Prognósticos só no fim do jogo


João Sousa,

Quando, no início da pandemia em Portugal, pessoas que me são próximas apontavam para a desgraça que assolava países civilizados e papagueavam o “milagre português” titulado pela comunicação social e propagandeado por responsáveis(?) políticos, eu respondia, cauteloso, com um “prognósticos só no fim do jogo” e recordava-os de que, há anos, o Sporting foi ao estádio da Luz ganhar 3-0 na primeira volta – e depois foi o que se viu. É o que se vê: por milhão de habitantes, o Covid já matou mais em Portugal do que em Espanha. O Reino Unido e a Itália, como a Espanha destacados desde o início, ainda estão desconfortáveis na liderança mas, se mantivermos este sprint, a Itália está perfeitamente ao nosso alcance.

27 comentários em “Prognósticos só no fim do jogo”

  1. É tudo uma questão de como se contabiliza os mortos. Em Portugal, todo e qualquer indivíduo que esteja infetado com o SARS-COV-2 e morra é contabilizado como morto por covid-19, mesmo que nunca tenha tido a doença e, muito prosaicamente, a causa da morte tenha sido o frio que fez no princípio de janeiro e a falta de aquecimento e isolamento nas casas dos portugueses.

      1. Pois não. Mas noutros países as pessoas não morrem de frio como em Portugal.
        Em Portugal em julho a mortalidade aumentou brutalmente devido a uma onda de calor. Agora em janeiro aumentou brutalmente devido a uma onda de frio mas, como boa parte dos mortos estavam infetados com o vírus, as mortes foram atribuídas à covid-19 quando a causa real delas foi o frio.

    1. Portugal é geograficamente azarado.
      Ondas de frio, ondas de calor, cheias imensas, incêndios devastadores. Temos um clima extremo, é lidar.

  2. O Balio tem uma certa razão… E por este andar vamos ser os camisola-rosa deste Giro… No da corrupção já somos :-))

    1. A amarela do Tour e a vermelha da Vuelta já cá cantam.

      No campeonato da corrupção, o mais extraordinário é nem precisarmos de uma Cosa Nostra para sermos competitivos.

  3. Felizmente vieram os médicos alemães auxiliar o SNS, é da maneira que podem testemunhar a quantidade de ambulâncias à porta das urgências e a quantidade de macas nos corredores. Nunca esperei, sinceramente, que o Hospital da Luz estivesse tão caótico.

    1. Uma conhecida minha estava para ser operada no fim de janeiro no Hospital da Luz. Adiaram-lhe a operação sine die. O Hospital está, disse-me ela (ela tem uma irmã que é enfermeira lá), uma barafunda e com montes de pessoal inoperacional devido a estar infetado com o vírus. A minha conhecida não faz ideia de quando poderá vir a ser operada. O Hospital agora só faz operações verdadeiramente urgentes (que não é o caso dela).
      Quando os políticos discutem a possibilidade de engajar os hospitais privados para ajudar na luta contra a covid-19, deveriam ter em conta que esses hospitais atualmente em pouco melhor estado estão do que os do SNS.

    2. Há dias, Pedro Santos Guerreiro disse na TVI24, a propósito dos pedidos de “requisição civil” feitos pelas bloquistas, que a maioria dos hospitais privados também estava a gerir ocupações perto do limite devido aos seus próprios doentes Covid e doentes Covid que para lá vão enviados pelos hospitais públicos. Pelo que li em algumas notícias, os alemães vão para o Hospital da Luz por ser aquele onde mais rapidamente podem começar a trabalhar.

      1. Eu não duvido que as intenções não sejam boas, mas se o auxilio foi pedido para o SNS era para o SNS que os alemães deviam ter ido.
        Uma coisa é trabalhar num hospital público e outra coisa é trabalhar num hospital privado. Os métodos são diferentes e os objectivos também. O que me leva a desconfiar da bondade da medida.

        1. Ao que me dizem, o Hospital da Luz está, em parte, ao serviço do SNS. Pelo que li, alguns cirurgiões de um hospital público estão ali destacados operarem doentes do SNS.

          1. O hospital da Luz só estaria ao serviço do SNS se tivesse havido uma requisição civil.
            Os hospitais privados visam o lucro, se os cirurgiões estão ali destacados é porque houve um aluguer de instalações.
            Os médicos alemães não estão a auxiliar o SNS, os médicos alemães estão a ajudar o Hospital da Luz a satisfazer o contrato que fizeram com o SNS.

          2. A maioria dos clientes do Hospital da Luz são funcionários públicos (ADSE). Acha que alguém do sector privado tem dinheiro para pagar saúde neste país? Essa ideia de que há um sector privado em Portugal para ricos é um absurdo. Se os hospitais privados vivessem “ricos” estavam bem tramados.

          3. Então e os seguros?
            Só quem utilizou o hospital público e o hospital privado é que consegue perceber a diferença.
            O hospital público visa o doente, é tratado, recebe alta vai para casa.
            O hospital privado visa a doença, o doente faz todos os exames possíveis e imaginários que possam estar relacionados com a doença, depois é tratado e só após nova bateria de exames é que lhe dão alta. Tem de fazer um depósito prévio, no valor que a possível doença possa custar, e só depois da confirmação bancária (a não ser que pague em dinheiro)é que é atendido.
            Não sei se os hospitais privados vivem ricos, só sei é que os cuidados paliativos no Hospital da Luz não são para pobres de certeza.

          4. Melhor de que o requisitar era nacionalizá-lo. Não só esse, mas todos os hospitais, como foi feito na Venezuela e noutros países.
            E os Laboratórios, que fazem análises para o SNS? Esses já deviam estar nacionalizados.
            E as farmacêuticas? Dessas nem é bom fala: nunca deviam ser privadas.
            Requisição civil, já!

      1. Caro João Sousa, totalmente de acordo. Tanto dá para cometer o «Bem», como o «Mal». Tal como o conceito de “Igualdade”. Portanto, mostra que esses conceitos, e os Regimes Políticos que os adpoptaram como premissas básicas da sua ideologia, já não servem para construir o Presente e o Futuro das sociedades e pessoas humanas. Chegaram ao fim. Razão pela qual, por exemplo em Portugal, nas últimas eleições, mais de 60% não autorizaram a sua “representação” pelas opções dadas no boletim de voto. (Pedro Manuel-Cardoso)

  4. O Milagre Português foi inventado para favorecimento político.
    O espetáculo televisivo das vascinas , idem.
    Já agora, não haverá por aí um “milagre das vascinas” ?

  5. O escândalo das vacinas vem provar que o governo vem mesmo do povo e que a cultura dominante é a cultura do clube de futebol do regime. Não se queixem porque é assim que na verdade gostam de ser: batoteiros e aldrabões.

  6. Perguntavam-me uns colegas espanhóis há dias, o que se estava a passar com o Covid em Portugal? Nada de especial, respondi eu, o Covid chegou a Portugal um ano depois.

    1. O Covid chegou a Portugal em Março do ano passado mas a força do impacto foi atenuada pelas medidas tomadas em todos os outros países onde chegara antes; por chegar já perto da Primavera; por as entradas de viajantes no nosso país deverem-se principalmente ao turismo que já estava, na altura, reduzido ao mínimo; e porque a população amedrontou-se e começou a fechar-se em casa ainda antes do governo tomar qualquer medida (e, quando o fez, foi a contragosto). O “milagre”, em tendo existido, foi a ocorrência de uma convergência de acasos. O que chegou agora não foi o Covid: foram as condições que tornaram indisfarçáveis as nossas limitações de planeamento e organização.

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