ódio a Sócrates é bem pior para o levar a insultar um caro anónimo que veio apenas acrescentar ligações perigosas.

          5. O Socrates é demasiadamente pouco importante para gerar ódio em alguém. Foi apenas um funcionário público ganancioso. Há mais como ele, a dar cabo disto tudo todos os dias.

          6. lol, a culpa é do Passos… Nem sequer é dos angolanos. Tudo como dantes em Abrantes ou lá o que é.

          7. Esta gente vomita a cartilha em piloto automático. Tem sempre o Passos na ponta da língua.

            A delapidação dos recursos naturais de Angola durante meio século e a proliferação de uma clique cleptocrática e corrupta em Luanda não lhes suscita o menor reparo.
            Só dão prova de vida cuspindo ódio ao Passos. Deve dar cupões na caderneta lá do partido.

            Que imbecis, caramba.

  9. Tanta bajulação e comentário nas TVs. E as “falas”das azedas das filhas.Que nos interessa? Paciência…

  10. E mais nada! Nada como a morte para lavar os pecados. Ao contrario do que dizem os comentadeiros de servico, nao foi grande em nada excepto no roubo e deixou um legado de fome, miseria e corrupcao. Que nao descanse em paz. AL

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