Presidenciáveis (31)


Pedro Correia,

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Carlos César

 

Andam os socialistas em crise de orfandade presidencial, transformando as redes sociais num insólito processo de primárias para a corrida a Belém, e poucos parecem ter reparado ainda num homem talhado para enfrentar o desafio. Carlos César, o socialista que em 1996 pôs fim a duas décadas de consulado social-democrata na Região Autónoma dos Açores, ancorou há quase três anos no continente sonhando certamente com voos mais altos.

Ostenta um currículo político sedimentado por sucessivas vitórias com maioria absoluta nos escrutínios regionais, não lhe falta tempo disponível, parece ter a idade adequada (58 anos) e até já é presidente. Não do País, mas do PS.

Existem algumas diferenças entre os dois cargos, claro. Mas a política é mesmo assim: feita de pequenos passos.

 

Prós – Ninguém como ele terá tão sólidas perspectivas de vitória nos Açores, onde deixou boa reputação como governante (1996-2012). Pertence ao mesmo signo astrológico de Álvaro Cunhal e Francisco Louçã (escorpião), o que talvez facilite uma futura “unidade de esquerda”. Tem apelido de imperador, o que dá sempre jeito quando se pretende conquistar o poder.

 

Contras – Não faltará quem jure que lhe falta verdadeira dimensão nacional para se tornar inquilino do Palácio de Belém. Os nossos dois primeiros presidentes, Manuel de Arriaga e Teófilo Braga, também eram açorianos mas nenhum deles foi bem sucedido nas funções. Precisa de se acautelar com algum Bruto socialista que ambicione anavalhá-lo pelas costas.

0 comentários em “Presidenciáveis (31)”

  1. parece ter a idade adequada (58 anos)

    Também acho.

    Ao contrário da maior parte dos outros candidatos a candidatos, que têm idades (em minha opinião) completamente desadequadas.

    Entretanto, prejudicou-o muito, a meu ver, aquela ideia dele (César) de que o Estado deveria ressarcir os incautos que investiram o seu dinheiro em papel comercial do GES. Um presidente que tenha tais pensamentos é manifestamente perigoso!

    1. “Um presidente que tenha tais pensamentos é manifestamente perigoso!”
      Não. Um presidente que tenha tais pensamentos é manifestamente ladrão e burro como uma porta.

  2. Os dois açoreanos que aceitaram substituir o rei D. Manuel, foram os únicos que não tinham vergonha de substituir uma monarquia tão antiga como os braganças.

    Se não corasse de vergonha, era mesmo alguem do nordeste transmontano a substituir o rei.

    1. Depois tivemos um natural do Rio de Janeiro (Bernardino Machado), outro de Caminha (Sidónio), um de Lisboa (Canto e Castro), outro de Penacova (A. J. Almeida) e ainda um de Portimão (Teixeira Gomes).

  3. No fim de semana terá levado para a praia algum daqueles livrinhos recomendados
    aqui por um filólogo?

  4. Caro Pedro Correia:
    Esqueceu-se do maior óbice, o homem não é Dr., num país onde isso ainda conta tanto, apesar da democratização do canudo .

    1. Longe de mim compará-los, mas Winston Churchill (só para invocar um exemplo célebre de estadista do século XX) nunca pôs os pés numa faculdade. Pelo menos como estudante.

        1. Manuel Alegre, que foi duas vezes candidato presidencial, não concluiu a licenciatura. O presidente do BPI, Fernando Ulrich, também não. E o director do Expresso. O secretário-geral do PCP nem frequentou a universidade. José Saramago, nosso Nobel da Literatura, também não. Nem Henrique Neto, outro candidato presidencial já confirmado.
          Não será certamente por causa disso que Carlos César deixará de se candidatar.

  5. De facto, só esse atrelar-se a outros “açoreanos” é que ilumina minimamente a ‘coisa’ … mas esse e outros emproamentos onde debita banalidades, quando não barbaridades, faz-me lembrar um ex-vice Americano, louro, WASP, e memorável por uma série de ‘gaffes’ que ilustravam a sua envergadura intelectual – num debate invocou experiência (e ‘looks’) comparáveis a J.F. Kennedy. O seu oponente, Lloyd Bentsen, um democrata contemporâneo de JFK, respondeu-lhe “Senator, I served with Jack Kennedy. I knew Jack Kennedy. Jack Kennedy was a friend of mine.
    Senator, you’re no Jack Kennedy. “

  6. Dois açorianos bastaram… Troika. Jamais!

    Fracassou no curso de direito da U de Lisboa.
    Todavia, tornou-se um eminente especialista em anti-ciclones ao Norte dos Açores… O que, para presidente é um bom handycap ( tá bem dito MS?)

    1. Numa coisa foi Carlos César bastante incompetente – portanto, pouco especialista – e essa coisa foi contrair dívida pública (e em escondê-la, como fez o Sócrates cá e o A. J. Jardim na Madeira).
      Só na Madeira foram 6 mil milhões, para 250 mil habitantes.
      Nós no Continente temos 9,5 milhões (subtraindo os 250 + 250 mil dos 2 arquipélagos, Madeira e Açores) o que daria uma dívida pública de 228 mil milhões.
      Ficámos bastante abaixo, 160 mil milhões incluindo a da Madeira e a dos Açores (que é irrisória comparativamente à da Madeira).
      Logo, abaixo o César: A. J. Jardim à Presidente da República: os colonialistas que paguem a dívida.

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