Primum vivere, deinde philosophari


lauraramos,

 

Via Pordata, chegou-me o artigo da ‘Visão’ As Mulheres fazem a diferença.
Não gosto do título, mas interessam-me os dados, que revelam o que afinal já todos sabemos, empiricamente:

  • Em 2009, as mulheres obtiveram 52% dos graus de doutoramento conferidos em Portugal, representaram 59% dos diplomados do ensino superior e 53% dos matriculados neste nível de ensino.
  • No mesmo ano, a  taxa de actividade feminina em Portugal foi de 56%, apenas atrás, na União Europeia, da Dinamarca (60,6%), Suécia (59,4%), Países Baixos (59%) e Finlândia (56,9%).
  • O predomínio estatístico das mulheres é particularmente evidente nos sectores relacionados com as funções do Estado Social, como os da Educação e da Saúde.

Se repararmos – agora acrescento eu – a representação feminina em lugares de direcção e chefia é escassa. E também neste caso é substancialmente maior na Administração Pública do que na actividade privada. Não porque o Estado-produtor seja menos misógino e mais esclarecido do que o produtor privado…  mas apenas porque a igualdade de oportunidades de acesso a esses cargos está realmente protegida (sujeita ao princípio da legalidade e ao controlo dos interessados).

 – Então, o que é vai perpetuando a ausência das mulheres do poder?

 O dever de garantir a vida dos outros: as crianças  (cada vez menos); os ascendentes a cargo; as tarefas em casa.

O eterno papel supletivo.

A obrigação de realmente fazer.

Já sabíamos.

Gosto de o comprovar assim, em artigos de fundo.

E não gosto de ouvir isto em hino; inscrito em aventais invisíveis de loja maçónica; ou cacarejado durante o brushing.

Qualquer consciência de classe fundamentalista me tira do sério.

E não é que não a tenha.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *