O Pedro Correia já iniciou a sua série de prognósticos eleitorais. Admiro-lhe a coragem. Eu tenho as minhas convicções, mas não me atrevo a tal. Nos dias que correm confio pouco ou nada nas sondagens que vão sendo feitas. Não está em causa o profissionalismo de quem as faz, mas com uma percentagem tão grande de indecisos como aquela que ontem à noite deu para perceber dos resultados da Marktest (37%), e com os cadernos eleitorais que ainda temos, cheios de mortos, ausentes e desaparecidos (1 milhão ao que me dizem), é natural que a fiabilidade seja má. E se à indecisão ali referida se aliar a volatilidade, que permite a um mesmo eleitor a 72 horas do sufrágio não saber se vai votar em Paulo Portas ou Francisco Louçã, a única certeza adquirida é a de que no domingo, 27 de Setembro, teremos de ir todos às urnas se não nos quisermos arrepender. Com escutas ou sem elas.
Prognósticos, certezas e sondagens
Sérgio de Almeida Correia,

Ora é exactamente isso que eu penso também. Há demasiada poeira no ar que só assenta domingo. O resto são ” feelings ” e estados de alma.
Também acho muito corajoso o Pedro Correia apresentar os seus prognósticos, em que se nota uma grande experiência e clareza no que apresenta e com o título sugestivo que remete para a hilariante tirada do antigo capitão da equipa de Futebol do FCP. Porém, contudo, não obstante, todavia, … acho este seu ponto da situação muito realista. Nem tudo o que reluz é oiro, nem tudo o que balança cai. Possivelmente, mais uma vez, se aplicará a velha frase: “o povo é sereno”.
E claro, vamos todos votar.
:)))
Uma certeza poderá estar já fora de causa o empate técnico!
Penso que já foi banida!
Caro Sérgio:
Suponho que a esta hora a esmagadora maioria dos indecisos (que tenciona mesmo votar) já decidiu sem reservas o seu sentido de voto. O problema das sondagens é que elas acabam de facto por influenciar os resultados finais – há sempre quem queira atrelar-se à carruagem do vencedor, como se houvesse um olho ‘bigbotheriano’ a espreitar por cima do ombro no recato da cabina de voto – e são feitas, em regra, com métodos tecnicamente ultrapassados. O mais censurável, a meu ver, é o recurso sistemático e exclusivo a eleitores com telefone fixo. Como todos sabemos, uma parcela muito significativa de eleitores não tem telefone fixo, o que basta para desvirtuar muitas sondagens. Terá isso mesmo que ocorreu em Junho, com o desastre das ‘previsões’ das europeias. Até o professor Karamba teria sido capaz de fazer melhor.
Sérgio,
Inteiramente de acordo. Penso que um sinal importante seria o abaixamento dos níveis da abstenção, ou seja que o alto nível de indecisos revelados na sondagem (37%) não transborde para o aumento de quem não participa. Até como demonstração de amadurecimento político e ,de certa forma, sufragagem da própria democracia.
Ouvia há pouco na rádio um comentador que não retive o nome, dizer que o mais “excitante” de vivermos em liberdade é exactamente a capacidade que os regimes democráticos têm de lidar com os casos, os escândalos (ou pseudo ), porque isso faz parte da vitalidade dos sistemas políticos, e não há que dramatizar, como por vezes alguns políticos parecem fazer crer, os ataques, as insinuações, etc , desde que estejam seguros de que o fazem com alguma sustentação argumentativa. No “day after “, já ninguém se lembra, a não ser na próxima campanha (ou nos gatos) em que as imagens de arquivo dão geralmente excelentes sketches.
E também não é preciso fazer apelos velados à enorme consciência cívica e bom senso do povo quando vota, porque isso é redundante, paternalista e demagogo.
Um abraço
Rui D
«Muito bem», como soi dizer-se. Mas não me falem em «vitalidade» que me lembro do outro, Rui D. Hehe…
Está bem João. Concedo-te essa. Trocamos por dinâmica, que te parece?
RD
Melhor, melhor… Mas… dinâmica? Julguei que estávamos a falar do sistema político.