Quando terrorista parece turista


Pedro Correia,

«Hoje ninguém mais discute que, apesar de ser uma língua só, temos a variante brasileira e a variante portuguesa, iguais em quase tudo mas diferentes especialmente no vocabulário (o que é natural) e na pronúncia (como pode ser constatado em qualquer canal da TV portuguesa).

Na pronúncia portuguesa, há uma forte tendência de queda das vogais átonas. “Pelotão”, na voz dos âncoras da RTP, soa como “plutão”. Luís Fernando Veríssimo conta que assistiu a uma chamada sobre os atentados de Paris e demorou a perceber que o “turismo” de que tanto falavam era, na verdade, “terrorismo”. Esse processo teve um impacto direto na pronúncia dos pronomes átonos, que lá ficaram anêmicos, praticamente reduzidos a uma mera consoante. Em “dá-me”, por exemplo, o “me” é realizado como /m’/, em “devo-te”, o “te” vira /t’/, literalmente uma cuspidinha.

Aqui no Brasil, porém, ocorreu exatamente o contrário: o sol dos trópicos fez muito bem às vogais, deixando gordos e saudáveis nossos pronomes.»

 

Cláudio Moreno, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autor d’ O Prazer das Palavras, em artigo de opinião na revista Veja 

0 comentários em “Quando terrorista parece turista”

  1. A Variante Portuguesa, é variante de que língua ? Deveras intrigante.
    A aVariante Brasileira entende-se, sofreu influências, adquiriu declinações.
    Penso que sem qualquer desmerecimento da pessoa do Sr. Professor Moreno, fez muito bem aposentar-se ( que lá na variante significará confinar-se a um aposento).

  2. O actual primeiro-ministro não eleito, também, fala essa variante portuguesa da língua.
    Pronuncia: “inscional” ao invés de institucional que é uma palavra mais complicada e mais trabalhosa de proferir.

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