Qual a cor da alma?


Paulo Sousa,

Invadido pelo espírito da quadra festiva, que entretanto terminamos, e enquanto apreciador do género musical em causa, vi logo após o seu lançamento, o filme Soul, da Disney/Pixar.

soul.png

A história não é muito surpreendente mas é agradável. Alguns dos momentos musicais ajudam a digerir o resto. Foram duas horas bem passadas.

Quando já não pensava mais nele, tropecei algures num espasmo muscular do Nuno Markl sobre a dobragem da personagem principal. Andou para ali às voltas com elogios e salamaleques misturados com um reparo sobre o que designa como “racismo sistémico”. Parece que para ele as vozes também têm cor e, com o intuito de que somos todos iguais, acabou por defender que as vozes africanas são diferentes das demais. É bom ser-se diferente. É bom que todos sejamos diferentes nos detalhes, porque acabamos por ser iguais nas questões de fundo. Mas isso não importa, ele acha é que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Por mim tudo bem, embora prefira cultivar as minhas dúvidas, pois nunca pensei aprender tanto como desde que escolhi fazê-lo.

Talvez não importe referir, mas eu gosto do trabalho do Nuno Markl. Dizer isto não me obriga a apreciar tudo o que faz, ou diz. Gosto da sua abordagem e do boneco que criou sobre si próprio e da forma como explora o que poderiam ser fraquezas e as transforma em produto de media. É legitimo e tem graça.

Desta vez achei que ele estava a meter a foice em seara alheia, mas com certeza que o tema iria causar as inconsequentes e habituais ondas de choque. A espuma dos dias tem de ser preenchida com coisas.

A toque de caixa parece que já há quem tenha reagido ao estímulo lançado. Se há quem defenda que o fim do mundo irá começar com uma corrente de ar, como é que isto não teria de acontecer?

Mamadou Ba e Sara Tavares assinam petição em que pedem uma nova versão do filme Soul. Defendem que somos todos iguais e por isso as vozes da dobragem deveriam ser negras.

Eu, que gosto de Soul, de Blues, de Jazz, de Samba, de Bossa Nova e de Rock, não consigo deixar de me impressionar com a capacidade da raça humana em ultrapassar profundas e inaceitáveis tragédias e, mesmo no inferno, conseguir produzir arte. Sem a influência africana na cultura norte e sul-americana não teríamos todas estas maravilhosas manifestações artísticas, que me emocionam e sem as quais teríamos uma vida ainda mais incompleta.

foto1.png

Hoje de manhã, num passeio de bicicleta com uns amigos na Serra de Aire e Candeeiros, a “polémica” da dobragem deste filme foi abordada durante uns escassos 75 metros. A meio de uma curta e enlameada subida, alguém em esforço de respiração arrumou o assunto. “Sabias que quem dobrou o Rei Leão nem sequer era sportinguista? Disso ninguém fala!”

75 comentários em “Qual a cor da alma?”

  1. O texto é assinado por sete personalidades: Ana Sofia Martins, Dino D´Santiago, Mamadou Ba, Mayra Andrade, Nástio Mosquito, Pedro Coquenão e Sara Tavares.

    O ucraniano sem nome também foi dobrado, em bom português, não houve sos Racismo que levantasse a voz.

  2. Sim. O neo-Marxismo racista continua de vento em poupa.
    Segundo esta Esquerda pelos visos os pretos devem ser proibidos de cantar ópera, música clássica… e não me admira que sejam chamados pelos mesmos de “traidores à raça/burgueses” se gostarem de música clássica e não gostarem de rap.
    https://www.youtube.com/watch?v=do5ZmQQM8AE
    Se um branco gostar de jazz e um preta gostar de ópera vão ter de trocar de concerto para o que não apreciam para ficarem no seu lugar racial correcto? Com disse Joe Biden o candidato da “decência” da esquerda e não só:
    “se não votas em mim não és preto.” Por outras palavras não sejas traidor à raça pois é ela que te define…

    1. lucklucky, ‘tava a ver que não aparecia o marxismo ou coisa do parecida: neo-Marxismo racista.
      ‘neo-Marxismo racista’, o que será? Já que quanto ‘..não sejas traidor à raça pois é ela que te define…’ está desatualizado: ninguém é definido pelo que já não existe.

    2. Acho que o Mamadu e restantes podiam bem almejar e serem mais ambiciosos. Cá nada de apropriação cultural ! Designadamente, deviam deixar de usar por não serem suas e devolver ao mundo ocidental, coisas tais como:
      – a democracia -a liberdade de expressão – todas as formas de cultura ocidental – toda a industria e tecnologia derivada da revolução industrial – toda a medicina que lhes aumentou a esperança de vida – e mais coisas, a ver…

  3. Camacho Costa ainda vai ser desenterrado e julgado, postumamente, por ter interpretado o papel de Lello da Purificação nos Malucos do Riso e não ser cigano.
    Este caso das vozes negras dá-me imensa vontade de rir, como falamos de filmes da Disney será preciso ser rato para fazer a voz do Mickey? Será preciso ser cão para ser Pateta?

  4. A Sara Tavares não teve muitos pruridos em cantar as versões nacionais das músicas da Esmeralda n’ O corcunda de Notre Dame…. Ou será que nas Olimpiadas da Opressão, as minorias podem representar-se mutuamente?…

  5. Até nos filmes da Disney o Mamadou Ba quer matar o homem branco.
    O que se prova que ele não falou em sentido figurado, ele falou em sentido filmado.

  6. Penso haver alguma razão para os protestos. Afinal, foi a própria Disney que decidiu cavalgar a onda “negra”, promovendo incansavelmente a película como sendo o primeiro filme de animação (da Pixar) com um protagonista afroamericano.
    E se os ditos estúdios conseguiram encontrar, para a dobragem em francês, um afro-descendente; para a dobragem em português do Brasil, um afro-descendente; e para a dobragem em espanhol, um… mexicano, é caso para perguntar como é que, no nosso caso, não se deram ao trabalho de contratar um refugiado de Cabo Delgado. Ou ao menos um timorense.

    1. Se o tivessem feito, não tinha havido a reação palerma, eu não tinha escrito este post, e pobres continuavam pobres, com a mesma dificuldade de sempre em sair dessa condição.
      E qual seria o sotaque correcto?

    2. Mas então o mexicano que raio o liga a África? Eu, como africano exijo que a Disney retire o mexicano e vá buscar um equato guineano que foi colonizado por Espanha e falam por ali castelhano

  7. Proponho Jorge Jesus, cuja dieta ao que julgo saber apenas contempla peixe, como nova voz da pequena sereia.

  8. Aproveito para demonstrar o meu desagrado pelo facto do Joaquim de Almeida representar constantemente narcotraficantes sul-americanos.
    Enquanto português sinto-me ofendido, e exijo que toda essa filmografia seja retirada. Arranjem mexicanos e colombianos para esses papéis.

  9. Mais uma regurgitação estúpida de pseudo-defensores da luta antiracista, apenas e só quando essa luta se aplique á raça negra. Por esta lógica torna-se obrigatório criar um guia das profissões/funções que apenas podem ser desempenhadas por brancos, negros, amarelos e afins para não ferir suscetibilidades, apenas criando mais segregação. Fico a aguardar o parecer do SOS Racista sobre o que poderá ser feito por ciganos, já que nunca os vi a trabalhar. (lamento, mas não considero a venda de roupa contrafeita/roubada uma actividade profisssional).

    1. Lançar um filme chamado a “Princesa e o sapo”… hoje seria impensável. Como a Dulce saberá o sapo tem conotações arriscadas e controversas. Basta ver o endereço do nosso DO

      1. Presentemente beijar um sapo seria um atentado ao politicamente correcto, Paulo.
        E depois principes encantados passaram de moda. Mas este foi o primeiro filme da Disney em que os personagens ( até o sapo/príncipe) são afro-americanos. Em 2009 o vilão, que para mim foi o personagem mais bem conseguido do filme, foi dobrado pelo Rui de Sá, sem ninguém exigir um remake vocal, etc, etc.
        Coisas dos tempos.
        No Rei leão que atrás foi referido , V.O. , houve uma espécie de troca-tintas entre o Scar e o Mufasa e não conseguiremos nunca imaginar melhores actores para dar voz aos bonecos.
        O exagero extrapolado torna-se ridículo e até muito triste.

    1. Ciclovia que liga a antiga mina de carvão à central termoeléctrica. Doze quilómetros com um túnel pelo caminho. Um destes dias tenho de escrever sobre este troço.

      1. Havia nesse sítio uma mina de carvão?! Não fazia ideia. Julgava que carvão em Portugal fosse só em Gondomar.
        E uma central termoelétrica?! Também nunca sobre tal ouvira. Quem era abastecido por essa central? Quando foi ativada e desativada?

        1. Já escondi uma geocache alusiva a isso. Vou recuperar os dados e farei um post.
          Mas ainda há uns anos, um incêndio perto da mina desencadeou uma combustão no seu interior e que obrigou a que fossem despejados uns valentes metros cúbicos de betão para a extinguir.

  10. Após anos e anos de luta dos atores negros para interpretarem personagens tradicionalmente e até descritas como brancas pelos seus autores, agora temos isto.
    Eh pah, organizem-se! Os negros podem interpretar personagens brancas, mas os brancos não podem interpretar vozes negras?

    Nem vou tentar entender os argumentos.

  11. Discute-se até à exaustão um fora de jogo por 3 cm. E olha-se para o lado se se arruma uma magistrada da nomeação para um alto cargo europeu a favor dum lacaio do partido do governo e sem competências para tal. Que se foda o país.

  12. Há um argumento importante, creio eu, a favor do abaixo-assinado: a incapacidade dos “actores” portugueses em falarem outra coisa para lá da versão lisboeta do português. Forçado, desde há 3 anos, a ver filmes de animação dobrados em português, cada vez que oiço a voz de uma personagem negra (ou brasileira, como no “Rio”), experimento a mesma vergonha (alheia) que hoje sentiria a ouvir o “chinesinho Limpopó” do Badaró. E que dizer dos filmes e séries que se passam no Alentejo, no Porto ou na Beira Interior, nos meados do século passado, sem que alguém se exprima no sotaque da região? Se há área, em Portugal, em que se vejam os efeitos da endogamia subsidiada é mesmo a dos “actores” e da “capelinha” das dobragens (há meia-dúzia de gajos que, há 20 anos, assassinam filmes), pelo qualquer tipo de renovação, mesmo por pressão do Bá, será bem-vinda.

  13. Boa tarde. Lamento, mas tenho de concordar com a opinião de Nuno Markl e dos assinantes da petição e discordar da sua. O que ele escreveu foi atabalhoado de facto (como provavelmente será o meu comentário já que encontro no intervalo de almoço ), mas o seu conteúdo, bem como o da petição denunciam mais um sintoma do racismo sistémico em que sempre vivemos. Já partilhei a mesma opinião consigo acerca deste assunto e até escrevi, falei, apelei e defendi que, independente da cor da pele, do sexo, da orientação sexual, etc, somos todos iguais (como disse e bem, o que conta é a “cor da alma”), logo a política identitária das minorias era desnecessária. Contudo, tão iguais que somos, mas são sempre as mesmas “almas” a aparecerem nos meios de comunicação, na cultura, no estado e nas mais distintas áreas influentes das nossas vidas. Acredite que parece difícil entender para nós que fomos habituados a ver isso com a maior da naturalidade, mas para centenas de milhares de portugueses com a mesma alma mas com uma cor de pele diferente da nossa, é um pormenor significativo, uma vez que transparece a esse público que não há outra cor de pele que não a branca e outra cultura que não a “galaico-lusitana” no nosso país. Uma polémica com as vozes dos actores de animação da pixar não resolverá as graves injustiças do racismo, mas ajuda a combatê-lo. Assim também concluo que também discordo do seu amigo ciclista.
    Cumprimentos

    1. A descriminação que leva à exclusão de um em cada cinco portugueses por motivo de pobreza é grave. Não é visível mas os pobres não são livres de fazer as escolhas que permitiriam que os seus filhos saíssem dessa condição. É normal existirem, estão sempre lá, silenciosos e resignados. Alguns são de origem estrangeira, mas a maioria não o é.

      1. Opinei o tema do artigo que publicou. Sobre esse assunto concordo com o que escreveu. Reconhece bem esse problema, e no entanto, parece-lhe difícil constatar o facto de que a representatividade contribui, de alguma forma, para a resolução da descriminação étnico-racial, quando a sua ausência é tão evidente.
        Cumprimentos

    2. ” mas são sempre as mesmas “almas” a aparecerem nos meios de comunicação, na cultura, no estado e nas mais distintas áreas influentes das nossas vidas.”

      É verdade, isso tem a ver com racismo sistémico. A cor, não da pele, mas do cartão. Rosa, laranja, essencialmente.

  14. “Defendem que somos todos iguais e por isso as vozes da dobragem deveriam ser negras.”
    Que as línguas possam ser pretas, brancas, cor de rosa, castanhas ou assim assim, vá que não vá, basta chupar aquelas porcarias que as crianças gostam de lamber para ficarem com a língua às cores. Agora línguas negras, isto é, pretas, farruscas ? BAHHH!

  15. E para dar voz a uma personagem de animação que (ainda) seja virgem, teremos que encontrar alguém que (ainda) seja virgem, sabendo-se perfeitamente que as/os virgens acima dos 18 anos são uma espécie em vias de extinção,?

  16. Por acaso este é um tema importante e é urgente a sua definição para que não haja dúvidas. Branco é branco, preto é preto.
    Agora a pergunta que se impõe.
    Estará o preto ou o branco capacitado para dobrar qualquer boneco da Disney?
    Mesmo juntando o amarelo ou o pele vermelha fica a faltar o verde para a dobragem do Hulk, ou o azul para a dobragem do Avatar.
    Imaginemos agora que temos o branco, o preto, o amarelo, o vermelho, o verde e o azul.
    Quem é que vai dobrar os animais?
    Será que também vai aparecer um abaixo assinado do PAN para exigir que o filme dos 101 dálmatas seja dobrado por um preto com vitiligo?

    1. Por um preto com vitiligo ou por um branco com sardas. Ou está a advogar que os brancos com sardas devem ser discriminados?

      1. Então as sardas são castanhas, só dava no filme a dama e o vagabundo. E não podia ser um branco tinha de ser uma branca com sardas.
        A complicação que você está a arranjar, já não bastava a cor para agora a voz também ter género.

        1. Parece-me que um tema tão candente, tão pungente e em que “é urgente a sua definição para que não haja dúvidas. Branco é branco, preto é preto.”, não devia ser tratado tão a preto e branco como o está a tratar.
          Para já nem todas as sardas são castanhas:

          1) https://followthecolours.com.br/art-attack/brock-elbank-celebra-a-beleza-das-sardas-e-da-diversidade-em-seu-projeto-freckles/
          E não são apenas os pretos a sofrer com o vitiligo.

          2) https://www.webmd.com/skin-problems-and-treatments/guide/vitiligo-common-cause-loss-skin-pigment#1

          3) https://www.thesun.ie/tvandshowbiz/television/1217860/celebrity-chef-dean-edwards-reveals-all-about-living-with-skin-condition-vitiligo-during-emotional-chat-on-lorraine/

          4) https://www.ghp-news.com/5-celebrities-with-vitiligo/

          1. Não desvie o assunto, que isto é muito importante.
            Já sabemos que a voz tem cor.
            Já sabemos que a voz tem sexo.
            E quem não tem voz será que também tem cor e sexo? Se o boneco do filme for um preto mudo? Também terá de ser um preto mudo a fazer a dobragem?
            Agora a sério será este um tema que mereça discussão ao ponto de se organizar abaixo assinados?
            Os filmes são bons ou maus dependendo de inúmeros factores, a dobragem é um deles.
            Se há cantores brancos que imitam na perfeição cantores pretos, porque razão é que não pode haver actores brancos a imitar bonecos pretos?
            Ridículo é ouvir o Chuck Norris dizer “eu vou rebentar sua cara, moleque “, e não haver logo um abaixo assinado.
            Com tanta coisa importante para discutir vão arranjar um abaixo assinado para meter o sexo nos anjos.
            Por favor… tenham dó.

          2. Eles podiam também apelar ao boicote do filme, mas depois estariam a boicotar o primeiro filme de animação cujo protagonista é um negro (li isso mas não confirmei), o que não deixaria de ter graça.

          3. Para o Carlos Sousa (5/1 às 12:28 h).

            Olhe que não estou a desviar o assunto.
            Por um lado acho que se está a fazer uma tempestade num copo de água.
            Por outro lado, tenho a sensação de que ainda persistem umas quantas “feridas por sarar” (que talvez ajudem a compreender todo este “barulho para nada”).
            Lembra-se dos personagens negros do “Nascimento de uma Nação” de D.W. Grifith, todos interpretados por brancos? Lembra-se, particularmente da personagem Gus? Lembra-se dos minstrel shows? Lembra-se da torturada e lindíssima personagem da mulata Julie Laverne do filme “Barco das Ilusões” (Show Boat) que não pôde ser interpretada por uma lindíssima atriz e cantora negra Lena Horne e teve de ser interpretada por uma, não menos, lindíssima atriz branca Ava Gardner (com um bocadinho de bronzeador) porque os códigos morais da época oblige…
            Bom seria que esta questão nem sequer merecesse um post mas, infelizmente, o mundo é o que é e, por isso, mais vale levar isto a rir (com contenção, claro. E garanto-lhe que esta do claro não é uma piada racista)

          4. O racismo está na cabeça das pessoas, e com muito mais incidência nas pessoas de cor.
            Se eu chamar preto a um negro é racismo, mas se um negro chamar branquela a um branco está tudo bem. Não sei se a colonização tem alguma culpa como quer fazer crer o Ba, ou se é por simpatia com os recentes acontecimentos nos Estados Unidos da América, o que eu sei é que é ridículo em pleno século XXI mobilizar meios e tempo de antena para censurar um filme de desenhos animados.

          5. Depois dos exemplos que lhe dei, pergunto-me em que mundo (de sonhos) vive o Carlos Sousa para afirmar que: “O racismo está na cabeça das pessoas, e com muito mais incidência nas pessoas de cor.”.
            Deu-se ao trabalho de googlar, ao menos? O que disse? Não percebi? Ah! Tinha que limpar o pó e cortar as unhas dos pés e, por isso, não teve tempo.
            Não passa pela cabeça de ninguém com um mínimo de senso comum dizer que os brancos (ou branquelas) estão todos do lado dos carrascos e que os negros (ou coloridos) estão todos do lado das vítimas. Tenho para mim que são as circunstâncias que fazem a vítima e o carrasco. E que, mudando as circunstâncias, a vítima pode, facilmente, tornar-se o carrasco e vice-versa. E com isto não estou a defender nem a justificar o racismo.
            Mas, queiramos admiti-lo ou não, o racismo existe e tem consequências.
            O único problema é que os Mamadou Ba desta vida e os subscritores desta petição de censura estão a fazer um péssimo trabalho para o combater. Basta ver os “temas” que escolhem como exemplos de racismo, quando há por aí tantos bem piores.
            E fica-se, também, com a sensação incómoda de que estas personagens, na realidade, se estão a defecar para a racismo e estão, acima de tudo, interessadas em manter a todo o custo o seu “nicho de mercado”. But, that’s the way of the world…

          6. O mundo em que eu vivo é igual ao mundo em que vive o anónimo que diz que o racismo é circunstancial.
            Veja o caso da Joacine Moreira em relação ao partido Livre.
            Terá sido um caso de racismo? Ou apenas o esgrimir de argumentações racistas?
            Reafirmo o que disse.
            Em pleno século XXI é ridículo agitar o fantasma do racismo com justificações idiotas e completamente fora de contexto.

          7. Tudo bem. Agradeço a “discussão” (e a paciência).
            Mas também reafirmo o que (eu) disse: o racismo não é um fantasma. Existe e tem consequências para as vítimas. Mas já todos sabemos que as verdadeiras vítimas não têm voz. E quando se atrevem a “sussurrar”, o que acontece é que, muitas vezes, são vilipendiadas e/ou culpadas por serem vítimas.
            E agitar a bandeira do racismo por dá cá aquela palha, não é ridículo. É perigoso! Porque depois acontece o mesmo que na história de Pedro e o Lobo…

  17. a polemica passa-me ao lado, só conhecia o titulo, tambem reproduzido no post, e agora fiquei a saber a essencia da coisa.
    E agora, que tenho dizer sobre o assunto ? – ia pensando ao mesmo tempo que fazia a leitura.
    Quando cheguei á espuma dos dias, expressao que me agrada, julguei que era o fim do post, mas havia mais.
    Felizmente, havia mais, e esse mais salvou-me a opiniao. Nao pude estar na serra aires, o meu unico projecto por realizar, depois de outras experiencias, mas a foto motiva-me mais.

    1. Marque a Fornea e a Lapa dos Pocilgões na agenda. A
      Primeira é bem conhecida, mas a segunda é um fenómeno não menos estranho e único. O caminho para lá é metade da coisa. Usufrua

  18. Esta coisa de tudo é racismo e xenofobia não vai correr nada bem. Vozes com cor ou etnia nunca vi. Por este caminho devem então tirar todos os filmes da Disney. Arranjem um corcunda para dobrar o Corcunda de Notre Dame, e um rato para dobrar o Mickey…

    1. «Vozes com cor ou etnia nunca vi.»
      Não digo que seja impossível mas só admito que a um número muito restrito de nós, seja possível até ver vozes… quanto mais até descobrir nelas, «cor ou etnia» e, no entanto, aqui e ali não deixo de me encontrar com o “pretoguês”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *