Garcia Pereira
Eleição presidencial sem a presença de António Garcia Pereira é tão desoladora como um jardim sem flores. O líder quase-vitalício do MRPP já se tornou imprescindível em campanhas eleitorais – e qualquer uma lhe serve para exibir protagonismo defronte das câmaras.
Este advogado de 62 anos, signo Escorpião, terá presumivelmente mais clientes do que eleitores em termos proporcionais: nunca o seu partido, em quatro décadas de democracia, conseguiu eleger um só deputado para a Assembleia da República. Mas ele é dos que não desistem: a tenacidade, garante quem o conhece, é o seu ponto forte.
Como ensinava o Presidente Mao, um dos seus pensadores de cabeceira, “a revolução não é nenhum chá dançante”. Passam os anos mas Garcia Pereira não esmorece na luta contra a burguesia e os critérios editoriais das televisões que ousam conceder ao MRPP um espaço idêntico ao dos votos que vem recolhendo de 1976 para cá.
Prós – Tem uma longa experiência na matéria: candidatou-se duas vezes ao Palácio de Belém, encabeçou listas eleitorais à Assembleia da República e até já se candidatou a presidente da Câmara de Lisboa. Presta tributo ao oceano, na senda de alguns dos maiores vultos da nossa história: é proprietário de uma embarcação de recreio.
Contras – As anteriores corridas presidenciais não lhe correram da melhor maneira na hora de escrutinar os boletins: obteve menos de 69 mil votos em 2001 (1,59%) e não chegou aos 24 mil em 2006 (0,44%).”Ousar Lutar, Ousar Vencer” – uma frase que lhe serve de mote – também já foi o lema preferido de Durão Barroso.

![garcia-pereira-300x203[1].jpg garcia-pereira-300x203[1].jpg](http://9.fotos.web.sapo.io/i/Bba144686/18302195_qrd62.jpeg)
O problema dele é que o Tejo não chega aos Jardins de Belém para fundear lá o seu proletário barquito.
E no estado das finanças públicas não se vê como arranjar dinheiro para construir um canal entre o Padrão dos Descobrimentos e o Palácio.
Quanto ao resto, defender os pobres (que seria o seu lema) mas viver à rica no Palácio Rosa, não é nada que a sua tarimba política (manhosa) não conseguisse acomodar.
Os outros camaradas (os verdadeiros, de Moscovo), não desta estirpe degenerada (de Pequim) também usam a mesma bitola da coerência: berram por todo o lado contra os impostos dos governos centrais mas nas câmaras que dominam têm as mais altas taxas.
É só ir ver na Margem Sul, onde têm 11 das 13 câmaras, IMI nas taxas mais altas desde sempre (2003, quando substituiu a Contribuição Autárquica), Não devolvem nada dos 5% do IRS que lhes cabe (como 90 câmaras fazem, Lisboa, p. ex., devolve 2,5% e tem a taxa mínima de IMI), e na Derrama de IRC alinham também por cima. Quanto a águas e outras taxas idem.
Grandes revolucionários.
Menciona factos que eu desconhecia. Mas, meu caro, não culpemos Garcia Pereira – comunista puro e duro – da gestão “revisionista” que ele sempre combateu nesses municípios. A Mao o que é de Mao, a Piao o que é de Piao.
Caro Pedro:
Disse: «Menciona factos que eu desconhecia.»
Muita gente desconhece, infelizmente, não se pode saber tudo.
O que leva a que a conversa da treta daquela gente faça o seu caminho como verdade.
Dentro de pouco tempo deixar-lhe-ei aqui 4 links que irá adorar.
Agora ainda não posso, perceberá depois porquê.
Muito bem.
Já teve o seu tempo e a sua graça. Nos dias que correm, tornou-se em mais um cromo da nossa democracia, daqueles para quem não sobra réstia de pachorra.
Nem têm sobrado votos.
… e meu, e meu! Assumidamente!
Eram outros tempos.
O candidato preferido de um dos meus filhos.
E eu até já votei nele. Foi assim… (conto outro dia, dá uma história engraçada – e uma série sobre votos).
nunca o seu partido conseguiu eleger um só deputado
É verdade, mas seria adequado acrescentar que tem quase sempre andado perto disso. O MRPP costuma alcançar 1,5% dos votos, quando seria necessário 2% para eleger um deputado. E o MRPP é quase sempre o partido com mais votos de entre os que não elegem deputados.
Facto: quarenta anos sem eleger um deputado sequer. Não falo em dois, ou vinte. Mas um apenas.
Em vez do Breviário teremos o Livro Vermelho do Presidente Mao para decorar e rezar às horas estabelecidas pela Comissão Política do PCTP.
Com franqueza,isto vai de mal a pior.O PCP já adoçou o programa há muito
tempo,por razões tácticas,depois da implosão comunista.
É verdade. De Comunista resta-lhes pouco mais do que o nome. E ainda bem para o PCP. Porque o comunismo passou a estar associado a algumas das piores ditaduras de que há memória.
Por razões tácticas.Marx e Lenine são referência,não lê o Militante?
Pode-se jogar a sueca e dançar o corridinho sem deixar de acalentar(Íntimamente)
a ditadura do proletariado.De outro modo como tomariam o poder? E o conservariam?Não abdicaram da teoria fundamental da luta de classes e da vitória(prevista pelo 1º profeta)do proletariado SOB a direcção do PC.
Vá lendo o Militante,aprender,aprender sempre.
Agradeço, mas dispenso essa leitura.