Prognósticos (antes do jogo)


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Lá vamos a eleições. O clássico CDS, que há dois anos se reduzira a transporte Bolt, está em estertor de cisões e resmunguices. O também clássico PSD, após anos de verdadeira catalepsia oposicionista, apresta-se a refrega interna – sem que os contendores digam, com concisão mas substrato, ao que realmente vão, ficando assim aquela refrega coisa algo mole mesmo que venha a ser tonitruante. O antepassado PCP segue imóvel face à erosão das marés e ventanias, mais pedregulho ribanceira abaixo menos pedregulho ribanceira abaixo. O também já clássico – que a idade não perdoa – BE vem-se esboroando a olhos vistos, entre dichotes divertidos e dislates invertidos. Na rapaziada mais nova o PAN – que há dois anos se quadruplicou de passe social a táxi, ainda que boletins “Público” e quejandos e as Quadraturas do Mal não lhe tenham ligado – viu sair o líder, zangarem-se os deputados e estuda o convívio humano com as gaivotas, e nisso não será de lhe augurar ascensão a Rodoviária Nacional. O avatar do MES desapareceu, fundido nas listas de assessores governamentais. A deputada Moreira seguirá a O(N)Gs basto financiadas, que não acredito que ascenda às listas do poder.

Resta-nos a juvenil IL que, apesar da tendência para o piadismo própria da idade do armário, irá cobrar dividendos da relativa coerência do que vem dizendo. Tal como o prof. Ventura, que lucrará os dividendos de tanta patega atenção alheia, e que ainda terá um momento extra para se vitimizar, pois obrigado pelo Tribunal a refazer um congresso, no qual dirá, decerto, “aquilo que é preciso dizer e mais ninguém tem coragem para o fazer”.

E nisto tudo, lá para Janeiro, o idoso PS, trapalhão e exausto, vácuo de clientelista e patrimonialista, pejado de figuras inanes e de projectos insanos, sairá reforçado.

Um tipo entristece. Ou rejuvenesce.

14 comentários em “Prognósticos (antes do jogo)”

  1. E as eleições autárquicas foram à dois dias atrás!!! Com um excelente resultado para o lado do centro direito… O PS e a comunicação social xuxa só tinha mesmo que lançar o caos ao centro direita em Portugal com o apoio dos idiotas úteis europeus

    1. ” foram à dois dias atrás!!!”
      “O PS e a comunicação social xuxa só tinha mesmo que lançar”
      Sem comentários

  2. O PS sairá reforçado? Com um discurso altamente rancoroso, cheio de promessas não cumpridas ( um mentiroso ).
    Só se o Zé endoideceu!

  3. A “tendência para o piadismo” parece-me um apoucar do talento, já sobejamente comprovado, para a “tendência para a anedota, com vergonha reflexa de brinde” – ora atente nos episódios da novela “Candidato para a CML apresenta-se ao serviço”.
    E depois, “relativa coerência” não têm eles todos, esses que apresenta como um cortejo de trôpegos e esvaziados e impotentes, condenados a percorrer eternamente um labirinto sem saída?
    Envelheça, jpt, mas por favor não amoleça. Não se contente com coerências relativas, só porque sabe impossíveis integridades absolutas. A IL? Ná, não me parece.

    1. Agradeço-lhe essa simpatia, potenciada no seu generoso anacronismo “envelheça, jpt…”. “E de que maneira”, balbucio em resposta
      Quanto ao resto, terá razão na crítica à minha formulação, todos os partidos (uns mais do que outros) afixam (e até praticam) uma “coerência”, “relativa” que seja. O que não significa que seja ela obrigatoriamente virtuosa mas, pelo menos, fixa alguma ligação com as respectivas “bases eleitorais” e permitirá alguma credibilidade diante da massa flutuante de eleitores. Mas o que quis dizer no textito “ao correr das teclas” é que a IL – partido com o qual aqui tenho ciclicamente resmungado, até porque nele votei – pelo menos não se deixou chegar a este momento em alvoroço interno. Pelo menos isso, a denotar alguma organicidade. A qual não é sinónimo de fechamento interno mas será associável a alguma sanidade colectiva. Não encontro isso nem nas trapalhadas dos outros partidos de centro-direita (esse termo fora de moda, pois neste último quinquénio “parece mal” e só se pode dizer “centro-esquerda”) nem nas atrapalhações dos outros partidos que sustentaram o governo do PS. Quanto a este, mais ou menos jovens turcos à espera, segue com a coerência de quem está no poder…

      1. Não se deixou chegar a este momento em alvoroço interno, diz o jpt muito bem. Vamos ver o que acontecerá quando a caravana de trânsfugas do CDS lhe bater à porta… com um aríete, prontos a abocanhar essa organicidade de que fala, assim tipo aquisição hostil, não sei se está a ver? Ou então utilizando o método pele-de-cordeiro… Até vou mais por este último.
        Por outro lado, a IL não tem ainda tempo para somar grande cadastro de trapalhadas ou de atrapalhações, porque também nisso a idade é um posto. Não que a IL não vá mostrando talento para a coisa, como já falámos.
        Aproveito para agradecer-lhe aqui a disponibilidade de me elucidar sobre o “Comentário da Semana” – assim não terei que lá voltar. Que o “Delito” também é um tanto labiríntico, não acha?
        Creio que já lho disse, mas não me importo de repetir: embora me pareça que não comungamos propriamente ideários, mas talvez por isso mesmo, é um prazer lê-lo, uma raridade por estas bandas dos “ao correr das teclas”.
        E quanto ao envelhecer, hèlas!, o que lhe diga? Não há humor que chegue.

        1. Isso da IL não é propriamente meu assunto – apenas votei uma vez, nas últimas legislativas, sem ser crente. E tenho-me fartado de resmungar com o partido. Mas não deixo de concordar com a hipótese que levanta, que haja uma corrente de “dissidentes” do CDS que se venha a integrar no comboio em andamento IL. Mas julgo que será mais em termos de votantes que isso será visível, estas figuras conhecidas resguardar-se-ão nestes próximos tempos. Diga-se que as transferências do CDS são um fenómeno tradicional (basta ver Basílio Horta)

        2. Gracinha, agradeço-lhe a simpatia. Quanto à comunhão de ideários avanço que nem comigo mesmo comungo algum ideário, quanto mais com outrem… Para mais, sempre entendi o bloguismo como uma conversa (ainda que às vezes releia textos que botei e me pareça que os escrevi imaginando-me em cima de um estrado qualquer e mesmo diante de um púlpito, o que não será pecado de soberba mas mais deficiência de intelecto). E para quê conversar com quem se concorda com tudo?

          Quanto ao “labiríntico” do Delito que aponta aproveito para reflectir sobre a técnica. De facto o DO não o é, até está muito bem arrumado. O que pode dar essa sensação são os suportes no qual é lido. O formato do blog é muito padrão, e nisso facilita – pelo menos para quem tem o hábito de ler blogs (nem sempre é o caso, como noto em alguns comentários aqui e muitas vezes noutro blog do Pedro Correia no qual escrevo, o sportinguista És a Nossa Fé). A coluna da direita tem os postais recentes, as “pastas” (assuntos) e logo abaixo o rol de autores (no qual também se pode aceder aos textos de quem se procura). Mas este formato é muito visível, esclarecedor, em ecrã de computador. Já nos telefones e nas tabuletas a coluna da direita pode aparecer no sopé do blog e isso torna mais difícil a procura de postais. Julgo que o ar algo labiríntico se deverá a isso.

  4. Com licença de “jpt” – que peço e espero – ofereço o meu prognóstico para período posterior às próximas eleições.
    – Se ganhar o PS com maioria absoluta, Deus nos acuda!
    – Se ganhar com maioria relativa, ficamos exactamente na mesma.
    – Se a direita, incluindo Chega ganhar, talvez o Zandinga ou a Maya saibam o que vai acontecer, mas que pode ser om esmo que no quadro seguinte.
    – Se a direita excluindo Chega tiver maioria, Deus nos acuda:
    a) a Intersindical convoca greves;
    b) A Frente Unida convoca manifestações;
    c) A comunicação social enfatiza males, esconde acertos e preconiza o caos;
    d) As magistraturas anunciam processos e averiguações contra pessoas de direita ou meramente suspeitas de o serem e informações em segredo de justiça escorrem para a comunicação social.
    e) A função pública, inquinada de chefias de “boys” mostra-se incompetente para executar decisões do governo, quando não as boicota.

    De facto o PS de António Costa replicou o partido democrático de Afonso Costa e o país está ingovernável por outros. O resultado só pode ser o mesmo, isto é, uma catarse, tal como em 1926. Claro que 1926 não é repetível pois nem existem os tenentes e capitães que tinham sido os cadetes de Sidónio, nem ninguém imagina um vice-almirante a marchar sobre Lisboa
    O meu palpite é que a réplica será mais ao estilo do século XIX com a Inglaterra substituída pela UE. Teremos uma nova “troika” mas desta vez musculada..
    (publicado na caixa de comentários do “blog” Corta-Fitas)

    1. Quanto ao que diz no que estou completamente de acordo é que se o PS não ganhar acontecerá “c) A comunicação social enfatiza males, esconde acertos e preconiza o caos;”…

      Aproveito o que refere para notar que será um belo objecto de trabalho a análise do discurso socialista (em particular os discursos dos “intelectuais orgânicos” na imprensa comentadeira e nas redes sociais) sobre o vice-almirante, o crescendo de bicadas apoucadoras que acompanharam os tempos finais da sua coordenação. Demonstrativo de que tudo (todos) o que não é PS (mesmo que tenha sido escolhido por um governo socialista) é para botar-abaixo. Um ambiente tétrico.

      1. Ouça a Ines Pedrosa n’Ultimo apaga a luz. Só faltou o kumbaya e o Costa imolado qual Joana do Arco.
        Para lá da culpa ser do Passos e da Direita ser responsável pelo troikismo (não, não estou a exagerar), agita-se o fantasma do Chega. Votar psd é votar numa coligação com o Ventura.
        Eles andam aí, uns pagos, outros fazem o trabalho de borla.

        1. Anonimus terá que conceder que lhe tenho dado tratamento curial. Como tal não consigo perceber a razão dessa sua agressividade… Que mal lhe fiz eu para me mandar ouvir a Inês Pedrosa?

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