Presidenciáveis (36)


Pedro Correia,

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José Ribeiro e Castro

 

É uma das vozes mais respeitáveis da Assembleia da República, embora olhado de soslaio por vários sectores do seu próprio partido. José Ribeiro e Castro, enquanto deputado do CDS, tem-se batido pelas causas em que acredita, à margem de orientações oficiais. Foi um crítico tenaz da abolição dos quatro feriados nacionais – com destaque para o 1º de Dezembro, dia da restauração da independência – e não esconde a sua oposição ao chamado “acordo ortográfico”, aliás em consonância com a esmagadora maioria dos escritores e dos linguistas portugueses. Há dias, voltou a quebrar a ortodoxia partidária ao tornar-se o único deputado das bancadas da maioria a votar contra a lamentável “tróica linguística”, que exclui o nosso idioma dos registos de patentes a nível comunitário.

Há quem pense que devia haver mais deputados como este jurista de 61 anos, signo Capricórnio – mais fiéis à vontade do eleitorado do que à disciplina interna dos partidos políticos. Naquela que promete ser a mais concorrida eleição de sempre para Belém, porque não também participar nela alguém que é de direita sem jurar que é do centro?

 

Prós – Pertence ao elenco de fundadores do CDS e foi colaborador directo daquele que hoje todos consideram a figura mais consensual da história do partido: Adelino Amaro da Costa. Tem um longo currículo político (iniciado como jovem deputado, em 1976) e não esconde o que pensa, atributo raro na vida pública portuguesa.

 

Contras – Liderou o CDS, entre 2005 e 2007, mas esse consulado no Caldas foi tão agitado como breve. Azul na política mas encarnado no futebol, assumiu funções de vice-presidente do Benfica, ainda por cima numa fase nada saudosa da vida do centenário clube, o que afugentará eleitores de outras simpatias clubísticas. 

0 comentários em “Presidenciáveis (36)”

  1. Por mais méritos que o Pedro lhe reconheça, este homem não é presidenciável, porque não tem quaisquer apoios reais nem potenciais a não ser entre a direita conservadora / católica / nacionalista, a qual é uma franja reduzida do eleitorado.

  2. Antes esse fundador do CDS que um Freitas ou um Basílio…

    Mas, como se assinala no post, a sua liderança do CDS ao memo tempo que teimou em manter-se deputado europeu (por via do móni?) foi um completo desastre. Ultimamente, tem gasto as suas energias com assuntos simbólicos (claro que concordo com a existência do feriado do 1º de Dezembro, mas a verdade é que 1. a generalidade das pessoas não lhe ligava grande coisa, dedicando-se antes – sobretudo em zonas urbanas – a preparativos para a quadra natalícia, 2. julgo saber que está prevista e calendarizada a possibilidade de reposição desse feriado).

    Ser presidenciável neste caso não passa disso mesmo: apenas reúne condições para ser um candidato dos pequeninos.

    —————————————-—————————————-——

    Um àparte: muito mas mesmo muito raramente vi algo tão patético (aquilo nem para rir dava) como, ontem, a apresentação de candidatura do “candidato do burro”.

    Para quem possa perdido (por ter estado em algum debate/forum):

    http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2015-04-15-Orlando-Cruz-vai-tentar-pela-terceira-vez-entrar-na-corrida-presidencial

    1. Nesta série não cuido de presidenciáveis grandes ou pequenos. Há gente das mais diversas proveniências e dos mais variados tamanhos, reais ou imaginários. Sem exclusão de nenhum sector político.
      Grande é o Bayern de Munique, aliás enorme. E perdeu ontem com o Porto.

  3. Está muito enganado, Caro Pedro Correia.

    Ribeiro e Castro é acordista. Que passe por ser contra, apenas prova que, além de acordista, é perigoso.

    Na Assembleia da Re‹‹pública›› meteu Seufert no bolso e se a coisa não foi escandalosa com a elaboração de um relatório final em que se declarava que tudo ia bem, foi devido à oposição do deputado do PCP, Miguel Tiago, que declarou que não podia votar favoravelmente o que Enes tinha cozinhado. Enes é, elmbremos, um deputado especialista em maçonaria açoriana, não se sabendo se o seu conhecimento abrange, também, a regular, que tanto tem atraído políticos católicos nos últimos tempos.

    Mas comecemos pelo fim, diz Castro:

    “Apesar de ter havido um grupo de trabalho sobre o assunto, que funcionou na Assembleia da República em 2013, o deputado centrista diz não ter tirado as conclusões que outros tiram e que é “precipitado” defender simplesmente a saída de Portugal do acordo ortográfico.”

    O que Ribeiro e Castro parece, afinal, querer, é que adiramos todos, ordeiramente, à mutilação da nossa língua: Assim “[…] considera fundamental ultrapassar os problemas para aumentar a adesão de todos ao acordo.”

    Aliás, creio que já declarou que o “acordo” não lhe fazia confusão.

    Todo completo aqui com o respectivo link (http://ilcao.cedilha.net/?p=13188)

    ‹‹José Ribeiro e Castro defendeu que a aplicação do acordo tem estado envolto em “problemas políticos de efectivação” e “problemas técnicos” que é preciso ultrapassar. Citou Adriano Moreira para dizer que “a língua portuguesa não é nossa, mas também é nossa”, pelo que é preciso “ter plasticidade e inteligência no equilíbrio entre os elementos normativos e o trabalho de linguistas” e de todos os especialistas e utilizadores da língua, como docentes ou escritores.

    Apesar de ter havido um grupo de trabalho sobre o assunto, que funcionou na Assembleia da República em 2013, o deputado centrista diz não ter tirado as conclusões que outros tiram e que é “precipitado” defender simplesmente a saída de Portugal do acordo ortográfico. Mas considera fundamental ultrapassar os problemas para aumentar a adesão de todos ao acordo.››

      1. Não vale a pena ir verificar, acredito no que o Pedro Correia diz.
        Decerto é um texto muito sentido e como também já me morreu um irmão sei que o desgosto é grande.

        No entanto, do que se trata aqui é do acordo.

        Se Ribeiro e Castro usa a ortografia portuguesa legítima para o que lhe diz respeito e lhe é caro e diz em público o que disse, é algo que só o desabona, fazendo lembrar a cavacal figura, que declara escrever com a ortografia legal e usa o “site” da presidência da república para fazer a propaganda do abortês.

  4. Se vamos escolher Presidentes pela cor do clube, isto vai mesmo muito mal. Não convence ninguém. Diz o que pensa, mas não faz o que pensa. Não basta pensar e dizer, tem de fazer e isso ele não fez nem faz. É só blá, blá, blá…..

      1. Pior ainda, porque o Benfica representa tudo o que está errado neste País, desde a demagogia, à aceitação da aldrabice e batota como parte mérito até à falsa “humildade” que não é mais do que suburbanismo ganancioso. Representa um povo errado nos seus valores e confundido no seu caminho — a caminho do fim.

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