Quando se fala do que não se sabe…


eventhorizon,

… costuma dar buraco. Pacheco Pereira, na Sábado desta semana, escreve o seguinte na sua crónica: Atacados pela pirataria, os jogos escritos especificamente para PC estão também a desaparecer, a favor dos jogos para consolas dedicadas, mais fáceis de defender dos assaltantes do copyright. Redondo disparate de alguém que, ao que parece, nunca deve ter jogado um jogo de computador mais complexo do que o “Minesweeper” (nada contra). É verdade que o mercado de jogos para consolas está mais dinâmico do que nunca, que a evolução dos smartphones permite sucessos improváveis há meia dúzia de anos (Angry Birds), e que a massificação da Internet de banda larga abriu definitivamente as portas ao jogo online nas consolas. No entanto, Pacheco Pereira não faz a mais pequena ideia – nem pode fazer, pois está visto que não passa muito tempo a jogar computador (uma vez mais, nada contra) – que aquele que será porventura um dos videojogos mais bem sucedidos da última década, World of Warcraft, que conta com mais de onze milhões de jogadores que mensalmente pagam entre dez e doze dólares para o jogar, é exclusivo… para PC. Aliás, a produtora do WoW é conhecida por fazer sucessos constantes para PC. Pacheco Pereira também parece não saber que a maior parte das principais produtoras de videojogos já dispõe das suas próprias lojas online, onde os jogos podem ser comprados e, muitas vezes, onde têm de ser registados para terem todas as suas opções disponíveis. Sim, são mais fáceis de piratear, mas nem sempre isso compensa. Pacheco Pereira também conhece a Steam, uma enorme loja online de videojogos que vende grandes títulos  jogos indie de forma igual, e por vezes ao preço da uva mijona. As consolas estão em alta? Sem dúvida, e vão continuar a estar. Mas é francamente duvidoso – para não dizer improvável – que os jogos para PC estejam ou venham a estar em risco num futuro próximo.

19 comentários em “Quando se fala do que não se sabe…”

  1. E falta dizer que os jogos para consola são tão fáceis de piratear como os jogos para PC. Não custa muito encontrar. A diferença é que exigem ter a consola enquanto que o PC quase todos o têm.

    Há muitas asneiras (e mentiras descaradas) a serem propaladas sobre a pirataria na net. A principal das quais é a mensagem de que se um produto não for pirateado, será comprado por quem fez download. Isto não é verdade na esmagadora maioria dos casos. Tudo o resto é completa poeira atirada aos olhos.

    1. Essa também foi engraçada, Ana. Não sei se PP já reparou, mas nos últimos anos foram várias as publicações especializadas na área da informática que deixaram a versão impressa para passarem a ser apenas online… ou desapareceram por completo.

  2. Sim.. já para não falar do que antigamente era um quase exclusivo de algum publico, porque a pirataria até existia em maior quantidade no tempo das diskettes . Até porque a protecção era muito limitada e o jogo pouco tinha a oferecer para além da breve experiencia offline. Actualmente as pessoas “cansam-se” de lutar por ter um produto difícil de actualizar e com bugs à mistura. Preferem comprar a um preço minimamente justo no conforto dos seus lares, acedendo assim a todo um serviço prestado pela empresa responsável pelo mesmo. O Steam é de facto um excelente exemplo, mas há mais. O meio da simulação no PC é vastíssimo , com títulos de uma qualidade inacreditável , seguidos por uma legião de fans que compra patchs e versões, sugere e ajuda a desenvolver novas ideias para o software em si, bem como projectos extra. Se existe algum tipo de morte é pela facilidade com que alguns destes equipamentos trazem entretenimento para casa, sem exigir grande esforço ou até conhecimentos de informática A maioria tem um prazo curto de vida e já levaram a grandes desaires das industrias por de trás dessas maquinas.

    1. É bem verdade. A grande maioria das produtoras de videojogos já tem as suas próprias lojas. A Blizzard, por exemplo, nem tem os seus títulos na Steam, e tem um serviço impecável. E como a Blizzard há muitas.

  3. Não é por mais nada mas quem tem por hábito entreter-se com jogos de computador/consola sabe bem que andam a anunciar a morte do “computador” como plataforma de jogos há pelo menos uma década…ou coisa que o valha.

    1. E continuarão por mais uma década. Ou duas. Força nisso. Eu continuarei a jogar nos tempos livres 🙂

      (gosto das consolas, mas o dinheiro não é elástico e, em última análise, o computador acaba por ter mais utilidade)

      1. Por acaso, atendendo a que deixei de ter computador de secretária e passei para o portátil, de cada vez que me dava vontade de jogar qualquer coisa, o pobre do animal bem se esforçava. Especialmente com os mais recentes rpg’s..
        Há dois anos fui pondo alguns € de parte e lá me converti à ps3. Mesmo assim, de vez em quando lá vou matando saudades com os “velhinhos” Command&Conquer ou War/Starcraft..

  4. Eu oiço essa lenga-lenga que os jogos para PC’s vão acabar há mais de 20 anos. Basta ter um dedo e meio de testa para perceber que as pessoas passam cada vez mais tempo nos portáteis e afins, e que existe todo um mercado novo de jogos (zynga’s type) em franco crescimento.

    1. Bem visto. Poderíamos também ir por aí. Não só há jogos que, por a sua especificidade, ainda não triunfaram nas consolas (estratégia, por exemplo), como outros formatos atraíram milhares de pessoas que normalmente nunca jogariam videojogos. Como a Zynga. Aliás, creio que não será exagero dizer que o facebook pode agradecer ao Farmville uma parte assinalável dos seus 700 milhões de utilizadores…

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