Prosa de general birmanês


Pedro Correia,

 

No Avante!, nada de novo. Na sua mais recente edição, o órgão central dos comunistas surge em defesa dos direitos humanos no Sara Ocidental – e muito bem – mas páginas adiante lá vem a habitual condescendência com as ditaduras “amigas”, desta vez num texto abjecto do misógino de serviço, Correia da Fonseca, sobre a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. “Imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo”, assinala o escriba comunista. Reduzindo a privação da liberdade da oposicionista birmanesa durante duas décadas a uma laracha machista de péssimo gosto.

Qualquer membro da junta militar de Rangum seria capaz de dar à estampa um escarro destes. Por momentos imaginei até Correia da Fonseca com divisas de general. Birmanês.

 

Ler também:

A Ana Matos Pires, a Joana Lopes, o João Tunes e o José Simões.

38 comentários em “Prosa de general birmanês”

  1. V. imaginou o Correia da Fonseca com divisas de general birmanês. Pois bem, não precisava de ter imaginado. Ele é. Desde há pelo menos uns 400 anos…, quando se dedicava a fazer “crítica televisiva” (!) no “Pravda” da Venda Nova. Um fóssil!

      1. Eu li, na íntegra, resistindo ao vómito. E continuo a achar inqualificável o tom de escárnio do conteúdo geral do texto. E agora? É tão grave que me faça ir presa para as masmorras do pcp?

          1. Você também escreve à birmanesa, mas ainda não atingiu posto de general: por enquanto é apenas segundo cabo. Esforce-se um pouco mais. Qualquer dia também tem direito a coluna lá no jornal do partido.

          2. Respondo-lhe quando perceber o que você quer dizer. Para já, acho que deve de pedir a alguém que lhe reveja os comentários sobre a escrever, ok?

          3. Olhe se há coisa que me irrita é pessoas hipócritas.
            Ou temos todos de pensar da mesma maneira?
            E já agora todos os que não pensam como V. Exa. estão a passar-se?
            Não o julgava um deus com tanto poder.
            Mas cada um é livre de ser o deus que quiser.

  2. É a prova da liberdade de expressão no “Avante”. A direcção do jornal reuniu durante horas sobre a possibilidade do texto sair ou não. Entretanto os deputados moderados do PCP em compensação por cumprirem à risca o centralismo democrático terão direito a escreverem uma vez por mês no jornal do partido.

    1. Deputados ‘moderados’, como António Filipe e Honório Novo, ou outros comunistas, como o ex-líder parlamentar Octávio Teixeira, há muito não escrevem no ‘Avante!’. Fazem bem para não se confundir com aquele nojo.

  3. E eu suspeito é que este “general birmanês” queira é impor a linha editorial do avante a todos os meios de CS.
    Nada de novo portanto na “democracia comunista” hábil em criticar todos os defeitos das democracias para justificar a intolerância que lhes é intrínseca.
    Veja-se como o “porco do general” apouca a senhora, que não será pobre (pecado), senhora que vai ao hiper fazer compras enfim ……uma espia norte-americana.
    Um fdp será sempre um fdp de um intolerante, porco sujo e baixo.

  4. Este Correia do Norte não sabe, mas é muito mais prisioneiro dele próprio do que San Suu Kyi alguma vez terá sido da Junta Militar de Rangum. E tenho a certeza que nunca conseguirá evadir-se. Não se lhe pode desejar maior castigo.

    (li o artigo todo)

  5. Mais uma pérola do jornal Avante!. Melhor, mais uma pérola do pensamento comunista/ marxista/leninista nacional contra alguém, Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz, que lutou/luta pelo respeito dos direitos humanos e dos valores democráticos. Não deixa de ser curioso o padrão de referências na defesa de um regime/ditadura militar (à semelhança de outros: Coreia do Norte, China) utilizando esta argumentação, ao nível de um “escarro” (para ser simpático), sem dúvida.

  6. Meu caro Pedro

    A prosa do aprendiz de Castrim, também conhecido por Correia da Fonseca, não se pode dizer que seja um escarro. Talvez um vómito. Foi isso que senti quando, alertado pelo seu post, me dei ao trabalho de ir ler a prosa do critico de tv do antigo diário da Porcalhota. A prosa é demencial. A pobre criatura quer gracejar e acaba por meter dó; quer ser irónico, mas acaba por ser digno de pena e depois daquele discorrer sem cabeça e suspeito que escrito com os pés termina a bater na democracia. Uma tristeza.

    Cumprimentos

  7. Mas estes comunistas(comodistas)cá do sitio ainda falam em democracia? Não têm emenda.Podiam ter vergonha.E andamos nós a pagar impostos para aturar esta malta sem vergonha na Assembleia da República.
    A conversa é sempre a mesma.Alguns quando não encontram tacho,lá vão mudando de poleiro,dizem-se arrependidíssimos,mas vão aproveitando. Os cavalos de Troia estão infiltrados em todo o lado,ninguem de bom senso acredita nesse arrependimento.Só acredita quem quer.Mas não façam de nós tão estupidos assim.

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