Reconhecendo que também há aspectos negativos em fazê-lo (diminuição da liquidez nos mercados, perda de elementos de alerta, eliminação de importantes fontes de rendimento para regiões sem grandes alternativas, etc.), sou favorável ao fim do short selling e dos off-shores. Primeiro, por razões de nivelamento do campo de jogo; depois, por dois factores que andamos a clamar serem importantes para governos falidos e cidadãos remediados e que, por conseguinte, também deviam sê-lo para empresas poderosas e cidadãos ricos: transparência e uma correspondência mais real entre as folhas de cálculo e o mundo físico. Não reterei o fôlego e até vou arranjar uma cadeira bem ergonómica que me permita esperar confortavelmente sentado mas gostava de deixar isto claro
Estabelecido o ponto anterior, deve ser fácil perceber que esta coisa do imposto extraordinário a pagar pelos ricos me parece bem. Contudo, não por razões de fundo. Apenas porque se é preciso tirar ainda mais a alguém, que seja aos ricos, uma vez que isso, para variar, me deixa de fora. Mas há um pormenor que me faz espécie: alguém acredita mesmo que os problemas em que a Europa se encontra poderão ser resolvidos (ou teriam sido evitados) sacando a ricos cumó catano (ainda que – oh, almas caridosas – eles estejam disponíveis para «devolver à comunidade» parte do dinheiro que se esqueceram de fazer passar por off-shores) ou gente assim-assim na vida ainda mais impostos? A sério? Já agora, quanto mais? De modo a que o Estado possa crescer até representar exactamente que percentagem da economia? Setenta, oitenta por cento? As exportações – a nossa única esperança de ir equilibrando as contas, não é o que nos dizem? – disparariam certamente. Mas não será preferível nacionalizar tudo e dividirmos irmãmente o rendimento disponível? Acaba-se com os ricos (eu estou-me nas tintas; já perdi as esperanças de poder vir a comprar o Aston), resolve-se o problema.

Hihihi.
Temos um novel definição do “nivelamento do campo de jogo”: Só possível votar a favor.
E sai mais um que quer dar mais dinheiro ao Estado, aos Políticos.
A destruição da Economia Livre continua em força com o Socialismo de Direita.
Bom, deste eu estava à espera que você não gostasse… Mas não, não quero dar mais dinheiro ao Estado; globalmente, quero dar menos. Mas preferia que os capitais que fogem à tributação não fugissem. Preferia dar ao Estado uma fatia mais fina de um bolo maior. E o desnível do campo de jogo está em que não é certamente o pequeno empresário ou o trabalhador por conta de outrem que usa off-shores ou mecanismos complexos de fuga fiscal.
Imposto extraordinário sobre os ricos ou sobre a riqueza? Quando os media falam em “pensões milionárias”, as acima de 4 mil euros, são milionários todos aqueles que recebem cerca de 2.900/3.000 euros mensais líquidos. A distinção entre se se trata de um imposto sobre os ricos ou sobre a riqueza é relevante, seja porque os ricos não são, por norma, os “milionários”, seja porque aqueles têm capacidade de rapidamente deixar de o ser através da dispersão do capital e estes não a têm. Nada mais fácil para quem é rico, nada mais difícil para quem recebe pensões “milionárias” (os milionários)…. De resto, acho que este imposto não vai alterar o que quer que seja se apenas aplicado aos ricos, mas talvez se aplicado aos tais “milionários”, o que não parece ser o que se pretende com o tal imposto extraordinário…