Isabel Jonet
Muitos dos que em Janeiro de 2015 andaram a bater no peito gritando “Je suis Charlie” figuram na primeira linha do apedrejamento público quando está em causa a liberdade de expressão. Basta percorrer as redes sociais para se detectar o fenómeno: as palavras carregadas de azedume e ódio a quem parece pensar de maneira diferente surgem num galope incessante. Estas ondas de intolerância alimentadas pelas novas tecnologias vão e vêm, em cadências regulares, como água do mar a bater na praia. Geram picos de emoção e fúria que logo se transferem para novos alvos.
Uma dessas polémicas ocorreu entre nós em 2012, a propósito de um debate televisivo que teve como protagonista Isabel Jonet. A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, criado em 1991, disse algo que, recordado à distância, parece mera expressão do senso comum: “Estamos a empobrecer porque vivíamos acima das nossas possibilidades. Os portugueses têm de reaprender a viver mais pobres.”
Chamaram de tudo a esta aquariana de 55 anos que exerce o voluntariado há cerca de um quarto de século e hoje é presidente da Federação Europeia dos Bancos Alimentares. Foi alvo de chacota com pinceladas misóginas e houve até uma petição pública na internet para a sua destituição. Alguns dos que viriam a ser “Charlies” gabaram-se então de nunca terem contribuído para o Banco Alimentar, que auxilia mais de 400 mil pessoas carenciadas e mantém como lema “aproveitar onde sobra para distribuir onde falta”. Só o bom senso parece mais difícil de distribuir…
A petição – rapidamente esquecida – recolheu 5422 assinaturas, tendo sido superada por outra em defesa de Isabel Jonet, que congregou 7038 signatários.
E se a curto prazo, aproveitando tamanha febre peticionária, houvesse uma petição destinada a lançar esta economista numa candidatura presidencial para pôr fim ao monopólio masculino da função?
Prós – O Banco Nacional Contra a Fome, com ela à frente, obteve em 2005 o Prémio dos Direitos Humanos da Assembleia da República, votado por unanimidade. Quem é capaz de mobilizar mais de 42 mil voluntários em duas mil lojas, numa rede de 2665 instituições de solidariedade, também é capaz de atrair votos. Em 2012 recebeu uma tremenda vaia no congresso do Bloco de Esquerda, semelhante às que os árbitros costumam escutar nos estádios, o que parece habilitá-la para Belém: afinal o Presidente da República não é o supremo árbitro do sistema?
Contras – José Barata Moura gravaria uma nova versão do seu velho disco Vamos Brincar à Caridadezinha, com efeitos virais garantidos no espaço virtual. Os produtores de gado bovino fariam campanha declarada contra quem se atreveu a dizer que “se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias não podemos comer bifes todos os dias”. Alguns, entre duas garfadas, lançariam uma petição para extinguir o Banco Alimentar, alegando que só existe para “perpetuar a fome”, enquanto outros, mais radicais ainda, lançariam outra petição para acabar com todas as petições.

![ng2215500[1].jpg ng2215500[1].jpg](http://4.fotos.web.sapo.io/i/B040653ee/18472916_rvVkg.jpeg)
Costumo contribuir – e há muitos anos – para o BACF.
Disto isto, de cada vez que abriu a boca para se meter onde não era chamada e dar lições, coisa em que foi reincidente, espalhou-se ao comprido.
Pelo que julgo saber, o BACF deveria preocupar-se mais com a qualidade e idoneidade das instituições a que entrega o que lhe “doamos” – não é a primeira nem a segunda vez que me chegam ao ouvido casos de distribuição, por essas instituições, de alimentos a chicos-espertos, assim como os seus próprios elementos desviam em proveito próprio o que podem.
Concordo plenamente com este comentário.
Dito isto…
Apoiado a 200%. Uma ONG de excelente merito (que já tinha e continua a ter uma força humana de grande valia )precisa de senso na sua direcção. Apesar do que se dá nas campanhas ser 5% do que o BA dá, vale pela mensagem; não é bom ter um director que rema para trás. E sobre a fiscalização é mais que verdade e que me parece fica sem uma investigação eficiente.
Nem para a moralização nas ONG teve qualquer papel que aí sim deveria ter papel central. A Tecnoforma devia ter despoletado as campainhas para reduzir ao minimo os milhoes de euros que as pessoas dão e são gastos improdutivamente em “ajudas de custo” que não passam de patranhas e escandalos.
Optei por não comentar candidatos a candidatos nem candidaturas individuais. Mas parece-me que o Pedro quer tirar a senhora da “sosseguice” a que se votou. Deixe-a estar como está. Ou já não se recorda?: omentario-da-semana-6205553
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-c
Já agora, eu continuo a não ser Charlie e não deixo de ajudar não o BA mas aqueles a quem o BA distribui o que lhe faço chegar.
Meu caro: recordo todos os comentários da semana que escolhi até hoje. E já foram muitos.
Caro Pedro:
Cruzes, canhoto.
Depois de o «Portugal dos pequeninos» como símbolo nacional durante tantos anos, arriscávamo-nos a ter o «Portugal dos pobrezinhos» durante outros tantos.
Pobre mas honrado, sem que se faça alarde público da pobreza como virtude.
Só quem a não vive se dá a esse luxo intelectual.
O Costa, em lá chegando, ou acaba com a caridadezinha ou com os pobrezinhos. Ainda não está decidido, mas é mais que certo.
Perdeu uma boa oportunidade para ficar calado, não acha.
Pelo menos em relação a mim.
Já agora em relação ao Costa, que não foi para aqui chamado.
Perdeu uma boa oportunidade de mostrar que tinha enfiado a carapuça.
Sabe onde é o bilhar grande?
Perfeitamente: é onde mando os M.S. dar uma volta.
Muitos dos que em Janeiro de 2015 andaram a bater no peito gritando “Je suis Charlie” figuram na primeira linha do apedrejamento público quando está em causa a liberdade de expressão.
Calma. As pessoas podem odiar a sra Jonet, vilipendiá-la e abominar aquilo que ela diz. Mas ninguém, que eu saiba, pretendeu proibi-la de se expressar! Nem ninguém, muito menos, tentou calá-la à força!
exerce o voluntariado há cerca de um quarto de século
Segundo julgo (corrija-me se eu estiver errado), ela não trabalha para o Banco Alimentar como voluntária e sim como profissional: aufere um salário pelo seu trabalho. Ou não?
Eu também NÃO SOU Charlie e gosto pouco de redes sociais e dos clubismos lá reinantes sejam para que lado forem, no caso do Pedro Correia (pelo que se me dá a perceber aqui) só não gosta quando é para um dos lados mais isso é problema seu.
Quanto á senhora em questão, já provou mais que uma vez que não sabe estar, nem ser, parece que pretende algum reconhecimento (recompensa) por uma actividade nobre que se devia caracterizar por atitudes o mais isentas possíveis.
A partir do momento que tece juízos de valor sobre a sociedade portuguesa em geral sem a conhecer perde toda a razão ou crédito que pudesse ter.
Gostaria de a ver também falar dos seus amigos pobrezinhos da Comporta, das suas atitudes e aí sim talvez volta-se a ter o meu respeito enquanto tal não se verificar, será apenas mais uma pessoa que escolheu um lado sem se aperceber que na sua posição não o pode nem deve fazer pois a pobreza física dói mais que a intelectual pois os intelectualmente pobres infelizmente na maior parte das vezes não sabem que o são.
Obviamente não podemos confundir o BA com a sua (seu) presidente embora seja ela (ele) que lhe delimita a “estratégia” e infelizmente o rumo que leva não é o melhor pois até as grandes superfícies já perceberam o dinheiro que ganham com isso fazendo marketing encapotado a custa do BA e da miséria alheia.
Por fim quero apenas dizer que sou contra o assistencialismo como terapêutica cada vez mais normal e bom seria que o BA deixa-se de existir e que todos pudéssemos prover ás nossas NHB .
Pelo amor de Deus! Esta o único que sabe fazer é mandar e dizer disparates. Chega o que temos, mais não!…
É tão fácil comentar de barriga cheia desfrutando da prosperidade de quem não tem de se preocupar com comida, e ainda lhe sobra para pagar electricidade e um computador…
Se por dizer o que disse a Isabel Jonet tivesse de andar de boca calada, há muito tempo que os políticos, jornalistas e comentadores de blogs que por aí andam, deveriam ter-se suicidado.
“A petição – rapidamente esquecida – recolheu 5422 assinaturas”. Certamente estes 5422 são os de barriga cheia que passam a vida a arrotar postas de pescada. Como eles me cansam!
Não sou de esquerda, mas não aprecio Caridade. Se o apoio social pertence ao Estado, e para isso descontamos 100% dos ordenados até Agosto, é ao Estado que cabe a ajuda humanitária — e sem chantagem, como fazem com aqueles que apoiam obrigando-os a demonstrações permanentes de idoneidade. PAra mim ou apoiam ou não apoiam. Se apoiam é incondicional e eu não quero saber se o gajo que apoio compra vinho, droga ou arroz. Isso é moralismo barato.
Esta caridade é sobretudo mercantil e tem o defeito de se posicionar moralmente: esse posicionamento foi utilizado pela senhora para projectar uma imagem da sociedade portuguesa, coisa para a qual ela não é qualificada para fazer ENQUANTO representante do BA. Pessoalmente pode fazer e dizer o que entender mas aproveitar-se do seu lugar para dar “raspanetes” é um paternalismo miserável, bem ao jeito da classe social de onde provém. Esta mania de fazer teorias sobre os portugueses, aliás, é um vício jornalístico. Os portugueses isto, os portugueses aquilo. Every fucking day vem uma teoria sobre o que os Portugueses são ou deixam de ser… Enfim.
Mas voltando ligeiramente atrás: para mim o maior problema das campanhas do BACF é que os hipermercadoss — não fazem “pacotes de apoio” específicos para a ajuda humanitária e acabam por lucrar com a miséria dos outros e o espírito humanitário da sociedade em geral o que para mim é profundamente filhadaputesco e portanto, caros amigos, vão mas é passear.
Verifico que não sabe o que é nem como se calcula o “Tax freedom day” ou “Tax liberation day”, quando com um computador na frente e o acesso à internet é fácil ter-se uma ideia e saber que é um quociente entre 2 valores que não são só o que está a pensar .
Também verifico que acharia normal que ninguém se preocupasse com os destinatários do dinheiro que é de todos (os que pagam e os que usufruem, entenda-se), como se o dinheiro não fizesse talvez mais falta a outros.
Se eu der dinheiro a alguém estou-me cagando que o gaste em droga ou em bolos e bagaço, dei e está dado, é dele.
Agora essa do apoio incondicional não estou a ver o que é…
Moralismo por moralismo, não fica atrás dos que critica.
Estou-me a borrifar para o tax freedom day. O que eu sei é que 50% (ou mais) por mês equivale a 100% (pelo menos) até final de Junho. OK enganei-me era Junho não Agosto, mas também não interessa nada para o assunto em questão, ao qual você com a merda dos pormenores acaba por não acrescentar nada. Os outros parágrafos também não acrescentam nada e procuram o ataque ad hominem. Não é preciso grande hermenêutica para perceber que o cavalheiro é socialista. É pena pq com vocês não converso.
Não é preciso mesmo nenhuma hermenêutica para perceber que o cavalheiro é parvo de todo.
E não é pena mas, mesmo não sendo socialista, com gente tão insegura de si que vê ataques “ad hominem” em tudo o que lhe dizem também não converso, há um limite para a cobardia intelectual .
Os “pormenores” nunca interessam aos que nem os “pormaiores” conhecem…
Nota- Talvez V. Exa. tenha o SEU “dia de libertação de impostos” aí no fim de Fevereiro ou meados de Março como mais de 60% dos cidadãos contribuíntes individuais portugueses e por isso vem para aqui falar de como o Estado – que não é o governo que lá está na altura – deve fazer com o dinheiro dos que só o têem (o “tal” dia) bem depois disso.
Mau maria..
Há umas coisas que não posso deixar de tentar esclarecer.
Para se chegar aos “dia de libertação de impostos” na UE a 28 (no nosso caso está em 6 de Junho) as entidades que calculam estas coisas consideram o chamado “salário bruto real” que incluí a contribuição da entidade patronal para efeitos de segurança social (23.75% em Portugal) como se fôsse retirado do salário efectivo do trabalhador e portanto um “imposto” do indivíduo e não da entidade que o emprega.
Isso levava-nos a outras conversas e não vou por aí agora (posso ír noutra altura, se fôr preciso) mas é evidente que o raciocínio habitual não considera este facto e aqueles 23.75% que não saem directamente do bolso do trabalhador são um valor suficientemente alto para não se poderem fazer raciocínios lineares.
A isto somam-se os descontos feitos pelo trabalhador para a S.S. ou outra, o IRS e outras taxas e o IVA, que eles estimam de forma curiosa pois dão como bom que o IVA é à taxa máxima de cada país mas que as pessoas só o pagam sobre bens relativos a uma parte do que ganham e igual para todos os países (muito discutível, claro, mas não é por aí que se complica).
No fim pegam no conjunto destes impostos todos, incluíndo os 23.75% do patrão e dividem pelo salário bruto que incluí a tal parte do patrão, calculam uma percentagem e multiplicam por 365 dias para dar o número de dias exacto.
Conhecendo o método e sabendo que é aplicado de igual modo a todos os países dá para fazer comparações mas parece-me muito curto para tirar conclusões.
A lista dos “dias de cada um” para 2014:
MARCH
21 Cyprus
APRIL
28 Malta
28 Ireland
MAY
12 United Kingdom
18 Bulgaria
30 Luxembourg
JUNE
06 Portugal
07 Denmark
08 Slovenia
10 Estonia
12 Spain
13 Croatia
14 Poland
18 Lithuania
19 Czech Republic
20 Finland
20 Slovakia
20 Latvia
21 Netherlands
23 Sweden
30 Italy
JULY
01 Romania
11 Germany
14 Greece
16 Hungary
25 Austria
28 France
AUGUST
06 Belgium
A Bélgica só daqui a 2 meses, por este sistema…
Pour en finir.
Admitindo como bons os números em que os cálculos foram baseados expurguei em exercício simples e rápido a tal parte do “patrão” do numerador e do denominador, como aproximação (não o são bons pois a contribuição patronal está errada e mais baixa que aquela em vigor cá há muitos anos).
Mas adiante, assim a base é a mesma.
Sendo o novo quociente 0.293 e os dias 0.293 X 365 = 107 fica portanto 17 de Abril.
A questão para lá do método geral empregue é que isto não se aplica óbviamente a reformados, pessoas com incapacidades provadas e, last but not least, trabalhadores independentes.
E aí chegados temos gente que se “liberta” no fim de Fevereiro e gente que nunca mais se liberta…
Acho que se houvesse um referendo para saber se devíamos pagar impostos o “não” ganharia com larguíssima vantagem, que lhe seria naturalmente dada por aqueles que são beneficiários líquidos dos impostos gerais mas a quem os que têem muita solidariedade na conversa e nenhuma na carteira vêm sábiamente industriando a seu favor.