Profissão: deputada


Pedro Correia,

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Tinha 26 anos quando foi eleita pela primeira vez deputada, nas listas da CDU, em 1 de Outubro de 1995. E nunca mais de lá saiu. Acaba de ser reeleita, 20 anos depois, da mesma forma que sempre recorreu para atingir este desígnio: usando o PCP como barriga de aluguer.

Heloísa Apolónia é “líder” de um partido que nunca se submeteu individualmente a voto algum. Nem para a Assembleia da República, nem para o Parlamento Europeu, nem para uma câmara municipal, nem para uma junta de freguesia. É a maneira mais cómoda e mais inaceitável de estar na política.

Profissão: deputada. Nada sabe do mundo dos trabalhadores que tanto gosta de invocar nas suas arengas do hemiciclo.

0 comentários em “Profissão: deputada”

  1. Nos entretantos….

    Veio- o PAN para a obrigar (será)? e discutir gatinhos e a degradação da praia do Meco com todas as consequências ….

    Será?

  2. Deve sempre remetida para o patrão de confiança e reproduzir o eco do costume.
    Se Costa se faz desentendido eu não lho permito. Jerónimo mandou-lhe o recado simples de que manterá Arménio em continua e obediente chamada de prevenção á rua e ás empresas. Quando um homem que se quer mostrar como líder a tudo se submete para sobrevivência do próprio cadáver politico é bem melhor mobilizar especialistas em conservação de múmias. Até amanhã no conclave da crença ou falta dela.

  3. Os Verdes são uma das criações do Moscovo para impedir a NATO de combater a instalação dos mísseis SS-20 com que União Soviética queria tornar a Europa Ocidental refém.
    São aliás uma excelente demonstração de como as causas da Esquerda são falsas.

      1. O jeito para ironia não é o seu forte.
        Por exemplo é incapaz de ver que a verdadeira ironia da Alemanha anti-nazi é estarem a aceitar milhares de anti-semitas de braços abertos.

  4. Tinha 26 anos quando foi eleita pela primeira vez deputada. E nunca mais de lá saiu.

    João Bosco Mota Amaral, que já foi objeto de um post do Pedro Correia, também foi eleito pela primeira vez deputado com 26 anos de idade e foi deputado todo o resto da sua vida ativa. E Francisco Sá Carneiro idem. E possivelmente bastantes outros.

    um partido que nunca se submeteu individualmente a voto algum

    Certo, mas a maior parte dos deputados também só se submeteram a votos dentro de listas partidárias, nunca foram individualmente avaliados pelos eleitores. Os méritos de Heloísa Apolónia (que, em meu entender, são poucos ou nenhuns) são avaliados da mesma forma que os da maior parte dos outros deputados: pelos seus companheiros na lista partidária.

  5. Melhor ataque aos Verdes foi feito por Marinho Pinto, nesta campanha eleitoral, quando os acusou, não de serem deputados profissionais (que são, mas não são os únicos), não de serem eleitos em barrigas de aluguer (que são, mas não são os únicos), mas de serem apenas uma forma que o PCP arranjou para ter dois grupos parlamentares em vez de só um, com todos os privilégios inerentes.

  6. Caro Pedro,
    conheci alguém, já falecido, que recusou estar num lugar elegível para deputado, nas eleições para a Constituinte, por ter somente a 4ª classe!
    Outros tempos!

    Desta Assembleia, ainda não sei, mas nas anteriores, e não deixa de ser curioso 100 anos após a República, existiram muitos deputados que só o foram porque eram filhos de outros deputados!

    Uma outra análise, co-relacionada com esta, seria verificar a taxa de empregrabilidade das principais universidades portuguesas, com a empregabilidade das «Jotas»!

    1. Pois, meu caro. Já eu conheci um sujeito que por não figurar em nº 1 da lista por Lisboa abandonou o partido que quis pô-lo no segundo lugar.
      Por acaso era alguém sem licenciatura mas que fazia sempre questão em ser tratado por “senhor doutor”.
      Veja bem a diferença entre o exemplo que aqui trouxe e este triste caso…

  7. Estratégia antiga. O PCP está por trás de dezenas de ONGs e Associaçōes profissionais e sabe-se lá mais o quê, todos eles supostamente independentes, mas a fazer barulho concertado no momento certo. Eu sei porque trabalhei numa dessas organizações-fachada e tínhamos os contactos de todas as outras e os comunicados vinham da “central” já preparadinhos.

    1. Estratégias do tempo da pedra lascada, quando se presumia que qualquer gato servia para passar por lebre. Quem é que pode levar a sério um “partido político” fundado em 1982 que nunca até hoje concorreu autonomamente a eleição alguma?

    2. É só o PCP que faz isto, está mesmo a ver-se. No que aliás não vejo problema nenhum nem para o PCP nem para os outros.

      1. Só o PCP faz de barriga de aluguer a um falso partido há 33 anos? Sim, só o PCP faz isso. Uma fraude política para desdobrar o tempo de intervenções parlamentares. Não há outro nome a dar a isto.

        1. Pedro:
          Há vários nomes os frases adjectivas para classificar esta gente: fraude política, pouca vergonha, oportunismo político, chico-espertismo; tomarem os eleitores por tolos, total falta de respeito pelos eleitores, etc., etc., etc.
          Só vejo uma coisa positiva: conseguiram fazer clonagem «avant la lettre», o que não foi coisa pouca para o estado em que estava a ciência biomédica nos anos 80.

      2. É falta de ética. Acho péssimo. É manhoso, latino e suburbano. Se não vê nisto um problema então acho que vc tem um problema idêntico aos deles.

        1. “Se não vê nisto um problema então acho que vc tem um problema idêntico aos deles.” Sim, sim, tenho feito golpes destes (golpe será a palavra própria?) sempre com muito bons resultados. E nada de ilegal. É uma questão de saber levar a água ao seu moinho.

          1. Isso é tudo demasiado sarraceno e corrupto para mim. Eu venho dos lagos nas montanhas.

  8. Pedro, a Heloísa Apolónia não constitui o único caso no parlamento de deputados cuja única profissão é ser deputado. Pode-se de dizer que é uma situação transversal a todos os grupos parlamentares. Muitos deles saídos das universidades e bem inseridos nas respetivas jotas, conhecem como única profissão a carreira politica, encerrados nos gabinetes, completamente desligados da vida e do mundo real, nomeadamente em termos profissionais. Temos que ter uma visão mais abrangente da situação em análise e não apontarmos as baterias apenas para quem nos interessa atingir.

    1. Se me permite, Orlando, eu “aponto baterias” a quem muito bem entendo.

      Ao contrário do que você diz, é um caso único. Porque não apenas se “profissionalizou” como deputada mas também porque representa um partido que nunca se deu ao luxo de concorrer sem a respectiva barriga de aluguer.
      Caso único mesmo. Julgo até com direito a destaque no ‘Guinness Book’. Seria merecido.

      1. Com certeza Pedro, você aponta baterias para quem entender é um direito que lhe assiste, e eu também tenho o direito de discordar dessa sua postura redutora. Cada um com os seus direitos. Nem mais!

    2. Eu não diria que é necessário ter sido operário, carpinteiro ou telefonista para defender os trabalhadores, creio que o bom-senso chega. Mas creio que o problema apontado no post é a fraude que em que o próprio partido e o seu lugar parlamentar consiste.

      Um tipo de trafulhice pequenina (aquelas coisinhas que estão erradas mas estão dentro da lei porque o “sistema permite”) que é tão comum na nossa sociedade e que é tão tolerada. E que se calhar a explica melhor o atraso da nossa vida colectiva do que as rábulas do costume sobre os “políticos todos iguais” e os “empresários gananciosos”, os “presidentes retrógrados” e os malandros do costume — entre outros mitos que ouvimos dentro de um taxi ou no Opinião Pública da SIC.

      Fazer jogadas sujas no limite da legalidade era uma prática muito frequente no PS. Parece que continua e que encontrámos o Mentor.

  9. Penso que foi o Santana Lopes o único que tentou acabar com a encenação da obrigação de receber os tais “verdes” como primeiro-ministro mas teve que recuar, o formalismo impunha que se tratasse esta fraude como algo verdadeiro. E agora até devem ir para a coligação governamental ….

    1. Será legal acumular infinitas coligações? Que uma coligação como a CDU se colige novamente com outros grupos contra os quais concorreu nas eleições para formar governo. Isto da “esquerda” é um grande chapéu para uma data de trafulhices, como o ópio, a cocaína e a heroína que alimentam os países “anti-capitalistas”.

      1. A lei eleitoral é omissa quanto a isso. E todas as tentativas para a alterar, nomeadamente neste particular, têm sido condenadas ao insucesso. Desde logo porque os verdes votam contra. E os vermelhos também.

  10. Acho que sim, mas também acho estranha a especificidade do dedo apontado a uma pessoa apenas, no meio de tanto jota moldado, de tanta licenciatura enviezada e/ou tirada já nos trintas quarentas da vida, depois de anos a trabalhar nas (e para) empresas de amigos… Entre estes fenómenos e o da profissional deputada…
    Quem escreve algo assim deve estar a preparar coerentemente uma nova série sobre deputados e quejandos, acho.

    1. Você acha estranho ver alguém criticar uma deputada profissional que representa há 20 anos um “partido” fundado em 1982 e que nunca se submeteu a votos?
      Eu acharia estranho o contrário: que ninguém criticasse. E acho estranho que você não critique. Como se fosse normal surgirem partidinhos da bolsa marsupial de outros partidos-cangurus.
      Quanto à série, esqueça. Este é caso único, não se assemelha a mais nenhum. Nem em Portugal nem na Europa.

      1. Volto a repetir: Acho que sim, mas também (…). Tenha calma na leitura e na interpretação para que a resposta não saia desconexa.

          1. Volto, mas desta vez não me repito. É isto? Desconversa? Boa sorte nessa cruzada da poupança. Fraquinho.

  11. Se vamos por aí os jotinhas fazem parte da assembleia, nunca fizeram nada, a não ser deputados. O trabalho deles foi ser jota e de jota ascenderam a deputados acabando em cheio e bem novos, reformados antes de qualquer português. Para cúmulo, a maioria deles nada fazem a não ser alguns da primeira fila, os outros fazem tudo, menos aquilo para que foram nomeados.

    1. Já no caso dos Verdes não é preciso fazerem mesmo nada: nem sequer concorrer a eleições. O partido-canguru acolhe-os na bola marsupial. E são ‘jotinhas’ a vida inteira. Se fossem a votos isolados nem meio deputado elegiam.

      1. Isso é problema deles que nem eu nem o Pedro temos nada a ver com isso. Provavelmente fazem o que o CDS e PSD se preparam para fazer.

          1. Olhe que sim, olhe que sim! PSD e CDS hoje dizem A, amanhã dizem B e não tente dizer que não porque já é voz corrente que o vão fazer. Aliás, merecem-se um ao outro que o único que sabem fazer é mentir e na base da mentira meter medo aos portugueses que de política pouco ou nada sabem e caem na ratoeira.

  12. Começo a ficar confuso com a linha de argumentação do Pedro Correia. Afinal, as coligações antes das eleições são válidas ou não?

    Por um lado, temos que a coligação PS/BE/PCP não foi votos coligada, pelo que muita gente, Pedro incluído, grita que tal é ilegítimo. Como contraponto, a coligação PaF é um bastião de virtudes.

    Por outro lado, a coligação da CDU não é legítima porque é uma “barriga de aluguer”.

    1. Você anda mesmo confuso, não restam dúvidas. Um “partido” fundado em 1982 que nunca concorreu autonomamente a eleição alguma mantendo sempre um grupo parlamentar graças aos dois lugares que o PCP antecipadamente lhe reserva é algo sem par na democracia portuguesa (ou em qualquer outra). Estamos perante uma evidente fraude política destinada a duplicar o tempo de intervenção parlamentar dos comunistas durante legislaturas sucessivas.

      1. Se as regras são cumpridas, como podemos estar a falar de fraude? Não houve já tempo suficiente para corrigir esta situação? Já houve 7 revisões da Constituição, as quais precisam de dois terços da Assembleia, e não se fez nada?

          1. As revisões da CRP precisam do entendimento de dois terços dos deputados eleitos para poderem ser aprovadas. Isso implica tanto o PS como o PSD – se estes partidos não estivessem de acordo com as “vantagens” da CDU ter o dobro do tempo parlamentar, seguramente já teriam eliminado esta possibilidade.

            Em termos políticos, sabemos com o que contar: são eleitos deputados pela CDU, os quais se distribuiem por dois grupos parlamentares. Não há fraude, se sabemos à partida os resultados futuros do voto na CDU.

          2. Como você não ignora, essa é uma das matérias que mais servem para moeda de troca na mercearia partidária. Por interesses conjunturais dos partidos nunca foi possível gerar consensos no Parlamento sobre essas questões estruturais. Há vinte anos, por exemplo, que se procura legislar sobre a introdução de círculos uninominais: sempre sem consenso. Há um quarto de século que se debate a redução do número de deputados: sempre sem consenso também. E etc,etc,etc… Dezenas de etceteras.

          3. Mas são etceteras diferentes. E devem ser tratados de maneira diferente.

            Cortemos a direito – se este fosse um problema sério, das duas uma:
            1- os outros partidos teriam acabado com o “regabofe”;
            2- toda a gente fazia o mesmo.

            No fundo, não é nada de anormal, nem nada de especial.

          4. Você já escreveu tantas linhas e ainda não percebi se concorda ou não que exista um partido há 33 anos em Portugal, sempre com representação parlamentar, sem nunca se ter submetido a uma só eleição com lista autónoma.
            Tão simples. Basta um sim ou um não.

          5. Basicamente, sou indiferente à existência dos Verdes enquanto partido.

            O facto de nunca se ter candidatado como partido independente às eleições é irrelevante, pois é uma possibilidade aberta a todos os partidos/movimentos, e nunca se poderia classificar de fraude algo que está perfeitamente antecipado – há 33 anos que é assim!

  13. Artigo 1.º (1): 1. O PARTIDO ECOLOGISTA «OS VERDES», fundado em 1982, nasceu da necessidade de agir pela paz, pela desmilitarização, pelo desarmamento, pela desnuclearização, pela justiça social, pelos direitos humanos, pela igualdade, pela proteção dos seres vivos e dos ecossistemas, e pela ecologia, tendo por base uma ideologia de transformação da sociedade que assente nestes princípios, com vista a um desenvolvimento durável.

    Ecossistemas e ecologia vêm em último lugar na lista das necessidades que presidiram à criação de um partido…ecologista.

    1. A ecologia no fim? Faz sentido, tratando-se de um partido comunista (duplicado) fundado em plena Guerra Fria, quando os partidos do bloco soviético eram dos mais poluentes à escala global – realidade comprovada em matérias tão diversas como o Trabant e Chernobil. Estavam-se totalmente nas tintas para a ecologia.
      Um dia, quando tiver tempo, hei-de indagar se os ‘verdes’ produziram algum documento de análise crítica sobre a catástrofe ecológica de Chernobil.

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