O que anima a possibilidade de um governo de salvação nacional é a convicção, baseada até em experiência recente, de que os socialistas, agora em versão Olivia Patroa toda redução de défice e despesas, se deixados à solta na oposição, rapidamente se transformarão na Olivia Costureira toda líder da revolta popular contra as medidas de contenção que o futuro nos impõe.
A salvação nacional não está, por isso, na ideia de compromisso entre os vários partidos unidos num governo e programa comuns mas, isso sim, na neutralização, a todo o custo, da vocação socialista para a oposição irresponsável.
Pode o próximo Governo, com ou sem FMI, sujeitar-se a um PS capaz, como em 2002-2003, de utilizar as mais socialistas normas da Constituição para fazer oposição, para travar as necessárias reformas ou para dirigir manifestações e greves? Pode o próximo Governo, com ou sem FMI, sujeitar-se a um PS de discurso Alegrista e Pintasilguista capaz de iludir, mais uma vez, os portugueses quanto à possibilidade de adiamento das reformas que se impõem? Só quem se não lembra desses anos de irresponsabilidade, cínica como se viu nos anos seguintes, pode considerar que o PS estará à altura do que dele se espera se as próximas eleições o remeterem para a oposição.
O debate em torno do governo de salvação nacional, e eu não estou ainda seguro quanto às suas virtualidades, deve fazer-se, quanto a mim, por aqui.

A prova de que por mais voltas que as coisa deêm, roda tudo em torno do mesmo!
Razão tem o meu pai. Homem sempre ligado à politíca, e quando digo sempre é daqueles tempos em que doía a valer, fisica e psicologicamente.
Bem, mas o meu Pai neste momento só diz:’Sinto-me defraudado!’
A comparação é perfeita, Adolfo. O pior é que enquanto o governo se entretém a alternar entre a Olívia Patroa e a Olívia Costureira, o povo vai ficando cada vez mais Olívia Palito.
lembro-me de em miúdo ter adorado isto. nunca mais me saiu da cabeça 🙂
o monólogo-diálogo é genial.
Um dos grandes momentos do nosso teatro de revista em televisão – excelente rábula do César de Oliveira (se bem me lembro). E uma grande criação da malograda Ivone Silva.
Malograda também me parece a ideia da ‘grande coligação’, discretamente patrocinada por Cavaco Silva. Malograda no sentido de condenada à partida.
Querer meter governo e oposição no mesmo saco, precisamente no momento em que o país se encontra no maior atoleiro económico e financeiro pós-1976, é um erro crasso. Que pode mesmo condenar a democracia a prazo. Por esgotar a capacidade do sistema de gerar alternativas políticas.
No país-modelo da democracia, o Reino Unido, um cenário desses só ocorreu entre 1940 e 1945, durante a II Guerra Mundial. Nada comparável, apesar de tudo.
O PSD, que perdeu as legislativas de 2009, com o segundo pior resultado de sempre, não pode ir para o Governo à boleia do PS ou do PR. Só deve voltar ao Governo após uma vitória eleitoral, que aliás as sondagens dão como certa.
O contrário seria uma fraude política.
Entendo o teu ponto, Pedro. Embora não o considere uma fraude política, sobretudo se, estando a hipotese constitucionalmente conforme, a iniciativa partir do próprio PS. O que quis chamar a atenção foi para o facto de o país não estar eventualmente preparado para as reformas que o país necessita se o PS enveredar, uma vez na oposição, pelo estilo a que nos habituou quando não governa.