Manuel Alegre
Há sempre alguém que diz não. Mas muitos militantes socialistas, e até eleitores que nem costumam votar no PS, gostariam que Manuel Alegre dissesse sim. Alguns notáveis que lhe viraram as costas noutras ocasiões – começando por Mário Soares, com quem entretanto reatou antigos laços de fraternidade socialista – consideram que o autor da Senhora das Tempestades merece uma terceira oportunidade, após ter sido derrotado duas vezes nas urnas por Cavaco Silva, em 2006 e 2011.
Agora que Cavaco não pode recandidatar-se e nenhuma figura da esquerda se impõe naturalmente na próxima contenda presidencial, por que não uma terceira oportunidade a quem escreveu A Terceira Rosa? Aos 79 anos, que festeja hoje, este benfiquista nativo de Touro – signo de gente determinada e persistente – parece ter-se desinteressado de corridas. Mas com um poeta inspirado pela musa da política nunca se sabe qual será a resposta definitiva ao vento que passa. “O mundo é do tamanho que os homens queiram que o mundo tenha”. Frase nada triste de Alegre.
Prós – A sabedoria popular costuma dizer que “à terceira é de vez”. Sendo do Benfica, merece a simpatia de sportinguistas que muito apreciaram a sua “Flor de Verde Pinho”, vencedora de um Festival da Canção, e até da eterna deputada verde, Heloísa Apolónia. Sampaio da Nóvoa, a conselho de Soares, talvez desistisse a seu favor numa sessão “unitária” com muito mais cravos do que rosas.
Contras – Gosta de pronunciar a palavra “pátria”, que continua a provocar urticária a muita gente que se diz de esquerda. Os numerosos defensores dos direitos dos animais detestariam ter um Presidente amante da pesca e da caça. Os escassos amantes da mutilação ortográfica em curso encontrariam nele um firme opositor ao extermínio das consoantes mais desfavorecidas.

![ng1483524[1].jpg](http://4.fotos.web.sapo.io/i/Bb814834f/18395748_LiUqA.jpeg)
E lá por Belém voltava a ter direito a carro e motorista e combustível e portagens para ir às caçadas. Até duas ou três Purdeys o Orçamento da PR poderia perfeitamente suportar. Além do mais, passaria a haver touradas nos jardins do Palácio de Belém nas datas históricas. E acabava-se a co-incineração em Souselas, que, quanto ao resto do país, não tem importância nenhuma.
Pesquisando “Manuel Alegre, o D. Quixote Socialista” chega-se a um artigo do Público, com este magnífico e significativo excerto:
«A admiração dos seus pares, a que não é alheio o fascínio pela sua eloquência, não é partilhada por muitos funcionários da AR, que o consideram sobranceiro. No Parlamento não há quem queira identificar-se para contar algumas das histórias que estão associadas ao candidato presidencial, que, dizem, raramente cumprimenta os trabalhadores.Uma das mais conhecidas, e que terá contribuído para o recrudescimento dessa antipatia em relação a Alegre, aconteceu quando, ainda vice-presidente da AR, ordenou a compra de uma nova frota de automóveis para a presidência. Quando o pedido chegou à comunicação social, Alegre prontificou-se a desmentir a ordem, apesar de os funcionários já terem solicitado orçamentos a vários stands de marcas de luxo. “Deixou ficar mal os trabalhadores”, contou ao P2 um funcionário da AR.
Um outro episódio que é frequentemente contado como uma espécie de anedota prende-se com a utilização excessiva do automóvel e do motorista contratado pela AR, a que Alegre tinha direito enquanto vice-presidente. Não há quem não conheça o “cão de caça” do poeta – o seu motorista, a quem cabia também apanhar a caça no Alentejo – e recorde que, sem estar no exercício do seu cargo, o deputado abusava dos privilégios que lhe eram atribuídos. Nomeadamente do carro e do condutor: a utilização do veículo implicava que gasolina e portagens eram pagas pela AR, tal como as horas extraordinárias, sublinhou uma outra fonte do Parlamento.
Contactado pelo P2, Manuel Alegre diz que o primeiro dos episódios relatados “é totalmente falso”. Quanto à segunda das histórias, o candidato esclarece que o carro de que dispunha quando era vice-presidente da AR foi-lhe atribuído “a título pessoal”: “Cheguei a prescindir do abono dado pela Assembleia para as deslocações, pelo que podia usar o carro à vontade.” E a caça? “Posso ter ido uma ou outra vez…”»
Vale mais uma Purdey na mão do que umas rolas a voar.
Um simples anagrama de “Alegre” dá “Algere”, e nesse episódio viu-se confrontado com numa longa polémica que correu nos tribunais: elacao-absolve-brandao-ferreira-vs.html
http://novoadamastor.blogspot.pt/2015/03/r
Ou seja, a “Pátria” não teve só a versão Alegre de Alger, teve uma versão que Brandão Ferreira questionou, com duras palavras.
O que se entende como “Pátria” entra no conflito dúbio entre o que é, e o que deveria ser. O tempo tende a transformar traidores em heróis e vice-versa.
Pode haver quem “nunca se engane, e raramente tenha dúvidas”… mas tal informação vinda de um antigo informador registado na PIDE/DGS:
http://www.tvi24.iol.pt/politica/cavaco-s ilva/veja-a-ficha-que-cavaco-preencheu-n a-pide
… serve mais a explicação de decorações das condecorações, negadas a uns e outorgadas a outros.
Da mesma forma, o republicanismo socialista apareceu sempre cheio de certezas, de verdades insofismáveis, e convive mal com a liberdade de expressão alheia.
Por isso, a palavra “pátria” serviu certezas opostas em confrontos internos, que migram de tempos passados para tempos presentes.
A persistente ocultação do passado, dos erros, das dúvidas, transformando tudo em certezas e posições irredutíveis, é o caminho impossível dos futuros que querem negar ou pintar o passado.
Esse caminho está estudado e é bem conhecido – é o caminho das baratas tontas.
Ninguém quer revelar a merda que fez e por onde andou.
«Meu poema acendeu-se no cimo da lenha / alguém cantou: a pátria somos nós.»
Nesse nós que vedes vós?
Nós que enlaçam a voz?
Tendes vós todos os nós?
Nós duma herança de avós?
Sois vós todos nós?
Ou somos nós todos voz?
Isto, claro, se ele quisesse escutar, senão PQP.
O já desaparecido Candal (que também não era flor que se cheirasse) topava-o bem:
O ex-deputado socialista Carlos Candal defendeu em declarações ao Rádio Clube Português que o Partido Socialista deveria avançar com um processo disciplinar contra Manuel Alegre. “Não é pensável que o Manuel Alegre faça o que tem feito, e continue a fazer, sem levar um chuto”, disse Candal.
"Ele não pode estar agressivamente contra o Partido Socialista, violando todas as regras de coexistência e da solidariedade partidária sem ser punido", indicou.
Candal considerou ainda que o histórico socialista deve ser punido por “violar as regras da solidariedade”, e que “não deve voltar a integrar as listas do PS”, avança o RCP.
“Punham-lhe um processo disciplinar e ia à vida (…) ou não era convidado para integrar a Comissão Nacional e não voltava a entrar nas listas para deputados. É assim! O partido é uma formação colectiva e solidária”.
Carlos Candal argumenta que as críticas feitas por Manuel Alegre ao partido não são aceitáveis. O deputado admitiu recentemente ao semanário “Expresso” que poderá avançaria com uma candidatura independente contra o PS, se a Constituição portuguesa o permitisse.
(11/03/2009)
«Acordo Ortográfico: Parlamento aprova, Manuel Alegre (PS) contra, quatro deputados recusaram votar»
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Inte rior.aspx?content_id=941971
Desculpar pulhices com a sua oposição ao NOA não pega, acho eu.
Os 230 deputados portugueses deram mais de 1.500 faltas nas 109 reuniões plenárias da terceira sessão legislativa (de Setembro a Julho de cada ano). Manuel Alegre (PS) e Carlos Gonçalves (PSD) são os parlamentares com mais faltas, 39 cada. Apenas 23 deputados marcaram presença em todas as reuniões. De acordo com os registos online das presenças dos deputados em funções até ao fim da sessão, a 18 de Julho, o socialista Manuel Alegre FALTOU 27 VEZES POR MOTIVOS DE DOENÇA (curiosamente, foram doenças que duraram um diazinho, de que miraculosamente se curou em três tempos – áparte meu) Já Carlos Gonçalves contabiliza duas faltas injustificadas e 37 justificadas, todas elas por motivo de trabalho político. Segundo os dados, nenhum parlamentar perdeu o mandato, consequência para quem der mais do que quatro faltas injustificadas, embora ainda existam 103 faltas por justificar.
(30/07/2008)
Continuo a preferir a notícia da Lusa que transcrevi.
É um homem completamente de outra geração.
Que passe uma Terceira Idade sossegada.
De facto, é de outra geração. Adriano Moreira vai fazer 93 anos, Mário Soares anda a caminho dos 91, Almeida Santos está com 88.
Só devia ser candidato a presidente da República quem tivesse assinado a declaração 27003, do Estado Novo.
Da gente do antigamente, evidentemente.
Quem quisesse ser funcionário, professor, militar, simples cantoneiro das Obras Públicas etc. do quadro, tinha que assinar essa declaração como teria sido o caso de Cavaco.
O terceiro mundismo dos revolucionários tipo Alegre e todos os que foram para Argel , Cuba e Moscovo e Kiev, mesmo um certo europeismo esquerdalho que havia naquele tempo, como Alegre contra o Portugal colonialista, salazarista é que estão a transformar hoje em gigante o Homem que já era enorme naquele tempo.
Salazar.
Este gigante que só queria africanos bons de bola e que falassem português em Portugal, agora somos convidados a receber africanos oriundos de Lampedusa, fugidos aquilo que todos sabiamos: fugidos da África tribal, abandonada aos chineses e à Shell.
Como aquela europa chegou a isto? em que só agora é que a própria Inglaterra está a negar-se a receber os refugiados africanos, quando eles (os trabalhistas) também votavam contra nós na ONU, nos anos 60/70?
Estes postes de Pedro Correia penso que são para demonstrar que a imprensa é livre em Portugal.
Livres são estas caixas de comentários. No tempo da mordaça nem 20% do que aqui se lê era publicado.
Um escroque, muito simplesmente.
E como o galicismo já traz acoplado o conceito "traiçoeiro, traidor", somos poupados a mais longas explicações.
Cuidado com essas expressões de ódio. O ódio é sempre péssimo conselheiro.
O deputado do PS Manuel Alegre foi reformado este mês com 3219,95 euros mensais por ter desempenhado, segundo o próprio, durante “pouco tempo”, funções de “coordenador de programas de texto” da RDP (Rádio Difusão de Portugal), segundo a lista dos aposentados e reformados divulgada pela Caixa Geral de Aposentações (CGA). O “Correio da Manhã” de hoje avança que o vice-presidente da Assembleia da República esteve apenas três meses como director dos Serviços Criativo e Culturais da RDP.
Apesar de garantir ao “Correio da Manhã” que sempre descontou por esse cargo na RDP, Manuel Alegre confessa que “se não fossem eles [CGA] a escrever” uma carta a informá-lo da reforma “nem teria dado por isso”.
O candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais afirma que vai optar por receber o ordenado como deputado e um terço da reforma que agora lhe foi concedida.
Manuel Alegre entrou para a RDP logo depois de ter regressado do exílio em Argel, pouco depois do 25 de Abril. Mas assim que foi eleito deputado do PS, nas primeiras eleições democráticas para a Assembleia Constituinte, em Abril de 1975, nunca mais desempenhou trabalho efectivo no cargo para o qual fora designado. Alegre revela, no entanto que, caso alguma vez não tivesse sido eleito, “teria regressado para a RDP”.
Quando questionado pelo “Correio da Manhã” sobre o tempo de trabalho efectivo na RDP e o valor da reforma agora divulgado, Manuel Alegre fez questão de sublinhar que tudo “é legal”.
Sobre o facto de este cargo não ser referido na sua biografia do Parlamento, o deputado do PS confessa que houve “uma lacuna” que não é da sua responsabilidade.
(25/07/2006)
Que eu saiba, os aposentados da Caixa Geral de Aposentações têm de REQUERER a sua passagem à aposentação, não são os serviços da CGA que tomam a simpática iniciativa de lhes escrever a anunciar cordial e prestavelmente que passaram a essa condição.
É um fofo. Um romântico. Um poeta com direito a todas as liberdades, poéticas, políticas ou outras. A voz é a sua imagem de marca – a voz da resistência a um tempo de trevas, de obscurantismo em Portugal. Não vale ironizar com ele, expor as suas inconsistências menos … inspiradas, afinal, quem as não tem? É um dos símbolos do Bem e da Esperança, como o perfume dos cravos vermelhos, como a promessa de calor nos sempre renovados amanheceres de Abril. Isto é muita coisa, e isto ninguém lhe tira. Por mim, está de bom tamanho, e agradeço-lhe.
E além disso hoje merece os nossos parabéns. Pelo 79º aniversário.
Verdade??? Então Parabéns a Manuel Alegre. Feliz dia de Aniversário!! Daqui lhe envio um enorme ramo de cravos com cheirinho a … alecrim!!! E continue a poetar, a prosear, a caçar e o que mais lhe apetecer. Ele pode tudo, menos … candidatar-se a PR … sorry.
Os deputados do PS manifestaram-se hoje contra a ausência de Manuel Alegre na discussão e votação final global do Orçamento do Estado para 2006, desafiando o candidato a Presidente da República a suspender o seu mandato na bancada socialista.
Dizendo falar em nome de “dezenas de deputados socialistas”, o dirigente do PS-Porto Manuel Pizarro afirmou que percorre a bancada do partido “um sentimento de grande incomodidade” face à decisão de Manuel Alegre de não estar presente na votação final global do Orçamento, tal como já fizera no início do mês, durante a votação na generalidade.
“Manuel Alegre está a permitir que se instale na opinião pública uma ideia de subvalorização e desrespeito pelo instituição parlamentar”, argumentou Manuel Pizarro, acrescentando que se “Manuel Alegre considera que a sua condição de deputado é agora incompatível com a sua condição de candidato a Presidente da República, então deverá suspender o seu mandato de deputado”.
Numa crítica ao candidato a Belém e vice-presidente da Assembleia da República, o dirigente do PS-Porto disse “não ser respeitador da ética republicana alguém beneficiar da sua condição de deputado e, depois, não cumprir os deveres inerentes a essa função de deputado”.
Um dirigente nacional do PS declarou à Lusa que a questão da ausência de Manuel Alegre na votação final global do Orçamento do Estado para 2006 “não foi debatida na última reunião da bancada socialista” na segunda-feira à noite “porque a direcção transmitiu que não era seguro que Manuel Alegre faltasse hoje à votação”.
(30/11/2005)
Já que está em maré de citações da Lusa, aqui vai mais uma que nunca me canso de transcrever: rior.aspx?content_id=941971
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Inte
«O Parlamento aprovou hoje, com os votos favoráveis do PS, PSD, Bloco de Esquerda e sete deputados do CDS o Segundo Protocolo do Acordo Ortográfico, mas Manuel Alegre (PS) e dois deputados do PP e Luísa Mesquita votaram contra.
Três deputados do PSD, Henrique Freitas, Regina bastos e Zita Seabra – que invocou “conflito de interesses” por ser editora – além de Matilde Sousa Franco, do PS, abandonaram o hemiciclo antes da votação.
O acordo teve a abstenção das bancadas do PCP, PEV e dos deputados Paulo Portas, José Paulo Carvalho e Abel Baptista (CDS-PP). »
16 de Maio de 2008
E se ele ficasse apenas pela poesia?!
Essa é que era!!
Também é muito bom na prosa, Helena.
… e Fátima.
Gosta de levar porrada para se fazer vitima. Já cansa.
Quem vai à guerra dá e leva.