
Vizinhos elogiosos dão-me a conhecer este programa radiofónico (aka podcast) “Lisboa e os Lisboetas” devido a esta sessão (51 minutos) sobre o meu bairro Olivais. Avanço para o ouvir, enquanto leio: interessa-me o bairro e conheço o “entrevistado” (é uma conversa, não uma entrevista) Pedro Bidarra há 40 anos, olivalense de gema, publicitário renomado, romancista, tipo refinado e de bela verve.
Na introdução da conversa o autor do programa deixa algumas indicações sobre “os Olivais” (é assim que se diz) rural, pré-1950s, incidindo na rede de “quintas” das quais há apenas alguns vestígios remanescentes. E mais para a frente alude à evolução da actual “Avenida de Berlim”, a velha “Entre Aeroportos” (o de Cabo Ruivo, para hidroaviões, e o posterior da Portela), memórias corográficas decerto que interessantes para os fregueses que as desconheçam.
No início da conversa o Pedro Bidarra deixa um pouco da sua, que é a nossa, a da geração fundadora dos Olivais, memória sobre como foi crescer no bairro no pós-25 de Abril – e faz muito bem em lembrar que algo disso deixou no seu ríspido e tão interessante romance “Azulejos Pretos” (ele tem outra ficção, “Rolando Teixo“, que é um mimo, e vou avançando isto porque vem aí o Natal e dar livros é bom, e ambos são uma boa opção).
Depois a conversa desenrola-se, e torna-se um espaço para o autor do programa – José Sá Fernandes, um antigo vereador municipal (surgido com o BE e prosseguido no PS) -, “mudando a agulha” com constantes derivas elogiando … a sua obra camarária. Deixo cair o livro, deliciado, ficando só a ouvir – pois ter-se-á perdido um bocado do fio à meada olivalense, mas com ganhos, pelo menos para mim, crente que sou no método indutivo. Pois é um documento, delicioso (repito-me) sobre “lisboa”, aquela “que anoitece” como (não) cantava o cantor… Lá mais para o fim o Bidarra (com algum carinho – é notório que são amigos – quiçá irónico) deixa uma breve pérola, tentando matizar o fervor intervencionista, até demiúrgico, do político agora radiofónico.
Enfim, terminado o programa não resisto e prometo-me: depois dos quartos-de-final de hoje ouvirei o programa (30 minutos) dedicado ao “Bairro Alto” (post-Frágil, claro), cuja “entrevistada” é a articulista do “Público” Carmo Afonso, comunista, putinesca e que se queixa de os taxis lisboetas federem a “trabalhadores portugueses”. Mais “lisboa”, decerto…

ao zé faz falta, o do tonel do Marx de Pombal, nada se lhe compara.
em 1948-9 morei num palacete da quinta da Farinheira que ouvi dizer foi reconstruído por uma Fundação. ia a pé à meia-noite pela azinhaga dos Fósforos