Presidenciáveis (30)


Pedro Correia,

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Mário Nogueira

 

Consta que o PCP anda à procura de um candidato presidencial. Talvez não encontre melhor, no capítulo da notoriedade, do que Mário Nogueira: sozinho, o secretário-geral da Fenprof parece um habitué mais regular nas televisões do que qualquer dirigente da oposição parlamentar.

Ex-mandatário nacional da candidatura presidencial de Jerónimo de Sousa em 2006, este militante comunista de signo Capricórnio e fervoroso adepto do Sporting chegou a ser conotado com a ala renovadora do PCP. Passou-lhe depressa o vírus “fraccionário”: hoje exibe impecáveis credenciais de ortodoxia.

Tem 57 anos, mas parece mais novo: pelos vistos, o sindicalismo à moda antiga rejuvenesce. Sobretudo quando é exercido em regime de dedicação exclusiva há 24 anos, como é o caso.

 

Prós – Contará com o voto de muitos docentes. Ninguém da sua área política lhe contesta as credenciais de esquerda. E tem tempo de antena garantido: adora as televisões e esta paixão parece ser recíproca.

 

Contras – Não deverá contar com votos de ex-alunos, até por quase ninguém já se lembrar dele numa sala de aulas: deixou de leccionar em 1991, quando ainda existia União Soviética. Usa bigode, adereço definitivamente fora de moda para um inquilino do Palácio de Belém. O último a usá-lo foi o marechal Óscar Carmona (1926-1951).

0 comentários em “Presidenciáveis (30)”

  1. Para desempenhar as funções que desempenha não tem de dar aulas, tem sim, de executar bem aquilo que faz, pois é isso que os seus associados lhe exigem. A antiguidade no cargo dá-lhe mais experiência e isso, não é defeito é uma mais valia. O bigode voltou a estar na moda, assim como a barba e o que é que isso tem a ver com assunto? Pelo que me parece adora fazer o que faz, defender a classe, o que é inquestionável. Se o chamam à televisão que vá sempre que lhe derem oportunidade e se faça ouvir. Não parece querer tais funções, gosta daquilo que faz e neste momento dificilmente aceitaria o cargo.

    1. Não há nada como os defensores dos cargos vitalícios (quando se trata dos deles, não quando se trata dos outros) para a gente os topar. E para a gente não deixar de ir votar (nos outros, claro).

    2. Imagino que gosta realmente do que faz: só faz barulho e não produz rigorosamente nada. Mas tem direitos. Quando nasceu já vinha com direitos e subsídio de traumatismo de parto.

  2. Tem cada ideia.E ele ao menos já se sujeitou a fazer exames?Os tais exames a que
    os verdadeiros professores são obrigados? Há quanto tempo não exerce a profissão?Ser sindicalista ao serviço do PCP é profissão?Vitalícia?O Muro já desabou há muito.
    Que ideia a sua.

    1. Se se refere ao exame de português para professores que o ministério de Crato acabou de fazer que vem com erros, é uma pena não o ter feito.
      O ministro do rigor força os candidatos a professores a fazerem exames, e nem sequer consegue fazer um exame sem gatos!
      É uma pena não haver exame para ministro.

      1. “Se se refere ao exame de português para professores que o ministério de Crato acabou de fazer que vem com erros, é uma pena não o ter feito.”

      2. Nisso concordo consigo—exames para o Crato.Mas não só,também para o funcionário síndico/pcp.E nada de cargos vitalícios,nem cratos nem nogueiras.Ou outros que sejam candidatos a nomenklaturas,sejam direitos ou esquerdos.

    2. Bem vistas as coisas, os seus argumentos são facilmente contestados:

      – O homem sacrificou a sua vocação docente em prol da defesa incansável dos direitos e da dignidade da classe a que, mais não seja por essa sua abnegada acção, e com tão pungente sacrifício pessoal, sempre pertencerá e em relação à qual sempre terá brilhante ascendente de condutor de vontades. Há-de ser essa, ou parecida, a resposta liturgicamente aplicável (mais ainda num partido de mártires e com extensa lista de santos. Ficam assim afastadas as suas três primeiras objecções.

      – É profissão, sim senhor e vitalícia, decerto, num partido que abomina a figura do despedimento. Só pode ser: o homem tem que viver de alguma coisa e, pelas razões que você aponta, de ensinar é que não será. E se questionado este aspecto ainda nos arriscamos, em responso moralmente superior e com isso tão ao tom da esquerda mais conservadora, a ouvir que dá tudo o que ganha ao Partido, exceptuando o mínimo essencial para viver. Além do mais, e se for o caso (não sei), isso de ser “funcionário do Partido” é algo que encerra uma mística só comparável mutatis mutandis ” ao que se diz da mística de certo clube de futebol. Sobre isso não devo adiantar-me, não fui tocado pela graça futeboleira , uma grave falha, bem sei, mas assim se demonstra a insustentabilidade das suas quarta e quinta objecções.

      – O muro (o de Berlim, suponho) já desabou, é verdade, fruto da insidiosa acção divisionista da reacção capitalista mundial, mas a luta continua! Quem lhe garante que ele será não gloriosa e heroicamente reconstruído? Todos sabemos que o capitalismo encerra a sua própria destruição. Assim o ensina o Partido. E, com isso, a destruição da sua derradeira afirmação.

      Costa

      1. Gostos.Não aprecio muros de Berlim,só bolas e sem asae.Vitalícios síndicos ou no governo também não.O Partido não despede! Ai não que não despede quem não lhe segue a linhaça.Ao longo dos anos.E só não abate porque estamos por cá,sendo nos gloriosos anos de Iejov ou Beria ou tendo novas oportunidades.
        Questão de gosto.Há décadas que não vou por aí.É escusado voltar a bater à porta.

        1. Homem, faça-me um favor, reconheça a ironia… Ou então fracassei completamente nesse exercício. O Partido faz isso que diz e o mais que não faz é só porque, por estes tempos, não pode.

          De resto, a linhagem do Partido é como bem sabemos a grande precursora do Photoshop…

          Costa

          Ps.: de Berlim, além da cidade que conheço muito mal, mas de que guardo interessantes memórias de meses após a queda do muro, eu sou de facto mais de bolas. Com creme, de preferência. No Verão, sabe, as da praia de Carcavelos e do Tamariz, no início dos anos setenta. Bem vê, se essas memórias (do Tamariz , sobretudo) não fazem de mim um fascista irredimível , o que fará?

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